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Projeto Avarc e Prefeitura de São Paulo inauguram memorial

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A tarefa de inaugurar um memorial para as vítimas da Covid-19 no ápice de sua evolução no Brasil é um grande desafio. Não menos relevante realizá-la no aniversário de São Paulo, patrono de nossa cidade, data em que normalmente grandes celebrações eram realizadas por toda a cidade.

Nessa data não temos o que comemorar. Estamos aqui para honrar a memória daqueles que partiram, orar pelos enfermos e semear seus ensinamentos em terreno fértil que permita como o ipê branco que ora simbolizamos se fortaleça na adversidade, propiciando a resiliência transformativa de todas as mulheres e homens antropocenos. Esperamos que a vida daqueles que se foram semeiem ensinamentos, tais como a essencialidade da preservação do meio ambiente, a conscientização da responsabilidade de todos na construção de uma verdadeira sociedade do bem estar social, a eliminação de desigualdades sociais e políticas entre mulheres e homens, a violência contra mulheres, idosos, crianças e população vulnerável, entre tantas mazelas da nossa era.

Sabemos que se trata de fenômeno mundial e que estudos estão sendo realizados em todo o mundo. Lançamos nesse momento as primeiras sementes para que de forma participativa e igualitária possamos construir juntos o legado dessa pandemia. A história das pandemias nos ensina que uso de máscaras, isolamento e hábitos higiênicos não são legados recentes. O memorial aspira a que no século 22 a memória do trauma coletivo, histórico e cultural experimentado hoje não seja esquecido pelas gerações futuras. Busca-se que os ensinamentos latentes por todas as partes do Brasil e do mundo encontrem condições adequadas para germinarem, honrando-se água, ar, clima, solo, luz e temperatura que a alimentam. As sementes hoje dormentes envolvidas nessa cápsula depositam as nossas mais genuínas esperanças, fé e expectativas, as quais lega-se as gerações futuras espaço fértil para germinação e formação de novas plântulas e, por fim, se convertam em grandes árvores.            

A crise há de se dissipar e muito teremos que refletir sobre o que passamos. A proposta de fazê-lo em um espaço de luto compartilhado tem por escopo permitir a percepção da dor social que nos une em laços indissolúveis.

O caminho é longo precisamos desenvolver estratégias de ruptura do ciclo de vitimização da população ante incertezas, pobreza, desemprego e violência exponencial. Estado e sociedade devem criar laços convergentes que permitam o crescimento futuro com liberdade e justiça social. Não se trata de utopia. A experiência dos projetos Avarc e Higia Mente Saudável demonstram que esse sonho é possível. O acolhimento emocional, jurídico, social e espiritual realizado com base nessa estratégia permitiu que 230 mil vidas fossem impactadas de forma única, a propositura do projeto de lei de estatuto das vítimas e a realização dessa homenagem às vítimas da Covid-19.

Difícil atribuir o mérito dessa tarefa a uma única ou poucas pessoas, ficando desde já os meus agradecimentos a todas e todos. O acolhimento emocional e jurídico foi desenvolvido em parceria com as professoras do Centro Universitário das Américas Lays Dolivet, Jônia Lacerda e Shirlei Lizak Zolfan e os promotores de Justiça Jaime Meira Nascimento, Silvio Antônio Marques e Lucia Nunes Bromerchenkel. O acolhimento espiritual foi inicialmente desenvolvido em parceria com o padre Antonio Bogaz. O acolhimento social foi idealizado juntamente com Thadeus Kassabian, Vera Simões e a advogada Launa da Silva Santos. Centenas de máscaras foram doadas por Perize Chufan e Vanuzia Lopes. A busca pelo significado de tudo o que estamos vivendo era latente por todos, promotores de Justiça integrantes dos projetos Avarc e Higia Mente Saudável, voluntários e acolhidos.

O conceito do desenvolvimento de um portal virtual e material de construção coletiva em união com os elementos da natureza, tendo como símbolos o ipê branco, o mundo e o tempo como elemento facilitador da cicatrização de feridas, foi desenvolvido juntamente com a oficial de cartório Fátima Cristina Ranaldo Caldeira. A proposta apresentada à Prefeitura do município de São Paulo contou com as habilidades do produtor Fernando Chamelet. A união dessa política social com a política do estadista Bruno Covas foi essencial, possibilitando o plantio de uma muda de árvore para cada vida ceifada pela Covid-19.

A conexão da cápsula do tempo integrada na mesma escultura do ipê foi desenvolvida em reunião realizada com professores da Faculdade Impacta, tendo sido deliberada a impressão dos QR codes das homenagens como memória da pandemia para as gerações futuras.

Com base no projeto conceitual e artístico desenvolvido nas etapas precedentes, Pedro Caribé nos apresentou proposta em material resistente a intempéries em design que resultou no ícone físico do projeto aprovado, sendo também lhe incumbida a tarefa de entrega das sementes com QR Codes para depósito definitivo na cápsula do tempo. As primeiras mil homenagens e os depoimentos prestados por profissionais, amigos ou familiares serão depositadas na cápsula do tempo e lacradas para as gerações futuras (veja aqui).

O memorial ainda conta com o apoio do procurador-Geral de Justiça Mario Luiz Sarrubbo, a vice-corregedora Geral Liliana Mortari e autoridades presentes e voluntários que virtualmente assistem a essa cerimônia, a quem dispensamos a nossa mais profunda gratidão.

O memorial também conta com carta e mensagem do prefeito Bruno Covas e dessa subscritora gestora dos projetos para as gerações futuras. Convidamos a todos a participarem dessa construção coletiva.




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 é promotora de Justiça, gestora e idealizadora do Projeto de Acolhimento de Vítimas, Análise e Resolução de Conflitos e do Memorial Avarc, Higia Mente Saudável e associada do Movimento do Ministério Público Democrático.

Revista Consultor Jurídico, 25 de janeiro de 2021, 8h01

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