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Dano ao erário

Ação da Caixa para ressarcir desvios do Bolsa Família não prescreve, afirma TST

É imprescritível ação da Caixa Econômica Federal para buscar ressarcimento de valores do Bolsa Família apropriados indevidamente por uma funcionária, decidiu a 4ª Turma do Tribunal Superior do Trabalho. Isso porque, por envolver dano ao tesouro público, aplica-se a regra prevista no artigo 37, parágrafo 5º, da Constituição Federal — que diz que são imprescritíveis as ações de ressarcimento ao erário —, e não os prazos prescricionais trabalhistas.

Na ação de cobrança, a Caixa relatou que, devido a denúncias de clientes, foi instaurado processo disciplinar no qual constatou que a funcionária usou sua função de responsável pelo atendimento aos beneficiários do Programa Bolsa Família para reverter em benefício próprio cerca de R$ 33 mil devidos àquelas pessoas.

Em sua defesa, a mulher argumentou que o direito de ação da Caixa estaria prescrito, porque foi dispensada em fevereiro de 2012, e a ação só fora ajuizada em junho de 2014, fora, portanto, do prazo de dois anos após a rescisão contratual.

O juízo de primeiro grau rejeitou o pedido de aplicação da prescrição trabalhista, por entender que, como a Caixa é parte da administração pública, o caso se enquadra na ressalva do parágrafo 5º do artigo 37 da Constituição da República referente às ações de ressarcimento.

O Tribunal Regional do Trabalho da 17ª Região (ES), no entanto, considerou que o Supremo Tribunal Federal ainda não se manifestou definitivamente a respeito do tema e que não há nos autos prova de que a empregada foi condenada por ato de improbidade no juízo competente. Por isso, declarou prescrita a pretensão da Caixa.

O ministro Guilherme Caputo Bastos, relator do recurso de revista da Caixa, salientou que o artigo 37, parágrafo 5º, da Constituição, ao incumbir à lei a fixação dos prazos prescricionais das pretensões decorrentes de atos ilícitos praticados por agentes públicos em prejuízo ao erário, ressalvou as ações de ressarcimento. “Com isso, estabeleceu a imprescritibilidade das mencionadas demandas”, assinalou.

Segundo o relator, as normas infraconstitucionais derivadas desse dispositivo estabeleceram prescrição apenas para a punibilidade dos agentes públicos, e não para a ação de ressarcimento. Em seu entendimento, o prazo prescricional trabalhista não se aplica ao caso específico, que envolve patrimônio do erário, uma vez que a Constituição tem regra própria para essa circunstância.

Com o intuito de reforçar seus fundamentos, o ministro transcreveu precedentes em que o TST e o STF reconheceram a imprescritibilidade da ação em situação semelhante. A decisão foi unânime. Com informações da Assessoria de Imprensa do TST.

RR - 93400-76.2014.5.17.0132

Revista Consultor Jurídico, 18 de junho de 2019, 11h48

Comentários de leitores

2 comentários

Quanta bobagem

Walter R Filho (Advogado Sócio de Escritório - Administrativa)

Primeiro - não existe isso de interpretar norma constitucional no sentido que é IMPRESCRITÍVEL. Só no Irã uma interpretação dessas ou num Estado totalitário e policial. O Brasil não é.
Um dos princípios basilares da Civilização Moderna é a "morte em decorrência do passar do tempo". É o elemento final pacificador e libertador de TUDO e de todos contra o Estado.
A interpretação há de ser conforme e manter hígidos os princípios Republicanos e Democratas do Estado Brasileiro.

Pau Que Bate em Chico Bate em Francisco?

J. Cordeiro (Advogado Autônomo - Civil)

É gozado, contra uma servidora pública, comum e mortal, o desvio de 30 mil reais do erário causa alvoroço e acórdão e tratados jurídicos nas Cortes, enquanto uma ratazana festejada, incomum e imortal, cujo produto do botim eleva-se a bilhões de reais e até lhe permitiu morar em Paris, num dos mais caros locais do planeta, para tal facínora um determinado Juiz, em conluio com seu assecla do Ministério Público, deixou-o livre, leve e soltinho da silva. E ainda o considerou um "aliado", em sua jornada política, rumo ao Çupremu, botando no lixo a Lei de Improbidade Administrativa.

Com isto, mostrou o beneficiário da condenação de seu adversário que existe diferença entre crimezinho e crimezão, em ratinho e ratão. Safadinho e safadão. O grande salafrário sempre beneficiário dos favores de certos agentes públicos julgadores.

Crime de tal natureza só prescreve prá bagrinhos...

Como dizia Cícero, "O tempora! O mores!"...

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