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Troca de lados

Mudar do MP para a advocacia traz vantagens, dizem profissionais

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Streck e Medina Osório afirmam que conhecimento do MP ajuda na advocacia.

O promotor acusa e o advogado defende, ensinam as lições primárias de Direito. No entanto, quem acusa num dia, pode defender no outro. É o caso dos advogados Lenio Streck e Fábio Medina Osório — ambos gaúchos — que já foram membros do Ministério Público. Streck passou 25 anos na carreira, Medina Osório ficou 15. Os dois acham que isso traz vantagens para os escritórios de advocacia que montaram posteriormente.

“O conhecimento sobre boas técnicas acusatórias ou investigativas me ajuda tanto na defesa de clientes como no ataque”, diz Medina Osório, que acredita haver um espaço cada vez maior para a advocacia acusatória e investigativa. Ele aponta também uma melhoria no estilo de vida, “pois o advogado possui uma liberdade maior, que permite trabalhar em casos de todo o país, na Justiça Estadual e na Justiça Federal — algo impossível para membros do MP”.

Lenio Streck diz que, mais do que 25 anos de Ministério Público, ganhou credenciais por ter passado duas décadas e meia praticando o Direito. Ele afirma não saber ainda ao certo o que o setor privado reserva para ele, uma vez que se aposentou recentemente. “Em alguns pareceres que exarei recentemente, posso dizer que não me arrependi de trilhar esse novo-velho caminho.”

Os próprios clientes, ao procurarem os advogados, apontam o histórico deles no Ministério Público. “É inescapável isso”, diz Streck, antes de citar o escritor espanhol José Ortega y Gasset: “Eu sou eu e minha circunstância”. Medina Osório diz que os clientes buscam sua visão estratégica, aliada ao embasamento intelectual, de quem conhece, por exemplo, os métodos de negociação do MP ao firmar Termos de Ajustamento de Conduta (TACs) e o funcionamento da polícia.

No entanto, nem tudo são flores. Streck aponta que tudo parece ser mais complicado para o advogado. “Como procurador de Justiça, não dependia de petições eletrônicas, prazos de resposta ou até mesmo interpor os malsinados embargos”, explica.

Outro problema é saber lidar com o preconceito que a sociedade apresenta em relação a advogados, pelo desconhecimento sobre direito de defesa. “Muitos imaginam que o Ministério Público é composto por ‘heróis’ e que advogado defende ‘bandidos’. Até hoje, não é raro observar pessoas com aparente nível intelectual afirmarem coisas bobas, como: ‘o dinheiro da corrupção é que financia a defesa dos corruptos e abastece os honorários dos advogados’. Algo tão estúpido se pode ler ou ouvir de pessoas esclarecidas, que manifestam, consciente ou inconscientemente, seu preconceito e sua ojeriza ao trabalho advocatício, criminalizando-o”, reclama Medina Osório.

O caminho de Streck e Medina Osório, de ir para o mercado depois de ter feito carreira no MP não é trilhado por muitos. A carreira pública é muito prestigiada e valorizada, apontam. Financeiramente, no entanto, parece valer à pena. Streck ainda está na expectativa do crescimento de seu escritório Streck, Trindade & Rosenfield. Medina Osório, há mais tempo usando a beca de advogado, é direto: “Existe, sim, uma significativa mudança financeira. Mas o dinheiro não pode ser o norte de quem pensa uma nova carreira”.

 é chefe de redação da revista Consultor Jurídico.

Revista Consultor Jurídico, 4 de abril de 2015, 9h30

Comentários de leitores

4 comentários

Super advogado

José Antônio Guimarães Fraga (Advogado Autônomo - Civil)

Na minha visão, com raríssimas exceções, clientes que contratam ex-membros da magistratura e do ministério público como advogado buscam, na verdade, a contratação de um super advogado, ou seja, um advogado ex-juiz e um advogado ex-promotor, que garantirá, através de seu currículo, através dos cargos ocupados, o resultado por eles almejado.
Esse fenômeno acontece no Brasil em razão da idolatria que nosso sistema político-jurídico destina a tais figuras, algo inconcebível, que deve ser urgentemente revisto e repensado.
De igual modo deve ser repensado e rediscutido o acesso de advogados e membros do ministério público aos tribunais através do quinto constitucional, na medida que a fórmula hoje adotada desprestigia, e muito, o acesso de bons e vocacionados nomes às nossas cortes.

“É inescapável isso”

WLStorer (Advogado Autônomo - Previdenciária)

"Até hoje, não é raro observar pessoas com aparente nível intelectual afirmarem coisas bobas, como: ‘o dinheiro da corrupção é que financia a defesa dos corruptos e abastece os honorários dos advogados’. Algo tão estúpido (...). Estúpido é querer que eu acredite que eu tenho um "aparente nível intelectual". Eu tenho um concreto nível intelectual e afirmo, com certeza, que o dinheiro de qualquer tipo de crime, seja corrupção, tráfico de drogas etc. paga a defesa dos advogados. “Como procurador de Justiça, não dependia de petições eletrônicas, prazos de resposta ou até mesmo interpor os malsinados embargos”. Explico eu: é aí que se justifica e por tal motivo “Existe, sim, uma significativa mudança financeira".

Desrespeito ao Advogado

Ariosvaldo Costa Homem (Defensor Público Federal)

Como advogados vão sentir na pele, de maneira mais branda em razão do cargo que ocupavam, o que é ser desrespeitado diuturnamente pela magistratura e pelo MP. DPF aposentado.

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