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Carandiru

Justiça ouve coronel acusado da morte de 111 presos no Carandiru

A justiça deve ouvir ainda na manhã desta quarta-feira (29/11) o primeiro acusado pelo massacre 111 presos, ocorrido em 2 de outubro de 1992, na Casa de Detenção de São Paulo, o Carandiru.

O coronel Ubiratan Guimarães, acusado de ter dado a ordem que resultou nas 111 mortes, será interrogado pelo juiz Nilson Xavier de Souza. O advogado do coronel, Vicente Cascione, disse que a ação da tropa de choque da Polícia Militar no Pavilhão 9, no Carandiru, era necessária e inevitável.

"Ele vai dizer que foi chamado lá na Detenção, que deu a ordem porque ela era necessária e, no caminho do pavilhão, foi ferido por uma explosão", afirmou o advogado.

Cascione voltou a dizer que seu cliente quer ser julgado rapidamente. O advogado afirmou que não deve pedir que sejam lidas muitas peças do processo aos jurados, pois entende que não "há quem preste atenção a uma leitura monótona".

O Ministério Público pretende pedir ao juiz que sejam lidas várias páginas do processo, além de exibidas fitas de vídeo aos sete jurados.

Um fato novo pode levar ao adiamento do júri. Dois juízes, testemunhas da defesa, enviaram na última segunda-feira ofício ao 2º Tribunal do Júri pedindo que suas prerrogativas de magistrados sejam respeitadas.

Fernando Torres Garcia e Ivo de Almeida, que estavam no Pavilhão 9 no dia do massacre, querem marcar dia e hora para serem ouvidos e não permanecer isolados no tribunal, como as demais testemunhas do caso.

Dois dos principais acusados pelo massacre ainda ocupam cargos na Polícia Militar. O coronel Gérson dos Santos Rezende é comandante do Policiamento Rodoviário - ele é acusado de lesão corporal grave. O tenente-coronel Luiz Nakaharada, acusado de cinco homicídios, chefia o 4º Batalhão da PM, na capital.

Além deles, os quatro capitães que chefiaram a ação da PM no Pavilhão 9 permanecem na corporação, mas em cargos burocráticos. São eles: Valter Alves Mendonça, Arivaldo Sérgio Salgado, Wanderley Mascarenhas e Ronaldo Ribeiro dos Santos.

O único oficial que continua na mesma unidade em que estava é o hoje major Marcos Cabral Marinho de Moura, do 2º Batalhão de Policiamento de Choque.

O hoje coronel Silvio Roberto Villar Dias comanda a Guarda Civil Metropolitana. Os demais oficiais que chefiavam unidades importantes passaram para a reserva. Esse é o caso dos coronéis Wilton Brandão Parreira Filho, Edson Faroro, Antônio Chiari e do comandante de todos, o coronel Ubiratan Guimarães.

Fonte: Agência Estado

Revista Consultor Jurídico, 29 de novembro de 2000, 0h00

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