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Passe livre

Fiscal do trabalho não é obrigado a pagar pedágio em estrada, decide TST

Auditores fiscais do trabalho não pagam pedágio se estiverem no exercício da sua função. Por isso, a  2ª Turma do Tribunal Superior do Trabalho condenou uma concessionária de rodovias que impediu um profissional de passar por um pedágio sem pagar. 

A corte não admitiu o recurso da Concessionária Rodovia do Sol (Rodosol), do Espírito Santo, que pretendia a anulação dos autos de infração lavrados pela União por ter se recusado a conceder o passe livre.

Segundo a turma, o Decreto 4.552/2002, que regulamenta a fiscalização do trabalho e prevê o passe livre para os auditores, não extrapolou sua função regulamentar.

O caso aconteceu em abril de 2003 em Vitória, quando um auditor fiscal foi impedido de passar, mesmo após ter se identificado. Com a recusa, ele lavrou um auto de infração por descumprimento do parágrafo 5º do artigo 630 da CLT, que prevê a gratuidade nas empresas de transporte aos auditores fiscais do trabalho no desempenho de suas atividades.

No total, foram lavrados oito autos de infração, com mais de R$ 70 mil em multas.

Na ação contra a União, ajuizada em julho 2009, a Rodosol pediu o reconhecimento da inexistência da obrigação de permitir a passagem de fiscais do trabalho sem o pagamento do pedágio. Para a concessionária, o artigo 630 da CLT não prevê a hipótese do passe livre, “a não ser pela extrapolação do conceito previsto no Decreto 4.552/2002”.

Segundo os advogados da Rodosol, um decreto regulamentador não pode criar direito que a lei regulamentada não criou. “Não há previsão expressa da isenção”, criticaram.

Interpretação forçosa
O juízo da 9ª Vara do Trabalho de Vitória considerou “forçosa” a interpretação dada pelos auditores fiscais do trabalho de que o pedágio se encaixa na hipótese do artigo 630 da CLT, que prevê apenas o passe livre nas empresas de transportes, públicas e privadas.

“Por se tratar de norma que impõe ônus ao setor privado, de natureza administrativa, não cabe aqui empregar interpretação extensiva a outras formas de concessão de serviço público”, registra a sentença que declarou nulos os autos da infração e determinou o cancelamento definitivo das inscrições da empresa na dívida ativa da União.

Harmonia com a Legislação 
Já o Tribunal Regional do Trabalho da 17ª Região (ES), ao examinar recurso, considerou que o decreto está em harmonia, por exemplo, com a Convenção 81 da Organização Internacional do Trabalho (OIT), que visa proporcionar aos fiscais do trabalho os meios necessários ao melhor desempenho de suas funções e assegurar maior efetividade aos direitos sociais do trabalhador.

Segundo o TRT, é preciso dar interpretação evolutiva ao artigo 630. “O artigo 34 do Decreto 4.552/2002, ao autorizar o passe livre aos inspetores fiscais em pedágios e congêneres, apenas explicou as concepções contemporâneas de facilitação da inspeção do trabalho”, informou a decisão.

Perigo de esvaziamento 
No recurso para o TST, a concessionária insistiu na violação de artigos da CLT e da Constituição Federal e dos princípios da hierarquia das leis e da livre iniciativa.

Para o ministro José Roberto Freire Pimenta, cujo voto prevaleceu no julgamento, não há como se restringir a interpretação do artigo 630, parágrafo 5º, da CLT ao sentido gramatical ou à sua literalidade, sob pena de esvaziar sua eficácia. “O artigo foi incluído na CLT em 1967, momento histórico em que nem sequer se cogitava da possibilidade de concessão de rodovias”, destacou o relator.

Freire Pimenta ainda questionou a atitude da concessionária ao exigir a cobrança do fiscal. A seu ver, uma empresa que recebe uma concessão da União para cuidar das boas condições da estrada não pode cobrar de um auditor a inspeção. “O fiscal sanitário tem de pagar a entrada numa boate para poder fiscalizar?”, questionou o relator, que, acompanhado pela maioria, julgou improcedente a ação anulatória ajuizada pela Rodovia do Sol. Com informações da Assessoria de Imprensa do TST. 

Processo RR-97540-52.2005.5.17.0009

Revista Consultor Jurídico, 16 de novembro de 2017, 14h59

Comentários de leitores

2 comentários

Sargento Pimenta, Ministro Pimenta: quando se equivalem ARDE

Luiz Fernando Cabeda (Juiz do Trabalho de 2ª. Instância)

Um sátiro entendeu que a realidade brasileira é dura, por isso não pode ser reconhecida através de palavras amenas. Para contornar a linguagem rude, conquanto verdadeira, compôs uma versão em latim macarrônico para o ditado popular: piper in alieno anus refrigerius est.
Tal comentário certamente ficaria melhor entre os delírios verbais rebarbativos de Lênio Streck e suas teorias sobre o nada, recheadas de lugares-comuns, não fosse o fato de que a decisão do TST é sobremodo constrangedora e, portanto, é necessário o riso para melhor entendê-la. Como ensinava o Arlequim: ridendo castigat mores.
Se o auditor do Trabalho recebe isenção tributária (pois os preços públicos constituem espécie parafiscal), concedida por um tribunal que não detêm competência em razão da matéria para examinar tal caso, seria de perguntar: o mesmo auditor deverá comprovar junto à cabine de pedágio que está a serviço?
Ou, no entendimento prosaico dos julgadores, isso é simplesmente 'presumido' ou - quem sabe - constitua 'ficção legal'?
O TST hoje é um tribunal que envergonha o país, simplesmente porque deixou morrer a doutrina, ricamente aprofundada por muitos, bastando lembrar com exemplo bastante EVARISTO DE MORAES FILHO, e incorre num casuísmo sem fim. Há pessoas que lá jurisdicionam sem ter o mínimo conhecimento jurídico de capacitação.
Os julgamentos são feitos na forma de pantomimas.
Basta assistir a uma modorrenta sessão no 'Canal Justiça' para ver que os advogados se limitam a registrar presença. Nenhuma tese é debatida.
Em lugar dos julgamentos o que existe são os enunciados (ou súmulas, ou orientações normativas) baixados "a grosso e a retalho", como se dizia em Direito Comercial, e o que se vê é a dificuldade INTRANSPONÍVEL de enfrentar o texto e o sentido da lei.

Advogados da Rodosol, para o TST eles estão acima das leis

Carlos (Advogado Sócio de Escritório)

Advogados da Rodosol.
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A Justiça do Trabalho é famosa por proferir decisões contra a Lei.
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Lá eles que "legislam" e decidem o que é melhor para ELES. Não gostam de cumprir as leis. As leis, estão abaixo do TST. Estado Democrático de Direito? O TST não conhece o que é isto.
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Pelo que eu li na reportagem, o fiscal não estava ali para fiscalizar a rodovia. Portanto o exemplo do fiscal sanitário que precisa entrar na boate para fiscalizar e assim, não deve pagar a entrada, não tem relação com os fatos da reportagem.

Comentários encerrados em 24/11/2017.
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