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Força estranha

Delegado da PF extrapolou laudo técnico ao contestar diálogos, avaliam peritos

Peritos da Polícia Federal consideraram que a interpretação do delegado Felipe de Alcântara de Barros Leal, ex-chefe do setor de inquéritos que deveria apurar se membros do Ministério Público Federal no Paraná investigaram ilegalmente ministros do Superior Tribunal de Justiça, teria "extrapolado" o laudo pericial, ao informar que as mensagens interceptadas pelo hacker Walter Delgatti Neto não eram autênticas.

No início da semana, Leal afirmou, em ofício enviado ao Supremo Tribunal Federal, que não seria possível presumir a veracidade das mensagens apreendidas pela PF. Após o documento vir à tona nesta quarta-feira (14/4), o diretor-geral da PF, Paulo Maiurino, sacou Leal do comando do serviço de inquéritos. No último ano, o Serviço de Perícias em Informática do Instituto Nacional de Criminalística da instituição havia atestado a integridade do material.

Segundo o jornal O Globo, o ofício gerou mal-estar dentro da perícia da PF. A avaliação é de que Leal tomou os diálogos como falsos apesar de o laudo pericial jamais sustentar essa tese.

Os peritos dizem acreditar que existiam técnicas possíveis para verificar, por exemplo, a autenticidade de arquivos de áudios, vídeos e documentos que integravam os diálogos. Também entendem que o delegado poderia ter pedido análises complementares sobre algum ponto específico para permitiria aprofundar a verificação da autenticidade de certos arquivos, ou buscar a fonte original dos arquivos.

Em nota enviada nesta quarta-feira (14/4) à ConJur, a Associação Nacional dos Peritos Criminais Federais ressaltou que o documento informava não ter sido possível atestar a integridade ou a autenticidade, o que "não se confunde com a determinação de inautenticidade, no todo ou em parte, dos dados".




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Revista Consultor Jurídico, 15 de abril de 2021, 21h06

Comentários de leitores

2 comentários

Super hacker

capixa (Administrador)

Como ainda não nasceu um indivíduo ou grupo capaz de manipular, em tão pouco tempo, sem ajuda de um supercomputador, um gigantesco volume de informações como é o caso da operação spoofing, pela lógica, resta apenas uma opção, as informações são legítimas.

Sucessão de trapalhadas

Bruno Castellar (Advogado Autônomo - Administrativa)

Quando leio essas notícias, imagino no fundo o som da vinheta do programa "os trapalhões ".
Um único hacker mostrou para o mundo inteiro como é ridículo o nível de investigação do Ministério Público.
O membros do MP literalmente "brincam" de investigar. Só sabem abusar de seus poderes forçando delação através de prisões preventivas "ad aeternum", claro com o auxílio de magistrados. Um verdadeiro jogo de cartas marcadas, num bate-bola entre acusação e Juiz, onde a defesa só está ali para dar legitimidade jurídica.
Isso é uma investigação do Ministério Público!
Não vejo a hora de acabarem com esse entendimento no STF que Ministério Público pode investigar. Não está escrito em lugar nenhum da Constituição Federal isso. É mais um lobby midiático dos paladinos do MP "contra a impunidade".

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