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Direito de defesa

Criminalistas fazem homenagem a advogados de Lula e condenam abusos

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Muitos dos principais criminalistas brasileiros se reuniram no último domingo (21/5), em São Paulo, para prestar homenagens e reforçar seu apoio à atuação de Cristiano Zanin Martins, Valeska Teixeira Zanin Martins, Roberto Teixeira e Fernando Fernandes, advogados do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Mas o evento acabou abrangendo a defesa de toda a advocacia criminal, que tem sofrido constantes ataques, inclusive de outros advogados, nos últimos tempos.

Mariz lembrou que o avanço de uns sobre os outros tem um nome: Ditadura.

Um dos primeiros a falar, Alberto Zacharias Toron destacou os perigos de juízes inquisidores e de um processo penal que já tem um entendimento prévio mesmo antes de o réu ser julgado. Para o criminalista, o modelo seguido atualmente dentro de algumas cortes se assemelha a “estética de um interrogatório medieval”.

“Seremos engolidos pelo modelo fascista”, complementou. Toron apareceu muito na imprensa nos últimos dias depois que o senador afastado Aécio Neves (PSDB) foi gravado pedindo R$ 2 milhões ao empresário Joesley Batista, da JBS, para, supostamente pagar sua defesa.

Ele citou isso no evento e ainda brincou: “Não recebi nada ainda”. A afirmação de Aécio Neves foi posteriormente desmentida, pois o dinheiro pedido por ele foi enviado para Minas Gerais, sendo que o escritório de Toron fica em São Paulo.

Outro nome conhecido da classe que prestou homenagens aos advogados foi Antônio Cláudio Mariz de Oliveira. Ele, que tem mais de 50 anos de atuação, afirmou que nunca viu a advocacia ser tão maltratada quanto está sendo na operação “lava jato”.

Toron afirmou que modelo atual de persecução penal se assemelha à estética "de um interrogatório medieval".

Exemplificou esse entendimento lembrando do episódio em que o juiz federal Sergio Moro lhe disse que a advocacia atrapalha. Segundo o criminalista, o magistrado “tem uma atuação incompatível com a magistratura”, apesar de ético e trabalhador.

Isso porque, continuou Mariz, falta imparcialidade ao juiz federal. “Estou com muito medo do avanço do autoritarismo do judiciário”, disse, complementando que isso tem ocorrido por meio de uma má aplicação da Constituição. “Estamos assistindo ao avanço de uns sobre os demais. E isso, na minha época, era ditadura.”

Para Mariz, uma Ditadura fundada no sistema Justiça seria tão ou mais perigosa do que um regime militar, pois uma caneta pode ter efeitos mais perigosos do que armas. “Nós assistimos essa marcha sem poder estancá-la.”

O presidente do Instituto de Defesa do Direito de Defesa, Fábio Tofic, destacou que, mesmo nesses tempos difíceis, em que “decisões tratam advogados como penduricalhos, a classe precisa se manter forte, e não deve sair atrás de aplausos". “Quando a Justiça é justificativa para condenar, não há mais Justiça”, afirmou.

Seguindo essa linha, o ex-ministro da Justiça e ex-Advogado-Geral da União José Eduardo Cardozo reforçou que os advogados precisam se manter unidos, e jamais tornarem-se “borra-botas, afrontando colegas”. “Os advogados não podem ser aqueles que lambem os poderosos”.

Ao agradecerem por todas as falas Zanin e Valeska citaram casos em que sofreram ataques da sociedade por exercerem sua profissão. Um dos que mais chamaram a atenção foi a organização de um protesto na escola do filho do casal porque eles seriam “advogados de bandido”.

 é repórter da revista Consultor Jurídico.

Revista Consultor Jurídico, 23 de maio de 2017, 11h37

Comentários de leitores

9 comentários

Vida mansa!

Serpico Viscardi (Professor)

Esses senhores tem vida mansa! Defender réu poderoso no Brasil é fácil!

Chicaneiros de primeira!

Nota de desagravo direto da Casa da Eny em Bauru.....

hammer eduardo (Consultor)

Coincidentemente os renomados advogados ali reunidos se enquadram quase TODOS na categoria discutível de "Medalhões" do nosso direito moderno o que confere através de notas psicografadas direto da Casa da Eny , o direito e a marca registrada de sempre cobrarem honorários ESTRATOSFERICOS prometendo a absolvição completa , a volta da mulher amada e quem sabe ate a remoção imediata de "olho gordo" , juntamente com a recuperação de espinhela caida.
Curiosamente quando atuam para "crientes" altissimamente enrolados com a Justiça , caberia perguntar se questionam a "origem" dos honorários que remuneram seus serviços próximos de canonização no Vaticano.
A Justiça é imprescindível em qualquer sociedade minimamente decente porem aqui vejo com preocupação que em varias ocasiões ( que imagino não ser o caso aqui.....acho) , os rabulas de paleto´bem cortado se irmanam nas lambanças de seus crientes mandando as favas a verdadeira Justiça e o desacreditado bom senso.
Defender é um direito basilar mas "esquentar" via judicial bandalheiras diversas é simplesmente insuportável apesar de que fica a impressão de que vários optam por enveredar por este lucrativo e fedorento caminho.

Proxima reunião de desagravo certamente será no parque Gatorland na Florida onde todos poderão junto a seus pares , verter genuínas lagrimas de crocodilo em apoio aos colegas.
Ah Brasil, ate quando teremos que aturar essas coisas ????

Defesa sim. Condescendência moral não!

MARCELO ALVES ()

Sou Advogado e atuo na seara criminalista e a primeira pergunta que faço em qualquer situação - seja em uma delegacia de polícia, presídio ou mesmo no local dos fatos - quando vou atender um cliente é saber se ele cometeu (ou não) o fato, ou conjunto de fatos que lhes são reputados. A resposta é bem simples: Sim ou não, e da sinceridade dessa primeira resposta é que determino a viga mestra do meu trabalho.
Assim, penso estar agindo com ética e com respeito à sociedade, aos meus clientes e a mim mesmo.
Não conseguiria me ver como Advogado se não fosse assim.
Digo isso porque também respeito os Advogados que atuam na defesa do ex presidente Lula e de todos os demais envolvidos no lodaçal de corrupção que, a não ser que a História esteja equivocada ou que estejamos todos loucos, conseguiu realizar uma sangria no dinheiro do contribuinte, um engodo eleitoral e uma traição à Republica (e à pátria) dantes nunca vista.
Respeito-os como colegas e até como parentes (...), mas não posso de sentir qualquer orgulho, como cidadão e como Advogado, quando vejo a Advocacia sendo invocada como escudo à impunidade.
A defesa do réu não pode ser escárnio aos mais caros e elementares valores republicanos, detre os quais destaco a vergonha na cara e se não fosse, necessariamente, a falta de vergonha não cara, muitos dos envolvidos nos fatos recentes, após suas eventuais condenações, não deveriam passar alguns anos atrás das grades e pagar multas com recursos que nem mesmo lhes pertencem.
Provavelmente alguns deveriam receber penas de prisão perpétua ou mesmo de morte e isso se o atual Ordenamento Jurídico já tivesse recebido as pontuais alterações - inclusive uma nova Constituição - onde a ideia de direitos humanos não fosse subvertida como é na atualidade.

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