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Quem investiga quem

Corregedoria manda consórcio de Curitiba compartilhar cópia de banco de dados

A corregedora-geral do Ministério Público Federal, Elizeta de Paiva Ramos, ordenou que os procuradores da autodenominada força-tarefa da "lava jato" de Curitiba compartilhem uma cópia de todos os seus bancos de dados sigilosos. O pedido é para averiguar se existem supostas irregularidades no material.

Consórcio da "lava jato" é obrigado a compartilhar cópia de banco de dados com Corregedoria do Ministério Público Federal
Divulgação 

A informação foi veiculada por Aguirre Talento, do jornal O Globo, e confirmada pela ConJur. Em nota, o órgão disciplinar do MPF apenas afirmou que não se pronuncia sobre procedimentos sigilosos. "A solicitação para o envio de cópia dos bancos de dados da força-tarefa foi tomada no regular exercício de atividades correicionais do órgão e não possui nenhuma relação com medida judicial analisada pelo Supremo Tribunal Federal. Todo o material recebido ficará sob guarda da Secretaria de Perícia, Pesquisa e Análise (Sppea) do MPF, que tem atribuição para ações dessa natureza", diz.

A resistência do consórcio de Curitiba em compartilhar dados com a PGR provocou recentemente uma verdadeira crise institucional. Para omitir informações sobre seus métodos de trabalho, os procuradores afirmaram que a subprocuradora-geral da República Lindôra Maria Araújo — responsável pelo acompanhamento de processos da "lava jato" em Brasília — quis ter acesso a procedimentos e bases de dados da operação "sem prestar informações" sobre a existência de um processo formal para isso ou o sobre o objetivo da medida.

Em extensa cobertura, a ConJur apurou que a PGR já sabe que os procuradores de Curitiba abriram mais de mil inquéritos nos últimos cinco anos que não foram encerrados. Além de equipamento de interceptação telefônica, a "força-tarefa" adquiriu três Guardiões, mas dois deles sumiram. Grande parte do acervo de gravações foi apagado no ano passado. Há fortes indícios de distribuição de processos fraudada e outras ilegalidades.

A crise gerada acabou no STF. O ministro Luiz Edson Fachin revogou o acesso do PGR, Augusto Aras, aos bancos de dados.  A "O Globo", a corregedora Elizeta de Paiva Ramos explicou que a decisão do STF não interfere nas atribuições da corregedoria.




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Revista Consultor Jurídico, 18 de novembro de 2020, 20h00

Comentários de leitores

4 comentários

Inversão de valores

Skeptical Eyes (Engenheiro)

Ao que sabemos as corregedorias agem sob forte suspeita denunciada por prejudicado.
O fato de "sumirem", se é que o fato existe, com propriedade pública deveria ser envolvida a PF mas para passar inquéritos em revista, a meu ver, deveria haver a manifestação da parte prejudicada dentro do devido processo legal.
A equipe da Lava Jato recuperou bilhões para o erário público e provocou diversas punições e são tratados como suspeitos de irregularidades que não são pontualmente explicitadas.
Acho isso tudo muito injusto pois deveriam ser chamados sim para ensinar aos demais a receita da eficiência.
Tal "inspeção" tornada pública enfraquece a pálida chama de esperança de vermos um país melhor pois por trás desses inquéritos pode estar o âmago da questão.

Aha, uhu

olhovivo (Outros)

Agora é torcer para que o "aha, uhu, o Fachin é nosso" não interfira na legítima atividade correcional para apurar o suposto sumiço dos guardiões (e outras cositas más), mesmo porque não teria competência para tanto.

Comentário

Afonso de Souza (Outros)

E por falar em "torcida", acho que a sua é para o Lewandowski, o amigo do amigo do amigo.

Olho vivo, porém míope!

Skeptical Eyes (Engenheiro)

Prezado, seria ainda que remotamente plausível a hipótese de suspeição do referido Ministro se entre os diversos implicados em ações penais não houvessem condenados do partido da presidenta que o indicou, prova inequívoca da ilibada conduta dele.
A generalização de malidicência enfraquece a boa justiça e trabalha pelo sucesso do mal que pretendem os bons cidadãos verem debelado.

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