Consultor Jurídico

Notícias

Você leu 1 de 5 notícias liberadas no mês.
Faça seu CADASTRO GRATUITO e tenha acesso ilimitado.

Poucas palavras

Em depoimento, Sérgio Cabral diz que comprou jóias com sobras de campanha

Em depoimento de 20 minutos ao juiz da 7ª Vara Federal Criminal do Rio de Janeiro, Marcelo Bretas nesta quarta-feira (24/5), o ex-governador do Rio de Janeiro Sergio Cabral (PMDB) quase só respondeu às perguntas de seus advogados e disse que comprou jóias para sua mulher, Adriana Ancelmo, com sobras de campanha.

Sérgio Cabral (PMDB) é acusado de ter liderado esquema de corrupção em obras públicas quando era governador do Rio.
Reprodução

Cabral ficou em silêncio durante quase toda a audiência ocorrida no auditório da Justiça Federal, no Centro da capital fluminense. Ele respondeu a apenas uma pergunta do juiz Bretas, quando negou ter desafetos entre as testemunhas e réus que se pronunciaram no processo.

O ex-governador admitiu que comprava joias da joalheria Antônio Bernardo para a esposa, Adriana Ancelmo, em espécie, em datas festivas e voltou a admitir que o dinheiro vinha de sobras de campanha eleitoral. Ele voltou a negar, como fez em outras audiências, que Adriana soubesse de esquemas de caixa dois orquestrados por ele.

"Sempre respeitamos nossas individualidades. Jamais interferi no dia a dia do escritório dela e jamais ela interferiu no meu dia a dia. Nunca recebi nenhum valor do escritório de Adriana", declarou.

Sem suborno
O ex-governador afirmou que nunca recebeu vantagens indevidas das empreiteiras Andrade Gutierrez e Carioca Engenharia. Cabral disse que se reuniu com representantes da Andrade Gutierrez apenas para tratar de temas técnicos relacionados às obras contratadas pelo governo do estado.

Além disso, o peemedebista negou saber da existência de caixa dois na campanha do governador Luiz Fernando Pezão (PMDB), em 2014. Segundo o ex-secretário de Obras de Cabral, Hudson Braga, que está preso, a Andrade Gutierrez pagou 1% de suborno para autoridades públicas sobre o contrato do Programa de Aceleração do Crescimento das Favelas em Manguinhos, na zona norte do Rio, e que a verba era conhecida como “taxa de oxigênio”.

Prazo para diligências
O Ministério Público Federal agora terá três dias para fazer diligências. O procurador Leonardo Cardoso de Freitas informou que a acusação não tem dúvidas de que Cabral chefiou organização criminosa e desviou milhões dos cofres do estado e da União.

"Nada do que foi dito hoje pelo senhor Sergio Cabral foi capaz de abalar nossa convicção na prova produzida e nos fatos imputados a ele e aos demais réus. O Ministério Público vai pedir sua condenação”, disse o procurador que lamentou o fato de Cabral ter se negado a responder as perguntas do juiz e do MPF.

“Várias pessoas corroboraram tudo que foi dito na denúncia, réus confessaram o crime. Gostaria de saber se todas essas pessoas fizeram um complô contra ele. Essa é uma indagação que gostaria de ter feito a ele", afirmou Freitas.

A defesa também terá três dias para se manifestar. A sentença deve sair em julho, após as considerações finais da defesa de Cabral e do MPF, que devem durar pelo menos uma semana.

Só com câmera
O juiz Guilherme Schilling Pollo Duarte, da Vara de Execuções Penais do Rio, exigiu a instalação de uma nova câmera na entrada do Presídio de Benfica, Zona Norte carioca, antes que Cabral e outros presos da “lava jato” com curso superior sejam transferidos para lá. Atualmente, o ex-governador está na prisão Bangu 8, no Complexo de Gericinó, Zona Oeste do Rio.

Duarte ordenou a medida após a equipe de fiscalização da VEP constatar, durante visita, a necessidade de se instalar uma câmera de ângulo frontal no controle de acesso à unidade.

Nona denúncia
Também nesta quarta, o juiz Marcelo Bretas aceitou nova denúncia do MPF contra o ex-governador e outras nove pessoas. Eles são acusados de receber quase R$ 47 milhões de propina da Carioca Engenharia em troca de fraudes em licitações e superfaturamento de obras públicas. Com isso, Sérgio Cabral virou réu pela nona vez.

Cabral foi preso preventivamente em novembro do ano passado e aguarda decisão da Justiça, no presídio Bangu 8, no Complexo de Gericinó. Ele é acusado de ter liderado esquema de corrupção, quando era governador, com superfaturamento de obras públicas. Com informações da Agência Brasil e da Assessoria de Imprensa do TJ-RJ.

Revista Consultor Jurídico, 25 de maio de 2017, 13h42

Comentários de leitores

0 comentários

Comentários encerrados em 02/06/2017.
A seção de comentários de cada texto é encerrada 7 dias após a data da sua publicação.