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Justiça em Números

Em 2019, magistrados do Tribunal de Justiça do Rio foram os mais produtivos

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Cada magistrado do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro baixou uma média de 4.271 casos em 2019. Trata-se do volume mais alto entre todas as cortes estaduais do Brasil. O dado é do relatório Justiça em Números 2020, do Conselho Nacional de Justiça, divulgado na última terça-feira (25/8). 

TJ-RJ foi a corte mais produtiva em 2019
ConJur

De acordo com o levantamento, cada magistrado brasileiro baixou uma média de 2.107 processos no ano passado, levando em conta a primeira e segunda instância da justiça estadual e federal, os tribunais eleitorais, trabalhistas, militares e as cortes superiores.

Isso significa que cada juiz, desembargador e ministro solucionou 8,4 casos por dia útil, sem descontar períodos de férias e recessos (34,5 milhões no total). No TJ-RJ, por outro lado, a média é de quase 17 processos diários, ou seja, mais que o dobro do Judiciário como um todo. 

Índice de produtividade na Justiça Estadual, por magistrado, classificados de acordo com o porte do tribunal (os cinco primeiros são os maiores)
Reprodução/CNJ

O CNJ divide o ranking de produtividade de acordo com o porte do tribunal (grandes, médios e pequenos). Em um ranking geral, entre as cortes estaduais mais produtivas, na sequência do TJ-RJ, estão dois tribunais de médio porte: o TJ-SC, com 3.170 casos baixados por magistrado; e o TJ-BA, com 3.096. O TJ-SP, de grande porte, aparece em seguida, com 2.663; e o TJ-RO, um tribunal considerado pequeno, baixou 2.261 processos por magistrado.

Os tribunais menos produtivos, por sua vez, foram em geral os de menor porte: o TJ-PB, com 886 processos solucionados por magistrados; o TJ-AP, com 952; o TJ-PI, com 971; e o TJ-DF (que é de médio porte), com 1.165. 

Na Justiça do Trabalho, a tribunal mais produtivo foi o TRT-22, com 1.684 baixas por magistrado. O menos produtivo, por outro lado, foi o TRT-14, com 601. No caso das cortes eleitorais, na ponta da lista está o TRE-RN, com 110, enquanto do lado de baixo da tabela está o TRE-BA, com apenas 10.

Na Justiça Federal, o TRF-1 ficou em primeiro lugar, com 3.596. Na sequência estão TRF-5 (3.182); TRF-3 (2.974); TRF-4 (2.757); e, por último, o TRF-2, com 1.168.

Conforme o glossário da Resolução CNJ 76/09, consideram-se baixados os processos remetidos para outros órgãos judiciais competentes, desde que vinculados a tribunais diferentes; enviados para as instâncias superiores ou inferiores; arquivados definitivamente; e os que transitaram em julgado, com fase de liquidação, cumprimento ou execução iniciadas. 

Em 2019, segundo o CNJ, o Poder Judiciário teve sua maior produtividade dos últimos 11 anos. Isso influiu no número de processos pendentes. O ano passado encerrou com 77,1 milhões de tramitações aguardando solução definitiva. Com isso, houve redução de aproximadamente 1,5 milhão de ações em comparação a 2018.

O levantamento compilou dados de 90 tribunais brasileiros da Justiça Estadual, Federal, do Trabalho, Eleitoral e Militar. Apenas o Supremo Tribunal Federal, que não se submete ao CNJ, foi deixado de fora. O estudo é feito desde 2005, mas mudou de metodologia em 2009. Em 2019 a série histórica completou 11 anos. 

Conciliação
No último ano, segundo o CNJ, o Judiciário brasileiro homologou 3,9 milhões de acordos, o que representa 12,5% de todas as sentenças proferidas no ano passado. O volume é 6,3% maior que o registrado em 2018. 

Índice de conciliação na Justiça do Trabalho, dividido pelo porte dos tribunais
Reprodução/CNJ

A Justiça do Trabalho foi a que mais conciliou: 24% do total de casos foi solucionado por meio de acordo, taxa que aumenta para 39% quando é levada em consideração apenas a fase de conhecimento, relativa ao primeiro grau da Justiça comum. 

O TRT-18, que é considerado um tribunal médio, foi o responsável pela maior porcentagem de conciliação: 31% dos casos. Na sequência estão o TRT-7 (médio, 27,9%); TRT-9 (também médio, 27,3%); TRT-23 e TRT-19, (ambos pequenos, 27,2% cada um); TRT-2 (grande, 26,8%); e TRT-24 (pequeno, 26,5%). 

Na Justiça Estadual, a maior taxa de acordos homologados foi registrada no TJ-SE, com 24,8%. Na sequência estão o TJ-MS, com 21,5%; TJ-MG, com 16,1%; TJ-AP, com 15,8%; e TJ-RR, com 15,7%. O que menos conciliou foi o TJ-GO, com apenas 2,4%. 

Na Justiça Federal, o TRF-3 lidera: os acordos homologados representam 15,2% das decisões. Na sequência estão TRF-5 (13,3%); TRF-1 (11,0%); TRF-4 (6,6%); e TRF-2 (4,9%). 

Na Justiça Eleitoral, quem mais conciliou proporcionalmente ao número de decisões foi o TRE-AP, em que os acordos representam 4,1% do total de casos julgados. Grande parte das cortes não registrou nenhum acordo. É o caso, por dos tribunais do Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Amazonas, Rio Grande do Norte, Maranhão, Ceará, Tocantins, Sergipe, Distrito Federal e Acre. 

A porcentagem não significa que os tribunais com maior taxa de conciliação homologaram mais acordos, já que determinadas cortes recebem um número de processos maior que outras.

Prática impulsionada
Embora, segundo o CNJ, o número de acordos tenha aumentado, a porcentagem com relação ao número total de decisões proferidas apresenta uma tendência de queda nos últimos quatro anos. 

Em 2016, por exemplo, 13,6% das decisões proferidas pelo Judiciário se deram por meio da conciliação. Em 2017, esse porcentagem caiu para 13,5%. Em 2018, foi de 12,7%.

O acordo é adotado pelo Conselho desde 2006, com a implementação do Movimento pela Conciliação. Para impulsionar a prática, o CNJ organiza anualmente as Semanas Nacionais de Conciliação, em que os tribunais são incentivados a juntar as partes e promover pactos nas fases pré-processual e processual. 

A tentativa de incentivar os acordos também pode ser vista na ampliação dos Centros Judiciários de Solução de Conflitos (Cejusc). Em 2014, por exemplo, havia 362 Centros. Em 2019, o número saltou para 1.284, segundo dados do relatório. 

Clique aqui para acessar o Justiça em Números 2020




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 é repórter da revista Consultor Jurídico.

Revista Consultor Jurídico, 29 de agosto de 2020, 7h26

Comentários de leitores

1 comentário

Há exceções

Carlos Alvares (Advogado Sócio de Escritório - Civil)

Tem um magistrado que está há 4 anos, com uma ação simples, esperando o "papai noel" chegar com o "presente" dele, para ele proferir sentença. Já foi encaminhada representação à CGJ contra o tal.

Noutro caso, uma desembargadora da 6ª Câmara Cível do TJRJ, descumpriu o que manda a Lei, duas vezes. Na primeira, que e a LEI MANDA notificar o devedor da compra de imóvel, antes de levar a leilão, ela disse que não precisava notificar pois o meu cliente estava com parcelas em atraso há 1 ano. Mas a Lei diz isto? Isto não é livre interpretação é descumprimento de Lei, é julgar apenas com base na vontade estapafúrdia desta desembarga. São coisas diferentes que, na maioria das vezes a CGJ adota esta mentira como desculpa e arquiva a representação. E assim, o Judiciário vai alimentando monstros, como no caso de um desembargador que deu carteirada em um GCM e tem 40 reclamações contra ele arquivadas...

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