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"Vírus mental"

Após tuíte de Eduardo Bolsonaro, Araújo diz esperar retratação de embaixador chinês

O ministro das Relações Exteriores Ernesto Araújo rebateu nesta quinta-feira (19/3) o embaixador da China no Brasil, Yang Wanming, além de cobrar do governo chinês uma retratação, após o diplomata ter contestado declaração do deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP).

Ernesto Araújo elevou o caso a questão de estado
José Cruz/Agência Brasil

O chanceler brasileiro afirmou ser "inaceitável que o embaixador da China endosse ou compartilhe postagem ofensiva ao chefe de Estado do Brasil e aos seus eleitores, como infelizmente ocorreu ontem à noite". A declaração foi feita via Twitter. Araújo também disse que o governo brasileiro  tem a "expectativa de uma retratação" da parte de Yang Wanming.

Entenda o caso
O primeiro capítulo do imbróglio foi uma postagem do deputado Eduardo Bolsonaro, também via Twitter, na noite desta quarta-feira (18/3). Ele afirmou que a culpa pela pandemia de Covid-19 é da China.

Em resposta, o embaixador da China no Brasil afirmou, por tuíte: "A parte chinesa repudia veementemente as suas palavras, e exige que as retire imediatamente e peça uma desculpa ao povo chinês. Vou protestar e manifestar a nossa indignação junto ao Itamaraty e a @camaradeputados. @BolsonaroSP @ernestofaraujo @RodrigoMaia". Os perfis de Rodrigo Maia, presidente da Câmara, e Ernesto Araújo, ministro das Relações Exteriores, foram marcados.

A própria embaixada da China também respondeu ao tuíte infeliz do deputado, dizendo que ele contraiu "vírus mental" ao voltar de Miami. "As suas palavras são extremamente irresponsáveis e nos soam familiares. Não deixam de ser uma imitação dos seus queridos amigos. Ao voltar de Miami, contraiu, infelizmente, vírus mental, que está infectando a amizades entre os nossos povos", publicou a embaixada.

Questão de estado
A manifestação do chanceler brasileiro eleva o assunto a questão de estado, pois, até então, a provocação à China havia sido feita apenas por uma parlamentar — embora seja filho do presidente da República, seu cargo é apenas de deputado federal, não representando a posição oficial do governo.

Além disso, a nota de Araújo faz menção a "postagem ofensiva ao Chefe de Estado do Brasil". Contudo, não se tem notícia de que o embaixador da China tenha se referido ao presidente Jair Bolsonaro.

Confira a íntegra da manifestação de Ernesto Araújo:

 

 

Revista Consultor Jurídico, 19 de março de 2020, 20h56

Comentários de leitores

5 comentários

Com razão o embaixador chines.

Júlio M Guimarães (Bacharel - Trabalhista)

O Clã Bolsonaro, principalmente os três filhos do presidente, não tem do que reclamar. Que tenham a compostura que se espera de nossos representantes.
Chega de mensagens em redes sociais.
Tem razão o Embaixador Chines, realmente todos parecem ter contraído vírus mental.

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Lamentável situação

Marcos Alves Pintar (Advogado Autônomo - Previdenciária)

A depender do clã Bolsonaro, bem como de seus admiradores, toda a atividade humana estaria restrita a agressões e represálias, atividades que como sabemos anima e empolga as mentes mais infantis, mas produz apenas consumo inútil de tempo, desunião e prejuízos em todas as esferas. Bolsonaro e os seus, incluindo o citado Eduardo Bolsonaro seriam um problema se fossem crianças de oito anos de idade, mas sem maiores prejuízos ao País e à coletividade. No entanto, eles estão no Poder...

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Brasil acéfalo de representação

JCCM (Delegado de Polícia Estadual)

Simples e curto: pede pra sair.

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