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Subversão do Estado

"Lava jato" é o maior escândalo judicial da história brasileira, diz analista

A "lava jato" se vendia como a maior operação anticorrupção do mundo, mas se transformou no maior escândalo judicial da história brasileira. É o que afirma Gaspard Estrada, diretor-executivo do Observatório Político da América Latina e do Caribe (Opalc) da universidade Sciences Po de Paris, em artigo publicado nesta terça-feira (9/2) no jornal norte-americano The New York Times.

Sergio Moro construiu acusação contra Lula, diz cientista político francês
Pablo Valadares/Câmara dos Deputados

Ao comentar o fim da força-tarefa no Paraná, Estrada aponta que os procuradores defendem a operação com uma série de números: 1.450 buscas e apreensões, 179 ações penais, 174 condenados, incluindo políticos e empresários, incluindo o ex-presidente Lula. "Porém, para conseguir esses resultados, os procuradores violaram o devido processo legal, sem reduzir a corrupção", diz.

Se antes já havia dúvidas sobre a sua parcialidade na condução dos processos contra Lula, cita Estrada, com a divulgação de mensagens de Telegram se verifica que o ex-juiz Sergio Moro orientou a construção da acusação contra o ex-presidente, "violando o princípio jurídico de não ser juiz e parte ao mesmo tempo".

Quando foi relevado que o escritório Teixeira Zanin Martins Advogados, responsável pela defesa do petista, foi grampeado pela "lava jato", os procuradores alegaram que se tratou de um erro. Entretanto, ressalta o diretor do Opalc, hoje é possível confirmar que os membros do Ministério Público Federal eram constantemente informados por agentes da Polícia Federal sobre as ligações, com o objetivo de traçar estratégias e obter a condenação de Lula.

Para Estrada, as consequências da atuação ilegal da "lava jato" estão claras: 'O Estado de Direito está cada vez mais em perigo, com a aprovação de grande parte do establishment político e econômico que ontem apoiou cegamente a operação ‘lava jato’ e hoje apoia a chegada de um político acusado de corrupção [Arthur Lira] à presidência da Câmara dos Deputados, ao mesmo tempo em que o presidente [Jair Bolsonaro] desmantela grande parte das instituições de combate à corrupção e ao crime."




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Revista Consultor Jurídico, 9 de fevereiro de 2021, 14h35

Comentários de leitores

13 comentários

Lava Jato

Everaldo Barbosa (Outros)

A lava jato do juízeco e seus aceclas, é o maior escandalo da historia do judiciário mundial, isso, sim

Absurdo

ALSantis (Administrador)

Leiam o artigo do New York Times antes de preferirem opiniões grotescas. A Lavajato não recuperou 'bilhões' como foi escrito aqui. A operação recuperou o instinto de uma farsa judicial sem precedentes. E os seus co-integrantes ainda queriam se apropriar de $ bilhões da Petrobras para um fundo privado criado por eles mesmos. Não se trata de 'garantismo' condenar atos espúrios de juiz e procuradores, e sim de levantar a simples questão de que um juiz não pode figurar num processo como acusador e julgador. É melancólico ver advogados, que deveriam conhecer do assunto, defender tamanha manipulação. País realmente está num caos obscurantista sem fim.

Acabou a esperança de dias melhores

Luiz Aparecido (Outros)

Infelizmente por aqui os garantistas estão sempre procurando as firulas e embargos eternos para garantir o direito dos bandidos , agora os milhões que morrem sem hospitais sem assistência por serem roubados por esses marginais , ninguém está preocupado em garantir o direito a eles , e assim continuamos a inverter as leis.

Garantistas?

Sidnei Santos (Advogado Autônomo)

Como bom comentarista, só espero que você jamais, em tempo algum, nunca, seja julgado pela métrica da "turma de Curitiba", pois a única certeza que se depreende é que jamais aplicaram o Direito nessa farsa denominada Lava Jato.

Garantistas?

Ricardo Grigoli (Administrador)

Não se trata então da letra da lei, apenas serviria para os aliados de sempre. Aqueles que não podem ser milindrados. Esses podem entregar patrimõnio público à vontade, comprar parlamentares e aumentar deficite que não causa repúdio nessa classe média, os milhões de famintos que suas ações trouxeram como consequência?

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