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Homem "lava jato"

Sergio Moro aceita convite de Bolsonaro para assumir Ministério da Justiça

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O juiz Sergio Moro aceitou o convite do presidente eleito Jair Bolsonaro (PSL) e será o ministro da Justiça do governo que toma posse em janeiro de 2019. Na manhã desta quinta-feira (1º/11), o juiz, que ficou famoso por julgar os casos da operação "lava jato" na 13ª Vara Federal de Curitiba, reuniu-se com Bolsonaro no Rio de Janeiro. 

Pasta que Moro assumirá será mais um dos superministérios do governo Bolsonaro.Reprodução

Em nota, Moro afirma que seu objetivo é implementar uma agenda anticorrupção e anticrime organizado, além de consolidar avanços obtidos pela operação "lava jato" e impedir retrocessos. O juiz diz ainda que desde já irá se afastar de novas audiências para evitar "controvérsias desnecessárias". 

Pelo Twitter, Bolsonaro falou sobre seu novo ministro: "O juiz federal Sérgio Moro aceitou nosso convite para o Ministério da Justiça e Segurança Pública. Sua agenda anticorrupção, anticrime organizado, bem como respeito à Constituição e às leis, será o nosso norte!".

A pasta que Moro assumirá será mais um dos superministérios do governo Bolsonaro. Somará as estruturas da Justiça, Segurança Pública, Transparência e Controladoria-Geral da União e o Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras), este último hoje ligado ao Ministério da Fazenda.

Leitura no voo
No voo para o Rio de Janeiro, Moro fez um ato simbólico. Embarcou exibindo nas mãos o livro Novas Medidas Contra a Corrupção. Trata-se de uma nova versão de uma série de mudanças legislativas propostas por promotores do MPF que acabou desfigurada pelo Congresso durante a tramitação para aprovação.

Advogados ouvidos pela ConJur criticavam o pacote original, alegando que um dos objetivos era enfraquecer o Habeas Corpus e validar provas obtidas de forma ilegal. Moro disse em diversos pronunciamentos públicos que há um excesso de possibilidades de recurso no Brasil. 

Reação do PT
O líder do PT na Câmara, Paulo Pimenta, disse no Plenário, antes da confirmação de que o convite foi aceito, que a relação entre Moro e Bolsonaro demonstraria que o juiz atuou como cabo eleitoral durante a eleição. O Partido dos Trabalhadores deve usar a indicação como novo argumento nos processos que envolvem o ex-presidente Lula. 

Leia abaixo a nota de Sergio Moro:

Fui convidado pelo Sr. Presidente eleito para ser nomeado Ministro da Justiça e da Segurança Pública na próxima gestão. Após reunião pessoal na qual foram discutidas políticas para a pasta, aceitei o honrado convite. Fiz com certo pesar pois terei que abandonar 22 anos de magistratura. No entanto, a perspectiva de implementar uma forte agenda anticorrupção e anticrime organizado, com respeito à Constituição, à lei e aos direitos, levaram-me a tomar esta decisão. Na prática, significa consolidar os avanços contra o crime e a corrupção dos últimos anos e afastar riscos de retrocessos por um bem maior. A Operação Lava Jato seguirá em Curitiba com os valorosos juízes locais. De todo modo, para evitar controvérsias desnecessárias, devo desde logo afastar-me de novas audiências. Na próxima semana, concederei entrevista coletiva com maiores detalhes". 

 é repórter da revista Consultor Jurídico.

Revista Consultor Jurídico, 1 de novembro de 2018, 11h07

Comentários de leitores

26 comentários

Sempre atrasados

Eududu (Advogado Autônomo)

O curioso de tantos comentários e previsões catastróficas é que Álvaro Dias disse várias vezes, desde o início das eleições, inclusive nos debates na TV, que se fosse eleito convidaria Sérgio Moro para ser Ministro da Justiça.

Não houve nenhum comentário ou análise a respeito disso, ninguém devaneou em teorias de conspiração ou denunciou uma possível troca de favores.

Algumas reações agora são, no mínimo, engraçadas. Tem brasileiro que está sempre atrasado.

Um duende me disse

Rejane Guimarães Amarante (Advogado Autônomo - Criminal)

Que todos terão uma grande surpresa.

Como será?

Fernando Lira (Outros - Internet e Tecnologia)

Pego-me em uma reflexão de nível mais prático, mais cotidiano, sobre a notícia em discussão.

Creio que muito certamente, o futuro Ministro Moro trabalhará com afinco para que uma proposta nos moldes (mais incisiva, digamos) da defendida pelo doutor outrora seja reapresentada ao Congresso.

Imagino, voltando ao início, como se dará uma reunião ministerial com Onyx Lorenzoni ou mesmo ter que, eventualmente, lidar com Fragas que farão parte do (mais do mesmo) governo Bolsonaro.

A ver.

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