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O sistema político brasileiro potencializa o mal, diz Barroso

Facilitar a governabilidade, aumentar a representatividade para que o eleitor e o político eleito se identifiquem melhor e baratear os custos das eleições. São esses os ideais do ministro Luís Roberto Barroso, do Supremo Tribunal Federal, que assume em maio a Presidência do Tribunal Superior Eleitoral.

Em entrevista exclusiva à TV ConJur, no último dia 10, o ministro propõe uma reforma do sistema eleitoral que seja capaz de reduzir o descolamento entre a classe política e a sociedade.

"Acho que temos um sistema eleitoral muito ruim, que extrai o pior das pessoas. Todos têm em si o bem e o mal. É da condição humana. O processo civilizatório existe para que as pessoas reprimam o mal e potencializem o bem. Acho que o sistema político brasileiro em muitos momentos faz exatamente o contrário: ele reprime o bem e potencializa o mal. É um sistema muito caro, de baixa representatividade e que dificulta a governabilidade", diz.

O ministro explicou quais propostas poderiam elevar o nível do debate político brasileiro, e diz esperar que o Congresso se empenhe nessa reforma. "Tabulamos tudo de bom que já tinha sido aprovado no Senado e adaptamos com algumas modificações, e apresentamos uma proposta ao presidente da Câmara, Rodrigo Maia [DEM-RJ], que disse que ia se empenhar pela tramitação do projeto."

Desde o último dia 18 a TV ConJur veicula em seu canal no YouTube trechos da entrevista exclusiva concedida à revista eletrônica Consultor Jurídico, no último dia 10.

Leia aqui e aqui as entrevistas já publicadas e veja abaixo o quarto vídeo da série:

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Revista Consultor Jurídico, 28 de março de 2020, 8h40

Comentários de leitores

5 comentários

O brutal desafio que o min. Barroso irá enfrentar

DAGOBERTO LOUREIRO - ADVOGADO E PROFESSOR (Advogado Autônomo)

A democracia no Brasil é uma farsa. É uma engenharia que vem de longe, desde a construção de Brasília, que levou o Poder Federal para o meio do mato, apartando-se do povo, que ficava nos calcanhares dos políticos, vigiando-os de perto e de forma constante. O Rio ficou às moscas e os políticos, no paraíso, vendo o povão de binóculos.
E as crises foram sendo montadas, com um objetivo precípuo: o golpe. Juscelino mal se aguentou na presidência e Jânio acabou renunciando, após uma bebedeira. Os milicos impediram a posse de João Goulart, que estava na China negociando diretamente com Mao Tsé Tung, o que era mal visto pelos americanos, que intermediavam os negócios do Brasil com os asiáticos. Sabiam? O Brasil não podia negociar diretamente com a China: as vendas e compras eram tuteladas pelos ianques.
Para que Jango pudesse assumir, mudaram o regime político do País que passou para o parlamentarismo, ficando o banqueiro Tancredo Neves como primeiro-ministro. Após plebiscito, a duras penas, restabeleceu-se o regime presidencial, mas, logo depois, a CIA deu o golpe de 64, com o apoio das nossas Forças Armadas.
Vieram os vinte e um anos de chumbo grosso, durante o qual os milicos deitaram e rolaram, a pretexto de combater o comunismo, cujo perigo era (e é) inexistente, mas, mesmo antes de Marx nascer, o Exército Brasileiro usava essa bandeira. Nesse período infame, muitos patriotas foram assassinados, torturados, mulheres estupradas, o País saqueado e os cidadãos, durante muito tempo, ficaram sem eleger seus governantes. A esquerda foi duramente reprimida e quase desapareceu; os jornais e revistas independentes foram fechados.
Hoje, não há esquerda, nem oposição e as eleições são monitoradas pelas urnas eletrônicas, que não oferecem segurança nenhuma.

Subindo o nível

Tarcisio A. Dantas (Advogado Autônomo - Tributária)

Esperamos que, na pessoa do Min. Barroso, o nível do Supremo possa fazer jus ao nome.
Cada vez mais o Judiciário cai no descrédito da sociedade e isso tem de ser revertido.

Excelente!!

Resec (Advogado Autônomo)

Será que agora vai ? Com um presidente do TSE que enxerga os problemas e quer fazer história mudando e aperfeiçoando o sistema ? Vamos torcer para isso.

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