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Corretor tem direito a comissão se não tiver culpa por desistência do negócio

O corretor de imóveis tem direito a receber comissão nos casos em que houver desistência por arrependimento do comprador ou vendedor. A comissão só não deve ser paga caso a desistência seja culpa do corretor.

Corretor tem direito à comissão se venda do imóvel não se concretizou por motivo estranho à sua atividade Reprodução

A decisão é da 3ª Turma do Superior Tribunal de Justiça ao reconhecer o direito de duas corretoras de receberem a comissão, apesar de o negócio não ter sido efetivado.

As corretoras recorrentes intermediaram uma venda e, quando já estava agendada a lavratura da escritura no cartório de registro de imóveis, a compradora não compareceu, o que levou à rescisão contratual por arrependimento.

Segundo a ministra Nancy Andrighi, relatora do recurso no STJ, o negócio foi desfeito sem nenhuma contribuição das corretoras, ou seja, o arrependimento da contratante se deu por fatores alheios à atividade das intermediadoras.

De acordo com a relatora, o ponto central da controvérsia é definir o que se pode entender como resultado útil da atividade do corretor de imóveis.

"Para o efeito de tornar devida a remuneração a que faz jus o corretor, a mediação deve corresponder somente aos limites conclusivos do negócio, mediante acordo de vontade das partes, independentemente da execução do negócio em si", declarou. Assim, a desistência do negócio posteriormente por qualquer uma das partes não repercutirá na pessoa do corretor.

Nancy Andrighi ressaltou que o STJ já decidiu no sentido de que, estando o arrependimento da parte relacionado à falta de diligência e prudência do intermediador do negócio, não será devida a comissão de corretagem.

Ela mencionou o REsp 1.272.932, no qual a 3ª Turma, analisando situação semelhante ao do recurso em julgamento, entendeu que é preciso ponderar as circunstâncias do caso concreto para saber se a mediação do corretor alcançou seu resultado útil.

A ministra disse que as provas dos autos são claras em demonstrar que houve a assinatura do contrato, intermediado pelas corretoras, e depois o negócio foi desfeito por fatores alheios à atividade das intermediadoras, o que justifica o pagamento da comissão. Com informações da assessoria de imprensa do STJ.

REsp 1.783.074

Revista Consultor Jurídico, 14 de janeiro de 2020, 11h36

Comentários de leitores

2 comentários

Kiko

joaovitormatiola (Serventuário)

Isso me lembrou a bola quadrado do Kiko.

Corretores e comissão

6345 (Advogado Autônomo)

Já passou da hora de o STJ deixar de proteger essas grandes corretoras (grandes empresas) possibilitando ganhos sem executar o seu trabalho, sob pena de estimular enriquecimento sem causa, o que é vedado em nosso sistema legal. Além do mais já passou da hora também de o mesmo STJ rever seu entendimento quanto à imposição de corretores verdadeiramente indicados e contratados pelas empresas vendedoras de imóveis (tanto é que quando o pretendente ao imóvel chega ao local do evento já existe corretor - de uma única empresa - no local), sobretudo os vendidos ainda na planta. não são justamente as grandes corporações (que "mandam" no mercado) que tanto pregam a livre iniciativa, a livre escolha do contratante? vejo com muito espanto e desconfiança essas decisões. Afinal as coisas vão sempre pender pro lado dos "tubarões"? A refletir!

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