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Exigência arbitrária

Justiça Federal suspende obrigação de informar planejamento tributário ao Fisco

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Não se pode presumir, de forma automática, que o contribuinte que atrase ou não entregue declaração de planejamento tributário à Receita Federal tenha se omitido dolosamente com o intuito de sonegação ou fraude, como estabelece a Medida Provisória 685/2015. Se o Fisco suspeitar dessas condutas, deve prová-las antes de aplicar multa de 150% e pedir que o Ministério Público Federal investigue prática de crime. Além disso, a obrigação de informar previamente suas estratégias ao órgão viola princípios constitucionais da ordem econômica ao não permitir que pessoas e empresas conduzam seus negócios da forma que quiserem.

Com base nesse entendimento, a 4ª Vara Federal Cível de São Paulo concedeu liminar em mandado de segurança impetrado pela Maquimasa do Brasil Indústria e Comércio e suspendeu a obrigação de a empresa entregar a declaração de planejamento fiscal exigida pela MP 685/2015 até 30 de setembro.

Na ação constitucional impetrada contra o delegado da Receita Federal do Brasil de Administração Tributária em São Paulo, a companhia alegou que a norma é ilegal e inconstitucional devido à presunção de dolo do contribuinte e ao desrespeito a princípios da ordem econômica e financeira.

Em sua decisão, a juíza federal Raquel Fernandez Perrini afirmou que não se pode presumir o dolo do contribuinte quando este atrasa ou não entrega a declaração de planejamento tributário, especialmente pelo fato de a MP 685/2015 usar termos vagos para definir as estratégias que devem ser informadas. Isso porque, segundo ela, “o ordinário se presume, e o extraordinário deve ser provado”.

Raquel também declarou que “o planejamento tributário, desde que concebido nos limites da ordem jurídica, é procedimento legítimo, dado que é capaz de gerar legalmente uma redução da carga tributária incidente sobre a atividade empresarial”. Dessa forma, ela analisou que a obrigação de o contribuinte consultar o Fisco sobre atos ou negócios jurídicos ainda não executados suprime a livre condução de seus negócios e, por isso, desrespeita as garantias da livre iniciativa, da livre concorrência e da propriedade privada.

A juíza federal ainda apontou que a MP 685/2015 não cumpre os requisitos de urgência e relevância, uma vez que o objetivo dela foi regular o parágrafo único do artigo 116 do Código Tributário Nacional (que autoriza a Receita a desconsiderar atos de elisão fiscal), e esse dispositivo está em vigor desde 2001.

Nesses aspectos, Raquel reconheceu a presença da “fumaça do bom direito”. Já o “perigo da demora”, a seu ver, se verifica pela obrigação de a Maquimasa ter que informar seu planejamento tributário ao Fisco até 30 de setembro. Com o atendimento aos dois requisitos, a juíza deferiu a liminar e suspendeu a exigência imposta pela MP 685/2015.

Clique aqui para ler a íntegra da decisão.
MS 0016111-48.2015.403.6100.

 é repórter da revista Consultor Jurídico.

Revista Consultor Jurídico, 2 de setembro de 2015, 14h27

Comentários de leitores

1 comentário

Regime de Exceção - Ditadura do Fisco

JALL (Advogado Autônomo - Comercial)

Decisão lúcida e correta da Juíza Federal que se opôs à invasão indevida do Fisco nos negócios particulares, obrigando que se revele estratégias de negócios que não se constituem fraude fiscal ou sonegação. No limite essa MP enlouquecida poderá encerrar a famosa campanha sob o patrocínio da UNESCO da CRIANÇA ESPERANÇA da Rede Globo que comprovadamente tem resultados altruístas porque tem viés de planejamento tributário e o patrocinador deduz a arrecadação do seu imposto de renda os valores das contribuições dos telespectadores que encaminha ela, a TV GLOBO à UNESCO. Espera-se que em nome de uma economia de mercado em que todas as contas devam se fechar, em tese, os órgãos confiscatórios do Estado respeitem os limites constitucionais da liberdade e privacidade dos negócios partindo-se do princípio que ninguém pode ser punido por ser presumido culpado. Mas parece que o país foi tomado por uma sanha fascista de justicialismo radical que a nada respeita. É a Babel. Quantos juízes mais terão a lucidez dessa magistrada iluminada?

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