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Ernesto na mira

Senado convoca Itamaraty para prestar contas sobre obtenção de vacinas

O Senado vai fazer nesta quarta-feira (24/3), às 16h, uma sessão remota com o ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, para a prestação de informações sobre a atuação dessa pasta na obtenção de vacinas contra a Covid-19. 

A reunião atende a um requerimento do senador Fabiano Contarato (Rede-ES). O parlamentar disse no Twitter que o ministro tem de explicar "o fiasco das relações com outros países para comprar vacina [contra a covid-19]".

Em seu requerimento, o senador afirma que a escassez de vacinas no país está relacionada a uma série de erros, omissões e atropelos do governo federal. 

"Não apenas o Ministério da Saúde tem responsabilidade direta pela crise sanitária que o Brasil vive. O Ministério das Relações Exteriores também tem desempenhado um papel aquém da sua história e das suas possibilidades, prejudicando o fornecimento de vacinas na quantidade que o país necessita. Neste momento em que a cooperação internacional é fundamental, o ministro Ernesto de Araújo queima pontes e joga contra os esforços que poderiam trazer mais vacinas para o Brasil mais rapidamente", argumenta.

Como exemplo, Contarato cita os problemas entre Brasil e China que, de acordo com ele, resultaram no atraso do envio do insumo farmacêutico ativo (IFA) das vacinas CoronaVac e Oxford/Astrazeneca.

Ele também critica a ida de uma delegação chefiada pelo ministro a Israel para tomar conhecimento sobre um spray nasal antiviral desenvolvido naquele país. O medicamento está em fase de testes e, por isso, segundo o senador, levaria meses ou até anos, para ser utilizado.

"O próprio criador do spray recomenda que a principal arma contra a covid-19 é a vacina. Assim, questiona-se qual foi o resultado da missão diplomática enviada a Israel", critica Contarato.

Já o ministro, também pelo Twitter, defendeu a postura do Executivo. "A verdade sobre as vacinas: o presidente Jair Bolsonaro e seu governo trabalham desde o início da pandemia pela saúde do povo brasileiro."

Condução incompetente
Segundo a CNN, essa reunião será um dos principais passos para que os parlamentares comecem a pressionar Jair Bolsonaro pela saída de Ernesto Araújo do comando da pasta. A avaliação é que a política externa brasileira tem agido de modo equivocado durante a pandemia.

Segundo o site, deputados e senadores têm tentado se aproximar de embaixadores para pedir ajuda na obtenção de vacinas, e ouvido relatos de ressentimentos com a postura do Ministério das Relações Exteriores nos últimos anos, em especial em relação à China e aos Estados Unidos.

Um dos episódios mais infames dessa animosidade foi quando o filho do presidente e deputado Eduardo Bolsonaro fez um post no Twitter afirmando que a culpa pela pandemia era da China. Em resposta, o embaixador da China no Brasil pediu retratação, marcando o perfil de Arnesto Araújo, e a embaixada da China afirmou que Eduardo tinha contraído "vírus mental".

Araújo tomou as dores do filho do presidente e transformou a declaração infeliz e de mau gosto de um deputado em um problema governamental, ao divulgar nota em que classificava a manifestação da embaixada chinesa como "inaceitável" e exigir retratação. Com informações da Agência Senado.




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Revista Consultor Jurídico, 24 de março de 2021, 9h30

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