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STF analisa prazo para TCU revisar ou anular aposentadoria de 1997

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O plenário do Supremo Tribunal Federal começou a analisar nesta quinta-feira (10/10) um recurso que discute qual deve ser a data de início do prazo decadencial de cinco anos, previsto no artigo 54 da Lei 9.784/18999, para que a administração pública, por meio do Tribunal de Contas da União, possa rever ou anular ato concessivo de aposentadoria. O julgamento foi suspenso em razão do horário. 

STF começa a analisar prazo para TCU revisar ou anular aposentadoria
Rosinei Coutinho/SCO/STF

Até o momento, apenas o relator, ministro Gilmar Mendes, votou. "Na minha visão, se o processo chegou ao Tribunal de Contas e, após cinco anos, a aposentadoria não foi analisada, não se aplica o prazo decadencial. No entanto, se analisado após cinco anos, é preciso que se dê ao recorrente o direito do contraditório e da ampla defesa para se defender de possível anulação", pontuou. 

Segundo o ministro, a análise de legalidade do ato de aposentadoria pelo Tribunal de Contas não se submete ao prazo decadencial previsto na lei.

"No entanto, tendo em vista o transcurso do prazo quinquenal entre a chegada dos autos à Corte de Contas e a análise de sua legalidade, sem que fosse oportunizado o contraditório e a ampla defesa de forma plena ao recorrido, determino a anulação do acórdão e a necessidade de observância pelo Tribunal de Contas das referidas garantias constitucionais antes que outro acórdão seja proferido", disse. 

O entendimento foi seguido pelo ministro Alexandre de Moraes. 

Em análise
O recurso da União em análise tem repercussão geral reconhecida e contesta acórdão do TRF da 4ª Região, segundo o qual, ultrapassado o prazo decadencial da norma, sem que ela tenha sido retirada do universo jurídico, “prevalece a segurança jurídica em detrimento da legalidade da atuação administrativa".

Para a União, a Constituição Federal estabelece que o direito à aposentadoria/pensão somente ingressa no patrimônio jurídico-subjetivo do servidor após a análise da legalidade de sua concessão pelo TCU.

O servidor, por sua vez, sustenta que se aposentou em 1997, tendo seu ato de aposentadoria sido considerado ilegal somente em 2003, quando a administração pública já não poderia fazê-lo.

RE 636.553

 é correspondente da revista Consultor Jurídico em Brasília.

Revista Consultor Jurídico, 10 de outubro de 2019, 20h45

Comentários de leitores

1 comentário

Abuso

magnaldo (Advogado Autônomo)

E como fica o princípio constitucional da duração razoável do processo, consagrado como direito fundamental? Se o TCU demorar vinte ou mais anos, como ocorre nas homologações, ele anula qualquer benefício decorrente da decadência que tem por objetivo evitar que o cidadão fique, indefinidamente, sujeito aos nefastos efeitos do excessivo atraso na decisão da administração.

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