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Função chave

Submetido a metas em empresas, advogado já é cobrado como executivo

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A necessidade de os profissionais do Direito buscarem cada vez mais conhecimento sobre o negócio que defendem transformou advogados em verdadeiros executivos jurídicos. Hoje, o advogado precisa conhecer sobre finanças, contabilidade e gestão de pessoas. E mais: tem metas de resultado pelas quais é cobrado tanto quanto os gestores. 

O debate foi travado na maior feira jurídica da América Latina, a Fenalaw 2014, que acontece em São Paulo. 

“O advogado de escritório que presta serviço para um departamento jurídico de empresa precisa entender como essa estrutura funciona”, afirmou Thiago Tagliaferro Lopes, superintendente jurídico da Rodobens. Ele participou do painel “Novas Configurações do Departamento Jurídico” ao lado do diretor-jurídico na Netshoes, Flávio Franco (foto ao lado), e o diretor tributário da Telefónica/Vivo, Vasco Gruber Franco (foto abaixo).

A avaliação é a mesma de Ricardo Zangirolami , vice-presidente da Hewlett-Packard para América Latina e Canadá. Ele afirma que os departamentos jurídicos estão cada vez mais integrados ao negócio e fazem parte dos processos de decisão. “Isso vai demandar cada vez mais do profissional um perfil de advogado e executivo”, disse no primeiro dia do evento, nesta quarta-feira (15/10).

Além disso, o papel do advogado na empresa deixou de ser apenas um apoio para se tornar suporte efetivo de todas as áreas. Lopes aponta para a necessidade de criação de um comitê de contingência que permita a discussão sobre todas as demandas e passivos financeiros que a empresa seria obrigada a pagar decorrente de ações judiciais ou processos administrativos.

Mesmo com as novas funções que assumiu no negócio, o profissional continua tendo de se preocupar com os riscos jurídicos existentes. “É preciso alinhar com o departamento financeiro quais são os próximos casos que vão gerar algum tipo de impacto em resultado ou em caixa. Essa antecipação do problema evita surpresas”, diz Lopes.

Além do papel de “especialista em negócios”, o vice-presidente jurídico da Mastercard, Paulo Pinotti (foto), aponta outros desafios para quem trabalha com departamento jurídico. O primeiro deles é o equilíbrio entre a questão orçamentária e a demanda. “O que temos na parte de contencioso não existe com essa magnitude em outro país. A gente tem de fazer cada vez mais com menos”, disse. O segundo diz respeito à melhor maneira de um profissional com formação jurídica gerenciar pessoas e as diferentes expectativas dos membros da equipe. 

Avaliação
Outro ponto no processo de modernização da atividade jurídica é a criação de indicadores e métricas de desempenho. Segundo Lopes, os resultados do advogado passaram a ser acompanhados mais de perto.

“Hoje, o advogado tem meta, assim como o departamento comercial tem meta de vendas, o financeiro tem meta de despesas. Os executivos jurídicos estão cada vez mais envoltos nesse mundo de negócio”, afirmou.

Os métodos de avaliação, entretanto, não são consenso entre os profissionais. Para Zangirolami, o desafio em uma equipe é equilibrar pessoas que tenham alto desempenho com quem tem grande potencial de desenvolvimento. 

Já Pinotti acha muito difícil estabelecer métricas objetivas para se avaliar o trabalho de um advogado, que tem uma natureza de trabalho diferente dos outros profissionais. Para ele outros fatores como “avaliação do cliente e capacidade de entrega para o trabalho” também devem pesar.

 é repórter da revista Consultor Jurídico.

 é editor da revista Consultor Jurídico.

Revista Consultor Jurídico, 15 de outubro de 2014, 17h12

Comentários de leitores

4 comentários

Metas para advogados????

Marco 65 (Industrial)

Advogado de empresa é o profissional que revisa contratos, atua na hora da contratação final e, via de regra, protege a empresa das mil facetas que o mundo dos negócios plantam com intuito de levar vantagem...
Advogado é uma peça importantíssima em qualquer organização empresarial, seja ela grande, média e até pequena...
Mas, daí dizer que tenha que se submeter a metas... francamente.

Quando a advocacia de empresas é mal explicada -2

Citoyen (Advogado Sócio de Escritório - Empresarial)

Se necessário, por volume de ações, contratar um Escritório externo, a ORIENTAÇÃO da LINHA MATERIAL do PROCESSO era da EMPRESA, assim como DELA, em vista das DECISÕES e da JURISPRUDÊNCIA de TRIBUNAIS SUPERIORES, apenas, o LIMITE do ITER PROCESSUAL. Temos que reconhecer que NÃO SOMOS FORMADOS para a ADVOCACIA de EMPRESAS. NOSSA FORMAÇÃO nos faz orgulhosos de VENCER, sem levar em conta tempo e custo, em um processo. Felizmente, TRABALHEI para multinacionais, desde "tenra idade" e, pois, pude compreender e racionalizar o contexto da ADVOCACIA de EMPRESA. Desde o início, fui um entusiasta da ARBITRAGEM. Eu a contratava em todos os contratos de uma empresa de que fosse responsável jurídico, em operações internacionais. Surgida a Lei brasileira, não tive os receios de muitos, e contratei quem poderia ME ajudar a VENCER os DESAFIOS de uma prática, a da arbitragem, que se iniciava. Não me arrependi. Nenhum nó da empresa em que atuava, na época, ficou pendente mais que seis meses. Depois, obtive, com meu Parceiro processual, vitórias memoráveis. E, buscava arbitrar a orientação processual dos diversos escritórios que poderiam atuar para a empresa. Num dado momento, em que a empresa tinha atuação em todo o Brasil, a coordenação era ESSENCIAL. E nenhum escritório DEIXOU de TER um ESTÁGIO, na EMPRESA, lidando com DIREITO do CONSUMIDOR, para que pudesse ser CONVENCIDO de que 1) a empresa buscava qualidade; 2) a empresa tinha controle de qualidade; 3) o produto da empresa era confiável e isso poderia ser sustentado COM CONVICÇÃO, e NÃO como figura de RETÓRICA JURÍDICA. Na INTERVENÇÃO nos NEGÓCIOS, formalização era matéria JURÍDICA e, assim, o JURÍDICO tinha que ANALISAR e RESPONDER. Sempre com observância da LEI. Tudo, simples assim.

Quando a advocacia de empresas é mal explicada.

Citoyen (Advogado Sócio de Escritório - Empresarial)

São cinquenta e três anos de advocacia, dentro dos quais talvez uns trinta como ADVOGADO de EMPRESAS. Nos últimos anos, desde 2002, para ser mais preciso, foi inciada a tendência de MONETIZAR a atividade jurídica. No que me concerne, REFUTEI a ideia e FUI COMPREENDIDO, pelos meus pares de Diretoria ou de Administração de empresa, porque algumas vezes a atividade foi exercida na condição de membro do Conselho de Administração, até para dar lugar a uma necessidade de se terem Diretores. É preciso não esquecermos do disposto no § 1º, do Artigo 143, da Lei das S. A. A ADVOCACIA de EMPRESA, tal como a vejo, está sofrendo DISTORÇÕES, por culpa, estou convencido, dos próprios ADVOGADOS, que se submetem, sem o exercício do necessário convencimento do seu ponto de vista, às metrificações financeiras dos Colegas, administradores. O ADVOGADO de EMPRESA tem muito mais a CONTRIBUIR, na medida em que PODE e DEVE orientar a formalização dos NEGÓCIOS. Os comerciantes, numa empresa, em geral, têm o tino de buscar oportunidades, mas não têm a capacidade de VESTIR as oportunidades. SEMPRE afirmei aos meus Colegas, que na empresa eram "subordinados", que NÃO SE ESQUECESSEM de que ESTAVAM na EMPRESA, por serem ADVOGADOS. Assim, o COMPROMISSO PRIMEIRO era com o seu ESTATUTO PROFISSIONAL e não com o CONTRATO de TRABALHO. Depois, se para a empresa eu era o "chefe", entre NÓS NÃO HAVERIA tal hierarquia. É óbvio que, para empresa, alguns ATOS demandavam minha intervenção, mas isso era "interna corporis". E não aceitei, EXPLICANDO SEMPRE O PORQUE, qualquer imposição que me fizesse contratar ESCRITÓRIOS em que havia pagamentos por tipo de ato jurídico praticado, ou valores irrisórios para acompanhamento de ações. Não fui JAMAIS demitido pela atitude, ao contrário!

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