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Números inflados

Juiz aposentado é acusado de manipular escutas e inventar bens apreendidos

Candidato a governador de Mato Grosso do Sul, o juiz aposentado Odilon de Oliveira está sendo acusado por seu ex-assessor de manipular escutas e inflar dados sobre apreensão de bens para divulgar para a imprensa. O candidato pelo PDT nega as irregularidades e diz que as acusações têm interesses políticos.

As acusações contra Odilon de Oliveira foram feitas por Jedeão de Oliveira, que trabalhou com o juiz durante 22 anos, até ser demitido em 2016 após uma apuração interna apontar que ele desviou dinheiro apreendido. Odilon de Oliveira deixou a magistratura em 2017, quando se aposentou. Durante sua carreira, ganhou notoriedade por investigações relacionadas ao crime organizado e o combate ao narcotráfico. Sua fama é usada no slogan da campanha: “MS em mãos limpas”. O filme Em nome da lei, que celebra o estilo justiceiro de combate ao crime, foi baseado em sua história.

Ao jornal Folha de S.Paulo, o ex-assessor contou que o juiz inventava ameaças e bens apreendidos, com o objetivo de inflar o valor e manter sua imagem na mídia.

Ele disse ainda que o juiz costumava autorizar interceptações de telefonemas cujos números eram encaminhados em anexos, sem a descrição detalhada do objetivo de cada gravação. Caso provas fossem encontradas nessas gravações, o juiz abria inquéritos com base em cartas anônimas.

Parte das acusações feitas por Jedeão está em uma declaração pública registrada em cartório. O ex-assessor também levou as acusações ao Ministério Público Federal em uma proposta de acordo de colaboração premiada, que ainda está sob análise dos procuradores.

Outro lado
Ao jornal Folha de S.Paulo, Odilon de Oliveira negou irregularidades e disse que as acusações “têm fundo político”.

O juiz também negou ter inflado dados de balanços de apreensões divulgados à imprensa. Disse, porém, que há diferenças entre os dados que constam da base nacional de bens apreendidos do Conselho Nacional de Justiça e “a realidade processual”.

“Muitas vezes não bate com o que está apreendido no Brasil, em qualquer vara. Porque muitas vezes o juiz não alimenta, quer dizer, a Justiça não alimenta aquele cadastro nacional no tempo certo. Muitas vezes não tem condições técnicas de alimentar, pois é um cadastro muito falho. Os bens constantes do cadastro nacional nunca conferem com a realidade processual”, afirmou.

Revista Consultor Jurídico, 29 de agosto de 2018, 12h02

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