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Presunção de inocência

STF derruba norma que reduzia salário de servidor com ação penal

Por unanimidade, o Plenário do Supremo Tribunal Federal declarou inconstitucional norma do Pará que previa o desconto de vencimentos de servidores públicos que se encontram efetivamente afastados de suas funções em virtude de processos criminais não transitados em julgado.

Segundo Barroso, é pacífica a jurisprudência de que é incompatível com Constituição norma que reduz vencimentos de servidores públicos que respondem a processo criminal Rosinei Coutinho / SCO STF

O relator, ministro Luís Roberto Barroso, afirmou que os princípios constitucionais da presunção da inocência, da ampla defesa e da irredutibilidade de vencimentos vedam a existência de qualquer dispositivo legal estadual que proponha a redução de vencimentos ou de remuneração na ausência de decisão condenatória transitada em julgado.

Ele apontou ainda que a jurisprudência do STF é pacífica no sentido de que é incompatível com Constituição Federal norma que estabeleça a redução de vencimentos de servidores públicos que respondam a processo criminal.

De acordo com o ministro, se o acusado, no processo penal, é presumidamente inocente, não lhe pode ser atribuída nenhuma sanção jurídica automática pelo simples fato de ter sido acusado criminalmente ou por ter sido pronunciado em procedimento especial do júri.

O relator ponderou que, no âmbito administrativo, acontece o mesmo. Só após processo administrativo regular, em que deve ser proporcionada a ampla defesa, o servidor pode vir a ser privado de seus vencimentos, ainda que de modo parcial.

A ação, julgada em sessão virtual, foi ajuizada pela Confederação dos Servidores Públicos do Brasil (CSPB). A regra questionada está prevista no artigo 29, parágrafo 1º, da Lei estadual 5.810/1994 (Regime Jurídico Único dos Servidores Públicos Civis do Estado do Pará).

O dispositivo que estabelece que o servidor preso em flagrante, pronunciado por crime comum, denunciado por crime administrativo ou condenado por crime inafiançável será afastado e receberá, durante esse período, dois terços da remuneração, excluídas as vantagens devidas em razão do efetivo exercício do cargo. Caso seja absolvido, terá direito à diferença. Com informações da assessoria de imprensa do STF.

ADI 4.736

Revista Consultor Jurídico, 13 de novembro de 2019, 14h57

Comentários de leitores

2 comentários

Não entendi!

John Doe (Juiz Estadual de 1ª. Instância)

Para que alguém possa cumprir pena não precisa esperar o trânsito em julgado, mas pra ter desconto nos vencimentos, aí precisa???

Não entendi!

John Doe (Juiz Estadual de 1ª. Instância)

Para que alguém possa cumprir pena não precisa esperar o trânsito em julgado, mas pra ter desconto nos vencimentos, aí precisa???

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