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Por que voto em Dora Cavalcanti

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Eu voto em Dora Cavalcanti nas eleições da OAB-SP na próxima quinta-feira (25/11) porque ela me representa como advogado e cidadão. Porque ela representa a verdadeira mudança estrutural e cultural na nossa seccional, mudança que todas as advogadas e todos os advogados anseiam há décadas. A sociedade brasileira mudou muito nesse período, mas nossa entidade de classe parou no tempo, omitiu-se e continua se omitindo, não responde mais às necessidades dos advogados, simplesmente porque vem sendo conduzida, com raros intervalos, por homens com muitos compromissos com seus projetos pessoais e grupais, em detrimento dos reais interesses da classe dos advogados.

Chegou a hora de dar um basta à mesmice e à mediocridade, ao personalismo e ao carreirismo na OAB-SP, chegou a hora de obstar tentativas de apresentar-se como nova opção apenas para acomodar interesses e apoios retrógrados inconfessáveis. Chegou a hora de a mulher se apresentar não como critério de preenchimento de cotas em cargos eletivos, mas como real opção de mudança e exercício do poder por sua competência. Chegou a hora da transparência, da impessoalidade, da moralidade, do servir à classe dos advogados e não se servir dela. Chegou a hora de todas as vozes serem ouvidas!

Eu voto em Dora Cavalcanti por seu caráter, por sua história, por sua competência, por sua coerência e por seu comprometimento com as propostas da Chapa 20, encabeçada por Dora ao lado de sua vice-presidente, Lázara Carvalho, mulher negra de admirável trajetória de vida. Duas mulheres, duas histórias de vida, duas mães, duas advogadas apaixonadas por essa profissão tão criticada, mas que muito nos orgulha, duas realidades de atuação distintas na advocacia, mas com um sonho e um projeto em comum: conduzir a OAB-SP para um novo tempo, um tempo de maior inclusão das mulheres nas decisões e nos rumos da nossa seccional, quiçá de todas as entidades dos advogados, afinal as mulheres já são maioria entre os inscritos na nossa aeccional sem que isso se reflita na distribuição do poder decisório.

Eu voto em Dora Cavalcanti porque ela não tem compromisso com o atraso, com o erro, com os conchavos políticos, com os grupos que já estiveram várias vezes à frente da nossa seccional e não tiveram vontade política e competência para implementar as mudanças necessárias, optando por gestões burocráticas e política de compadrio.

Eu voto em Dora porque ela não aceita a reeleição e quer trabalhar incansavelmente pelo e para o advogado paulista. Porque quer resgatar o papel institucional da Ordem dos Advogados, porque quer trazer de volta tantos advogados que deixaram de acreditar na entidade, que se sentem desestimulados até mesmo a votar. Nesse ponto, vale destacar que na última eleição da OAB-SP quase 50% dos inscritos deixaram de votar, o que demonstra o desprestígio e o desinteresse da nossa seccional entre os próprios advogados.

Eu voto em Dora Cavalcanti porque ela representa a esperança de mudança e lidera a Chapa 20, um grupo qualificado e comprometido de advogadas e advogados que certamente farão um grande trabalho na OAB-SP, a única chapa que tem condições de resgatar o papel institucional da entidade perante outros poderes, a única chapa que tem o olhar e a sensibilidade feminina para identificar e conduzir a nossa seccional para um caminho de inclusão das mulheres, dos negros, dos jovens advogados e do conjunto tão heterogêneo da nossa advocacia, composto por advogados que trabalham em grandes e pequenos escritórios, em empresas, mas que na grande maioria são profissionais que trabalham sozinhos, estão desamparados, sem recursos ou estrutura, sem qualquer apoio da OAB-SP e sem garantia de recebimento dos seus honorários, mesmo quando já executaram seus serviços jurídicos. Enfim, são profissionais valorosos e combativos, mas que estão abandonados à própria sorte por sua entidade de classe.

Eu voto em Dora Cavalcanti porque ela é corajosa e preparada para não aceitar o jogo de cartas marcadas e o continuísmo da política da OAB-SP, porque sua sensibilidade, energia e trabalho estarão a serviço exclusivamente da categoria dos advogados e de suas necessidades, do enfrentamento das inúmeras tentativas de violação das prerrogativas, do aviltamento dos honorários, da crescente exclusão dos advogados da participação em diversos foros e serviços.

Definitivamente, eu voto em Dora Cavalcanti porque ela é a mulher, advogada e candidata melhor preparada para conduzir nossa OAB-SP para novos tempos.




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 é advogado criminalista, ex-presidente da CAASP e da Comissão de Prerrogativas da OAB/SP e membro do Instituto dos Advogados e do Conselho Fiscal do Innocence Project Brasil.

Revista Consultor Jurídico, 23 de novembro de 2021, 9h13

Comentários de leitores

4 comentários

Poderia explicar, sr. Escudeiro/cartorário?

Joro (Advogado Autônomo)

Abstraídas as contemporâneas e recorrentes sandices, como poderia o Senhor, que se diz cartorário (e como tal incompatibilizado para o exercício da advocacia e impedido de regular inscrição na OAB), votar nas próximas eleições da Entidade dos advogados?
Como? (perguntar não ofende)

Ignore!

Eduardo. Adv. (Advogado Autônomo)

Certamente, além de um expediente disciplinar (e se houver OAB/SP forte a partir de 25/11, haverá de pedir a instauração de um PAD para apuração do motivo do dolo reiterado), ao que tudo indica talvez precise de ajuda verdadeira.
Demonstra, s.m.j, obsessão por afrontar e vilipendiar a advocacia de forma muito peculiar; ativa-se nas investidas em horário de expediente forense, sábados tarde da noite, manhãs ensolaradas de domingos e nos fins das madrugadas de feriados.
De toda a forma, é caso que exige averiguação.

Notável advogado joro

O ESCUDEIRO JURÍDICO (Cartorário)

Não voto, porque não sou advogado.
Agradeço as críticas de V.Sa., e do Doutor Eduardo, sempre pronto a requerer a instauração de processo administrativo.
O meu comentário é para orientar os advogados e advogadas que estão em dúvida sobre quem votar.
E, como terceiro, procuro auxiliar a OAB a atingir o fim para o qual foi criada.
Faço muitos comentários, porque o mundo do advogado é aquele do "ser e dever ser jurídico", que é muito restrito. Fora da norma jurídica não existe muita coisa. Então procuro com os meus comentários aperfeiçoar as instituições, criticá-las quando necessário, elogiá-las, também.
E aquele intelectual "orgânico" que falou Antônio Gramsci (um pensador italiano de primeira grandeza), não se encontra na advocacia brasileira.
O meu serviço é "fordista", que eu conheço de cor e salteado.
Então, consigo fazê-lo (as ênclises) quando tenho tempo (como agora), procuro contribuir ao saudável debate.

Porque não voto na doutora dora cavalcanti

O ESCUDEIRO JURÍDICO (Cartorário)

DOUTORA DORA CAVALCANTI - É corajosa e inteligente. Mas vem do "rescaldo" da Operação Lava Jato e é a primaz do "INNOCENTE PROJECT" no Brasil, no qual visa a soltar os "rebeldes primitivos", sempre prontos a "bailar" em todos os artigos do Código Penal.
O referido "PROJECT" é para sociedades com eficiência da policia e da Justiça, e não no Brasil, no qual "abundam" todo tipo de bandido".
O meu voto não vai para ela, mas para o candidato ALFREDO SCAFF.

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