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Deltan recebeu orientação de dentro do CNMP sobre processo do PowerPoint

Além de relações duvidosas com juízes, o procurador Deltan Dallagnol também tinha um aliado no Conselho Nacional do Ministério Público. É o que indicam os novos diálogos enviados pela defesa do ex-presidente Lula ao Supremo Tribunal Federal. 

Dallagnol tinha proximidade com membro do CNMP
Fernando Frazão/Agência Brasil

Em 26 de setembro de 2016, 11 dias depois de Lula entrar com um pedido de providências no CNMP contra Dallagnol pela conhecida coletiva do PowerPoint, o então chefe da "lava jato" em Curitiba buscou ajuda de uma pessoa identificada apenas como "Silvio". Ao que indica a conversa, Silvio estava para assumir um cargo no CNMP. 

"Grande Silvio, o pedido de providências de Lula cita bastante a recomendação n 39, de agosto de 2016. Contudo, ela não está disponível na página do cnmp, em pesquisa, mesmo quando pesquiso simplesmente as recomendações (ela não aprece na lista). Como posso checar se ela foi mesmo publicada e seu teor? Vc pode dar uma mão please?", disse Dallagnol. A ConJur manteve abreviações e eventuais erros de digitação e ortografia presentes nas mensagens. 

"Xá comigo, amanha está o texto em suas mãos. A questão é que essa recomendação recebeu embargos de declaração pela ANPR [Associação Nacional de Procuradores da República] e, provavelmente, o julgamento prosseguirá amanhã. É por isso que não publicamos", respondeu Silvio. 

Em 30 de setembro, Silvio conta para Dallagnol a repercussão do PowerPoint dentro do CNMP. "Outra coisa: a repercussão junto aos Conselheiros foi muito boa! Foi aquilo que lhe disse: apoiam o trabalho mas não vão deixar de comentar a questão da entrevista."

Dallagnol responde: "Hummmm obrigado Silvio. Se o tom for de crítica ou censura será ruim para a LJ ['lava jato']". 

Lula
Em 16 de março de 2017, uma nova conversa. Na ocasião, o pedido de providências aberto contra Dallagnol ainda não havia sido julgado. O caso só foi apreciado pelo CNMP em agosto de 2020, quando o Conselho decidiu não abrir processo administrativo disciplinar por considerar que prescreveram quaisquer possíveis penas contra o procurador.  O julgamento foi adiado 42 vezes. 

"Meu irmão, minha total e irrestrita solidariedade a você. Eu sou combatente seu e vou ajudar-lhe no que estiver ao meu alcance! Fé em Deus!", disse Silvio a Dallagnol.

O procurador diz: "Valeu irmanito! Vc se refere à ação do Lula?". "Sim, mano", responde o conselheiro. 

Rcl 43.007




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Revista Consultor Jurídico, 22 de fevereiro de 2021, 17h57

Comentários de leitores

12 comentários

Comentário 2

Afonso de Souza (Outros)

Segue a tentativa de desmoralizar a Lava Jato para liberar os corruptos (um em especial, sabemos). E isso tudo com base em supostos diálogos roubados e não periciados. Mas fogem do conjunto probatório como o diabo da cruz. O mesmo conjunto probatório que foi examinado pelos juízes das instâncias superiores que confirmaram, por unanimidade, as condenações de Moro.

A Lava Jato já recuperou bilhões de reais aos cofres públicos. Viva a Lava Jato!

Supostos Diálogos

JCCM (Outros)

Aos quais o seu mito e alguns procuradores já pediram desculpas...

Ah, tá!

Olho vivo

Adão Tomé (Outros)

Viva a injustiça, viva a tramóia, viva a incoerência, justiça tem de ser justiça, aquela que Deus concedeu, quando elegeu o juíz para o povo que buscava justiça.

Ao JCCM (Outros)

Afonso de Souza (Outros)

Não tenho mito, rapaz. Quem deve ter mito é você. E seu mito foi condenado, também nas instâncias superiores, com base em provas abundantes.

Conivência

olhovivo (Outros)

Quanto o órgão de controle deixa de punir quando pode (como no caso adiado mais de 40 vezes e acabou prescrevendo), além de se tornar conivente com as subsequentes infrações, dá péssimo recado aos demais virtuais infratores, acarretando o círculo vicioso da impunidade.

Observação

Afonso de Souza (Outros)

A Lava Jato, isso sim, acabou com o "círculo vicioso da impunidade", e por isso querem desqualificá-la.

Observação

JCCM (Outros)

A Lava Jato acabou desqualificada, isso sim, pelo péssimo trabalho que realizou, ao arrepio da lei.

Ao JCCM (Outros)

Afonso de Souza (Outros)

O "péssimo trabalho da Lava Jato" já recuperou aos cofres públicos bilhões de reais e, pela primeira vez na história deste país, conseguiu botar em cana os corruptos que os desviaram. Incluindo o seu mito.

Gavetão

Bruno Castellar (Advogado Autônomo - Administrativa)

Com o CNMP está tudo em casa!

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