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Grave suspeita

Polícia investiga mortes em fábrica de agrotóxicos da Shell

Substâncias agrotóxicas de uma fábrica da Shell, em Paulínia, no interior de São Paulo, podem ter ocasionado a morte de três funcionários com menos de 30 anos. A suspeita foi levantada pela TV Bandeirantes. De acordo com a reportagem, há fortes indícios de que os trabalhadores mortos, nos anos 80, foram contaminados por resíduos de defensivos agrícolas.

Em 1994, a Shell teria admitido a contaminação da área. A Polícia está investigando o caso e deve encaminhar os resultados do inquérito ao Ministério Público. Deputados da Assembléia Legislativa de São Paulo estiveram no local e podem pedir uma CPI para apurar as denúncias feitas pela TV.

Os funcionários José Pedro Neto, Valmir Mendes Pereira e José Donizeti Moraes teriam sido contaminados depois que começaram a trabalhar na fábrica. José Pedro ficou dois anos na fábrica e morreu de insuficiência renal crônica. Donizeti trabalhou oito anos e morreu com câncer de pulmão. A causa da morte de Valmir, que também trabalhou oito anos, não foi determinada no laudo do Instituto Médico Legal, que não descartou, no entanto, a possibilidade de intoxicação.

Um médico especialista da Universidade de São Paulo disse que existem fortes indícios de que os funcionários foram contaminados por substâncias químicas de agrotóxicos. Mas a empresa contesta as suposições. Segundo a Shell, nada há de concreto que possa ser imputado à empresa.

De acordo com a reportagem, uma das substâncias manipuladas à época das mortes dos trabalhadores, o formicida Aldrin, já fora proibida em 127 países em um encontro mundial. O Brasil foi um dos signatários do acordo.

Revista Consultor Jurídico, 23 de junho de 2001, 0h00

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