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Atentado na ditadura

Comissão da verdade culpa Exército por morte de secretária da OAB em 1980

A secretária da Ordem dos Advogados do Brasil Lyda Monteiro foi assassinada, em 27 de agosto de 1980, por agentes do Centro de Informação do Exército ao abrir uma carta-bomba, afirmou, nesta sexta-feira (11/9), a Comissão Estadual da Verdade do Rio de Janeiro, vinculada ao governo do estado. A correspondência era endereçada ao então presidente da entidade, Eduardo Seabra Fagundes, mas foi aberta por Lyda, secretária dele. Na época, a Ordem denunciava desaparecimentos e torturas de perseguidos e presos políticos.

Com base em depoimentos de testemunhas, fotos e retratos-falados, a comissão identificou a participação do sargento Magno Cantarino Motta, codinome Guarany, que entregou a bomba pessoalmente na sede da OAB, o sargento Guilherme Pereira do Rosário, que confeccionou o artefato, e o coronel Freddie Perdigão Pereira, que coordenou a ação. Guarany é o único aidna vivo.

A elucidação do caso foi possível após a identificação de uma testemunha ocular que trabalhava na OAB quando ocorreu o atentado. No entanto, para preservar a fonte, a comissão não vai divulgar nomes. "Pelo nosso compromisso com a testemunha e com a família, a única coisa que podemos dizer é que ela é testemunha ocular. Ela estava presente no quarto andar quando o Magno Cantarino, o Guarany, foi lá levar a carta-bomba", disse Wadih Damous, deputado federal que presidia a Comissão Estadual da Verdade, durante as investigações.

Ao longo de 2014 e 2015, a comissão procurou o sargento Guarany, que ainda mora no Rio, mas ele se recusa a dar depoimentos sobre o período.

Peso aliviado
O filho da secretária Lyda, Luiz Felipe Monteiro, disse que o desfecho do caso é um alento, 35 anos depois de ações do Estado terem impedido uma investigação justa sobre a morte da mãe dele.

"A verdade está devidamente contada, e a história, restabelecida. Tirei o maior peso que jamais imaginei que conseguiria carregar", desabafou. "Vi meus filhos mais velhos estudarem o atentado da OAB no ensino médio, porém, não havia desfecho nos livros escolares. Agora, os pequenos terão a história completa, com todos os elementos devidamente registrados", completou ele, que tem filhos de cinco e oito anos.

Apesar do reconhecimento pelo Estado brasileiro de que a morte de Lyda ocorreu em função da perseguição do regime militar a ativistas políticos, Luiz Felipe Monteiro não abre mão de um pedido de desculpas do ministro da Defesa e dos comandantes das Forças Armadas. "Esse pedido não é só para mim, mas para toda a nação por esse odioso atentado."

Relação com o Riocentro
Os agentes militares que participaram da ação contra a OAB são os mesmos envolvidos no fracassado atentado à bomba ocorrido em 1° de maio do ano seguinte, no estacionamento do Riocentro, durante um show com cerca de 10 mil pessoas, em comemoração ao Dia do Trabalho. No episódio, o sargento Rosário morreu quando a bomba que seria lançada sobre a multidão explodiu em seu colo, no carro onde estava. À época, o governo atribuiu a explosão a militantes de esquerda, versão esclarecida anos mais tarde.

"A OAB tinha um papel importante na defesa dos direitos humanos e restauração das liberdades democráticas", disse Rosa Cardoso, presidente da CEV-Rio, ao ler o relatório com revelações sobre o caso. "Para intimidar a entidade, o grupo que agia sob o comando do CIE iniciou uma série de atentados que tiveram como alvo parlamentares de oposição, bancas de jornais, jornais e entidades." Com informações da Agência Brasil.

Revista Consultor Jurídico, 11 de setembro de 2015, 17h26

Comentários de leitores

3 comentários

Eficiência Seletiva

CesarMello (Advogado Sócio de Escritório - Empresarial)

Eu fico realmente impressionado como alguns órgãos estatais (ou semi) conseguem desvendar, sem sombra de dúvidas, crimes cometidos há mais de 25 anos, mas não conseguem descobrir quem é o chefe do mensalão E do petrolao, quem matou Celso Daniel, o que aconteceu com o avião de Eduardo Campus e nem quem matou o seu José ou a Dona Maria em plena luz do dia.
Seria uma eficiência seletiva ou pura fraude mesmo?

prefiro o programa do Ratinho , e bem mais serio

hammer eduardo (Consultor)

A tal "rigorosa apuração" dos fatos pode ate ser verdade e de qualquer maneira antes que as "senhoritas nervosas" tenham ataques histéricos e errem no uso do batom , deixo aqui bem claro ser inaceitável qualquer forma de terrorismo , seja de estado ou não.

Meu questionamento sempre foi em cima desta pseudo comissão da "meia verdade" pois começou com um bando de esquerdopatas de titulo bonito na parede porem tendo o cuidado cirúrgico de não incluir ninguem do "outro lado" , sendo assim já nasceu oca de credibilidade apesar dos ditos "notáveis" em sua composição.

A Lei de Anistia foi conseguida a duríssimas penas para que alguns anos depois estes verdadeiros "bucaneiros de ocasião" apareçam do nada e venham com a pretensão de gritar que não vale o que foi escrito mediante ACORDO devidamente homologado.

Me lixo solenemente para os nomes de "peso" que a compõe , nada mais são do que reles participantes de uma belíssima farsa bem de acordo com o atual período de "politicamente correto" tão ao gosto da manipulação de corações e mentes em voga , desde que afinados com o esquerdismo bolivarianista de plantão. Realmente com farsas deste calibre , prefiro o Programa do Ratinho que é muito mais serio , sem descartar é claro , que a investigação informada tenha resultados verdadeiros o que tenho duvidas , processar velhos decrépitos e culpar defuntos é sempre muito fácil. Que nojo !

Puro terrorismo

Zé Machado (Advogado Autônomo - Trabalhista)

Terrorismo do Estado, ainda que ilegitimamente estabelecido pelos forças militares.

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