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Política de Ordem

Debate entre presidenciáveis da OAB-SP tem tom de conversa entre amigos

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Uma conversa descontraída e amistosa, como uma reunião entre amigos. Assim pode ser resumido o debate entre os candidatos de oposição da seccional paulista da Ordem dos Advogados do Brasil. Cinco dos seis postulantes ao cargo de presidente estiveram presentes nesta quarta-feira (11/11), no auditório da Folha de S.Paulo, no centro de São Paulo, para apresentar suas propostas. O atual presidente e candidato à reeleição, Marcos da Costa, não compareceu, alegando compromissos de campanha.

Ausência de Costa contribuiu para o clima de conversa entre oposicionistas.
ConJur

A ausência de Costa contribuiu para o clima de conversa. Os cinco oposicionistas trataram-no como alvo em comum e quase não se atacaram, apenas repetiram suas propostas a cada oportunidade que tinham.

As brincadeiras entre eles e as conversas ao pé do ouvido, principalmente entre Ricardo Sayeg, da chapa OAB para Valer, e João Biazzo, da chapa Inova OAB, eram constantes. Sergei Cobra e Hermes Barbosa também conversaram somente entre eles em algumas ocasiões.

Candidato ficou todo o debate exaltando o número de sua chapa.
Reprodução

Anis Kfouri, apesar de estar em uma das pontas da fila de cadeiras paralelas, também participou ativamente da descontração, fazendo brincadeiras sobre o lema de seu grupo político (Orgulho de ser advogado) e seu número de chapa.

Outro ponto que levou a plateia ao riso foi a questão dos gastos de campanha. Questionado sobre o tema, Hermes Barbosa afirmou ser um dos mais "pobrinhos", junto com João Biazzo. Mas depois que Biazzo afirmou ter gasto R$ 350 mil em sua campanha até o momento, Barbosa o "excluiu do grupo dos pobrinhos". "Eu não tinha ideia desse montante. Para vocês verem como sou ruim de aritmética", disse o presidenciável do grupo Hermes-Oposição.

Hermes disse se considerar o candidato que gastou menos na campanha.
Reprodução

Em outro momento do debate, Hermes, ao afirmar que a Caixa de Assistência dos Advogados de São Paulo (Caasp) não possui uma farmácia aparelhada, levou novamente a plateia às gargalhadas. "Colocam meia dúzia de colírio Moura Brasil em uma prateleira e chamam aquilo de farmácia", ironizou.

Mesmo com os problemas de áudio enfrentados, e pequenos prolongamentos das respostas depois do tempo estipulado pelas regras, o evento ficou dentro período previsto, também graças à ajuda de Biazzo. O advogado estava sempre atento ao cronômetro, muitas vezes avisando ao mediador, Mario Cesar Carvalho, que os minutos destinados aos oponentes já havia se esgotado.

Confraternização da advocacia
O clima de "festa" começou logo na porta do jornal Folha de S.Paulo, quando os integrantes de chapa de todos os candidatos confraternizavam e faziam piadas mútuas sobre seus presidenciáveis e sobre a ausência de Marcos da Costa. Durante o debate, Anis Kfouri afirmou que a presença ou ausência do atual presidente não mudava em nada o debate, pois as duas opções teriam o mesmo resultado, sendo o silêncio a marca da atual gestão.

Sayeg (foto) homenageou Hermes Barbosa em uma de suas falas.
Divulgação

O evento também contou com uma homenagem inusitada a Hermes Barbosa, que partiu de Ricardo Sayeg. O candidato elogiou o fato de o presidenciável da Hermes-Oposição, mesmo com 67 anos, ainda percorrer o estado buscando ajudar a advocacia. "Essa é a última eleição que disputamos separados", brincou.

Em suas considerações finais, Barbosa agradeceu as palavras e, ao estourar o tempo permitido e ser avisado pelo mediador, afirmou que tinha o direito, por ser o mais velho. "O adicional é pela idade", disse em meio a risadas.

Saindo pela tangente
Apesar do bom clima, o conteúdo do debate não foi o esperado pela plateia. Convidados saíram do auditório afirmando que o debate foi enfadonho e modorrento.

Sergei Cobra tinha o maior número de convidados presentes no debate.

Em muitas das perguntas, os candidatos preferiram repetir suas propostas exaustivamente ao invés de ir diretamente ao assunto. Quando questionados sobre seus planos para enfrentar os desmandos dos tribunais e do Ministério Público, ou perguntados como melhorariam a gestão da OAB-SP, os presidenciáveis se limitavam a criticar a atual administração e citar enunciados de suas plataformas de campanha.

Quando questionados sobre o projeto de lei que dificulta o acesso ao aborto legal em casos de estupro, todos afirmaram que são contrários ao projeto. "Essa situação é delimitada pelo Código Penal", explicou Sergei Cobra.

Biazzo lembrou a plateia que seus adversários já participaram de gestões do mesmo grupo político que agora criticam.
Divulgação

Biazzo usou a pergunta para ressaltar que, independente do tema, a OAB precisa ouvir a advocacia por meio do conselho antes de tomar qualquer partido. "O contra faz parte", argumentou. O candidato também foi o autor de uma das poucas alfinetadas ocorridas no evento.

João Biazzo lembrou que, apesar de todos os outros presidenciáveis se declararem de oposição, seus adversários participaram de administrações anteriores que pertencem ao mesmo grupo político da atual. "Depois reclamam do Marcos da Costa", disse.

Nem tudo são flores
Em qualquer evento com um número considerável de pessoas há imprevistos e falhas dos organizadores. Isso ocorreu com 26 correligionários de Sayeg, que foram barrados na porta do jornal apesar de terem se cadastrado. Houve um princípio de confusão entre partidários do candidato, integrantes de outros grupos políticos e a segurança.

Com o fim do evento e a saída de todos os presentes do prédio, o que se viu foi o retorno do diálogo descontraído e o oferecimento de "santinhos" entre rivais. Ao contrário do que é comum às festas de lançamento de chapa — em que há ônibus e vans levando a militância —, na porta da Folha de S.Paulo havia um desfile de carros importados, entre eles, Mercedez, Corollas e utilitários (SUV).

 é repórter da revista Consultor Jurídico.

Revista Consultor Jurídico, 12 de novembro de 2015, 14h28

Comentários de leitores

12 comentários

Advogados - iv

O IDEÓLOGO (Outros)

O advogado, aponta, novamente, Roberto A. R. de Aguiar, "Vive contradições e paradoxos que dificultam o enfrentamento profissional do mundo. Grande parte dos advogados é pobre, mas tem de viver segundo padrões materiais e sociais consentâneos com a imagem que os advogados pensam que a sociedade tem deles. Esse problema pode gerar vidas difíceis e tensas, sempre esperando que uma grande causa venha iluminar suas vidas e decretar sua aposentadoria gloriosa. Os profissionais que têm esse entendimento encastelam-se no individualismo, até mesmo para esconder suas carências e não participar dos movimentos reivindicatórios e das lutas por novos direitos da classe a que pertencem. Conseguem com isso implementar uma dupla alienação: a do desconhecimento do Direito vivo e a da não participação na consciência e nas lutas de sua classe. É um exemplo de ausência de "consciência para si" (in "A Crise da Advocacia no Brasil, p. 140).
A Ordem dos Advogados do Brasil - Conselho Federal e as unidades estaduais patrocinam cursos com o escopo de aparelhar os advogados para as novas necessidades do mercado de trabalho. Entretanto, este se mostra restrito, confinando os mestres e doutores a brutal competição, que permite, somente, àquele com boas relações com os poderes constituídos chances reais de sucesso, dentro de uma sociedade na qual a qualidade das amizades permite desfrutar de uma situação na qual a grande maioria não conseguirá atingir.

Advogados-iii

O IDEÓLOGO (Outros)

a exploração, transformando os grandes escritórios em agentes do grande capital, que o próprio Karl Marx não hesitaria em criticar.
O papel de protagonista nas mudanças sociais, diante do próprio universo do advogado, restrito ao mundo do dever-ser, esquecendo-se das influências da Antropologia, Sociologia, Filosofia, Biologia, Economia, Linguística e Computação nas relações sociais, aniquila a sua importância, tornando-o mero caudatário, retardado, dos eventos, os quais não consegue captar.

Marcel - Acadêmico

Advogados - ii

O IDEÓLOGO (Outros)

em nível das práticas jurídicas. A exegese normativa continua a ser do senso comum, embora às vezes, receba nomes pomposos. No fundo, é um arranjo tópico, pior ou melhor fundamentado, para justificar uma pretensão, nem mesmo se lembrando que Viehweg trabalhou a fim de dar armas a essa categoria de interpretação (in A Crise da Advocacia no Brasil, p.32-33).
O referido jurista aponta que o generalismo da formação, a ambiguidade de valores e a estreiteza do textualismo desembocaram na superficialidade. Os trabalhos jurídicos tendem a ser genéricos no fundamento e detalhistas no âmbito normativo. Acrescenta que os advogados integram uma categoria alienada, visto que, apesar de as condições de trabalho se revelarem adversas para a categoria dos advogados, ela não se mobiliza com tanta facilidade, pois as marcas individualistas e voluntaristas são difíceis de se remover. Assim, a categoria dos advogados corre o risco de alhear-se de si mesma, não conseguindo articular uma consciência para si, mesmo em condições objetivas propícias.
A análise se revela assaz crítica. O art. 133 da Carta Política garante mercado ao advogado, permitindo a sua interferência, direta e exclusiva, no aparelho de Justiça, transportando os atritos dos membros da comunidade para uma solução imposta pelo Estado. Entretanto, os candidatos à Presidência da OAB/SP não apresentam compromisso com a alteração do "status quo", pouco se importando na transformação da relação com os poderes constituídos, com destaque ao Poder Judiciário, e com as condições de trabalho aviltantes que os inscritos recentes em seus quadros enfrentam rotineiramente. Certas práticas, extremamente, criticáveis predominam nas relações entre os próprios advogados, fazendo prevalecer entre aqueles que utilizam os

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