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Diplomacia terraplanista

Chanceler afirma que as relações com a China são "incompreendidas"

O chanceler Ernesto Araújo foi duramente criticado em reunião no Senado nesta quarta-feira (24/3) ao participar da sessão de debates temáticos da casa. Foi sabatinado por alguns parlamentares sobre a atuação do Itamaraty na compra de vacinas para o enfrentamento da Covid-19.

Ernesto Araújo se mostra errático e inseguro ao ser questionado por senadores sobre o papel do Itamaraty na compra de vacinas
José Cruz/Agência Brasil

A senadora Katia Abreu (PP-TO) demonstrou a gravidade da epidemia de Covid-19 no país e afirmou que "felizmente ou infelizmente precisamos da nossa democracia". A senadora perguntou diretamente se Araújo acredita que tem condições de continuar à frente do Itamaraty.

"Que condições diplomáticas o Itamaraty tem hoje para se desculpar por tantos percalços e ofensas contra pessoas de quem dependemos para ter vacinas?", questionou a senadora sobre as relações com a China, nosso maior parceiro comercial.

A senadora Daniela Ribeiro (PP-PB) questionou o ministro das Relações Exteriores de Bolsonaro sobre documentos assinados em recente visita diplomática a Israel. Ela mencionou o Telegrama 142 da embaixada brasileira em Telaviv ao Itamaraty. O documento obriga brasileiros a serem testados com spray sem autorização da Anvisa. "Enquanto o Brasil precisa de vacinas, o ministro vai a Israel em busca de um spray que não é testado, nem comprovado", pontuou.

Em breve manifestação, o senador Jorge Kajuru (Cidadania-GO) pediu a demissão do ministro. Ao responder as perguntas, Araújo criticou a retórica dos senadores e afirmou que as relações com a China são "incompreendidas".

Kátia Abreu, por exemplo, cobrou esforço do Itamaraty para estreitar as relações diplomáticas com a potência asiática e lembrou que somente cinco embaixadores no mundo possuem status de ministros e que o do Brasil [Yang Wanming] é um deles. Araújo, contudo, criticou o diplomata chinês.

Em sua intervenção, o senador Randolfe Rodrigues pediu que o assessor de Araújo, Filipe Martins, fosse retirado das dependências do Senado, por ter feito gestos obscenos durante fala do presidente da casa, Rodrigo Pacheco, que pediu à polícia do Senado que verificasse o ocorrido.

A senadora Zenaide Maia lembrou que o Brasil foi o único país do bloco Brics a votar contra a proposta da Índia e da África do Sul para a quebra das patentes de vacinas, defendida pela OMS.

E o senador Paulo Paim disse que a posição do Brasil de ser contra a licença compulsória de vacinas é ser contra a cooperação internacional na luta contra a Covid-19 — os países que são capazes de produzir o insumo são Índia, África do Sul e Brasil. E perguntou qual será a posição do Brasil na reunião da OMC em abril.

Araújo fugiu dos questionamentos dos senadores. Preferiu tentar dialogar diretamente com o eleitorado fiel a Bolsonaro. Além de criticar o embaixador chinês, também falou mal da política do Itamaraty conduzida pelo ministro Celso Amorim e outros chanceleres. Para o atual ministro das Relações Exteriores, Amorim é uma página negra da diplomacia brasileira.




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Revista Consultor Jurídico, 24 de março de 2021, 18h49

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