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Crime em Porto Alegre

Delegada diz que morte no Carrefour não foi racismo

A delegada responsável pela investigação do homicídio de João Alberto Silveira Freitas, um homem negro de 40 anos que foi espancado até a morte por seguranças de um Carrefour em Porto Alegre na noite da última quinta-feira (19/11), disse à Folha de S.Paulo que não se trata de racismo.

Delegada Roberta Bertoldo
Reprodução/TV Record

Roberta Bertoldo, da 2ª Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa de Porto Alegre, porém, não explicou por que o caso não se enquadraria como racismo. O inquérito apura a motivação das agressões.

A chefe da Polícia Civil, Nadine Anflor, afirmou que é impossível negar que o racismo estrutural existe, mas que é precoce nesse momento elucidar o caso e que a motivação está sendo investigada.

Segundo ela, a autuação em flagrante se dá pelas condutas imediatamente identificadas. "Neste momento, o que temos é um homicídio, em princípio com três qualificadoras: motivo fútil, impossibilidade de recurso de defesa da vítima e a causa da morte por asfixia. É o que foi possível identificar pelos vídeos e informações colhidas até o momento. Agora, se na sequência da investigação, reunirmos elementos que comprovem que a motivação do crime está relacionada a uma questão de discriminação racial, pelo fato de a vítima ser um homem negro, na conclusão do inquérito a qualificadora de motivo fútil será alterada para motivo torpe. É a forma legal prevista na Legislação para responsabilização desse tipo de conduta", disse à Folha.




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Revista Consultor Jurídico, 20 de novembro de 2020, 19h52

Comentários de leitores

11 comentários

Tipificação oficial

Dr. Arno Jerke (Advogado Autônomo - Civil)

Finalmente uma autoridade vem descrever de forma técnica e oficial os possíveis crimes decorrentes do evento morte do Beto.
Desde o princípio desconfiei da exagerada tipificação de crime de racismo no caso.
É triste a irresponsabilidade da maioria da imprensa.

Corretíssimo

Carllos Reiss (Outros)

Sua colocação está certíssima Doutor.

Tipificação oficial

Dr. Arno Jerke (Advogado Autônomo - Civil)

Finalmente uma autoridade vem descrever de forma técnica e oficial os possíveis crimes decorrentes do evento morte do Beto.
Desde o princípio desconfiei da exagerada tipificação de crime de racismo no caso.
É triste a irresponsabilidade da maioria da imprensa.

Parabéns Polícia Civil do RS

Jorge Haddad - Advogado tributarista (Advogado Sócio de Escritório - Tributária)

Parabéns Polícia Civil do RS, que vai muito bem em não se apressar a concluir que o racismo tenha sido a motivação do homicídio qualificado no Carrefour.
Pelas imagens, com a vítima desferindo um soco no segurança, dá a impressão de que os ânimos começaram a se exaltar nesse momento e a reação do segurança não teve o uso contido da força, uma regra na segurança.
Mas o histórico de desrespeito do Carrefour aos direitos em geral é o pior possível. Várias agressões a clientes e a morte da cadela Manchinha por um segurança, em novembro de 2018, a título de fazer uma "limpeza da área" para receberem uma visita de inspeção de funcionários da matriz.
O Carrefour tem responsabilidade objetiva pelos atos de seus prepostos e é devedor de dano moral coletivo por seus atos a todos os brasileiros.

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