Consultor Jurídico

Fundamentação trabalhista

Em decisão, juiz diz que país vive "merdocracia liberal neofacista"

Por 

Juiz definiu realidade brasileira como "merdocracia" ao condenar empregador
123RF

O ser humano Weintraub no cargo de Ministro da Educação escreve "imprecionante". O ser humano Moro no cargo de Ministro da Justiça foi chamado de "juizeco fascista" e abominável pela neta do coronel Alexandrino. O ser humano Guedes no cargo de Ministro da Economia ameaça com AI-5 (perseguição, desaparecimentos, torturas, assassinatos) e disse que "gostaria de vender tudo". O ser humano Damares no cargo de Ministro da Família defende "abstinência sexual como política pública". O ser humano Bolsonaro no cargo de presidente da República é acusado de "incitação ao genocídio indígena" no Tribunal Penal Internacional.”

Assim começa a fundamentação de decisão do juiz do trabalho substituto Jerônimo Azambuja Franco Neto, da 18ª Vara do Trabalho do TRT da 2ª Região, que julgou procedente a ação do Sindicato dos Empregados no Comércio Hoteleiro e Similares de São Paulo e condenou um restaurante à observância de cláusulas normativas referentes ao piso salarial normal, ao seguro de vida e acidentes em grupo com cobertura mais elevada, à obrigatoriedade da homologação das rescisões contratuais junto ao sindicato-autor, à concessão e manutenção de assistência funerária. O juiz também condenou a parte reclamada a pagar indenização por danos morais coletivos e honorários advocatícios.

Ao analisar o caso, o magistrado define a realidade brasileira como “merdocracia”. “O sufixo "cracia" significa poder e domínio. Já o substantivo "merda" pode significar excrementos orgânicos, alguém pejorativamente ou interjeição de sorte no meio cultural (a ser vítima de diversas censuras, como no caso do filme Marighella, censurado no Brasil, ou na censura judicial ao Especial de Natal do Porta dos Fundos). A acepção aqui privilegiada é aquela quando referida a uma merda feita, uma cagada, ou seja, fez algo errado. Em suma, merdocracia vem a sintetizar o poder que se atribui aos seres humanos que fazem merdas e/ou perpetuam as merdas feitas. E tudo isso em nome de uma pauta que se convencionou chamar neoliberal, ou seja, libertinar a economia para que as merdas sejam feitas. Mas há a merda fundamental por trás dessa pauta. A existência do Estado nos marcos da Declaração Universal dos Direitos Humanos (1948) e da Constituição do Brasil (1988) é voltada à promoção da igualdade e dos direitos humanos fundamentais, elementos de inteligência odiados pela ignorância merdocrata”, argumenta.

O texto da sentença também afirma que as pessoas são “bombardeadas pelas merdas (como no caso das fake news) de modo a se construir uma identidade fascista. Cada um se torna seu próprio algoz e/ou algoz dos demais movido pelo ódio ao indesejado”.

Ele também critica o procurador da República Deltan Dallagnol que, segundo ele, “imbuído da lucratividade com suas palestras e holofotes (como revela The Intercept Brasil), propagou fazer jejum para o aprisionamento de Lula em um sistema penal, como já dito, fracassado e racista no Brasil. Cabe lembrar que Jesus Cristo vivia como mendigo nômade a perambular na pobreza, amava os odiados, como leprosos e prostitutas, e foi crucificado pelo sistema penal da época”.

O magistrado argumenta que a “merdocracia neoliberal neofascista está aí para quem quiser ou puder ver". "A ela esta decisão não serve, pelo contrário, visa a contribuir para sua derrocada." Por fim, o juiz afirma o lugar de fala de sua decisão não é voltado ao mercado e nem ao lucro, mas “ao trabalho humano digno voltado à igualdade e aos direitos humanos fundamentais”.

Clique aqui para ler a decisão
1001132-78.2019.5.02.0018




Topo da página

 é repórter da revista Consultor Jurídico.

Revista Consultor Jurídico, 18 de janeiro de 2020, 16h59

Comentários de leitores

25 comentários

O Macaco não Enxerga o Próprio Rabo

joaovitormatiola (Serventuário)

Ele é muito mais ridículo que qualquer coisa que criticou.

Owww my good

Luiz08João (Professor)

Tem gente que tem a coragem de chamar de PSEUDO INTELECTUAL, alguém que passou em 1o. lugar no concurso para Juiz Federal. Quem o faz, deve ser Heitor de todos os cursos e inteligencias de Harvard. kkkkkkkk.
A mesma vergonha que passaram os lavajatistas, quando atiraram anátemas sobre o FLAVIO DINO , quando esse desqualificou a capacidade técnica de Moro. Ops: ia me esquecendo FLAVO DINO Tambem passou em 1o. Lugar no concurso para Juiz Federal.... A nhorancia astravanca o pogresso...E passa vergonha alheia.

Vejam bem aqueles que concordam com a decisão

Schneider L. (Servidor)

Surpreendente? Claro que não. Reclamam da ideologia dos outros e batem palma para esse show de pseudo-intelectualidade.

E claro, o advogado Pintar, especialista em suspeição concorda com a decisão. O referido magistrado não seria alvo de suas petições favoritas.

Ver todos comentários

Comentários encerrados em 26/01/2020.
A seção de comentários de cada texto é encerrada 7 dias após a data da sua publicação.