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Erros e inverdades

No site do STF, Joaquim Barbosa critica reportagem

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O presidente do Supremo Tribunal Federal, ministro Joaquim Barbosa, publicou nesta terça-feira (25/3), no site da corte, carta endereçada ao diretor de redação da revista Época em que critica a reportagem “Não serei candidato a presidente”, veiculada na edição 823 da publicação. Barbosa afirma que o texto contem “erros factuais” e o classifica de “exemplo de jornalismo especulativo e de má-fé”.

Barbosa afirma que recebeu o repórter que escreveu a notícia apenas para cumprimentos e apresentação, sendo que a conversa não se tratava de uma entrevista.

O presidente do STF disse também que está errada a informação dada pela revista sobre o autor do prefácio de seu livro Ação afirmativa e princípio Constitucional da Igualdade. A notícia afirma que ele foi escrito pelo ministro Celso de Mello, decano do Supremo, mas na verdade o autor é Celso Duvivier de Albuquerque Melo, professor e colega de Joaquim Barbosa na UERJ. Duvivier morreu em 2005.

Outro erro apontado pelo presidente do STF diz respeito a sua mãe. A publicação disse que ela trabalhava como faxineira, entretanto, Barbosa afirma que ela sempre se dedicou ao trabalho em casa e ao cuidado e educação dos filhos.

No campo pessoal, Barbosa disse que as “inverdades” são ainda “mais ofensivas”. Ele considerou “deselegantes” e “gratuitos” os adjetivos empregados para descrevê-lo. Chamado de “taciturno”, “áspero” e “grosseiro”, Barbosa afirma que não há fundamentos para a descrição.

Em seu site, a revista Época disse que se pauta pelos princípios editoriais das Organizações Globo e repudiou as acusações de desvio ético e má-fé. A publicação lamentou os erros factuais contidos na reportagem, pelos quais pediu desculpas.

Leia a carta de Joaquim Barbosa:

Carta à revista Época

Sr. Diretor de Redação,

A matéria “Não serei candidato a presidente” divulgada na edição nº 823 dessa revista traz em si um grave desvio da ética jornalística. Refiro-me a artifícios e subterfúgios utilizados pelo repórter, que solicitou à Secretaria de Comunicação Social do Supremo Tribunal Federal para ser recebido por mim apenas para cumprimentos e apresentação. Recebi-o por pouco mais de dez minutos e com ele nao conversei nada além de trivialidades, já que o objetivo estabelecido, de comum acordo, não era a concessão de uma entrevista. Era uma visita de cunho institucional do Diretor da Sucursal de Brasília da Revista Época. Fora o condenável método de abordagem, o texto é repleto de erros factuais, construções imaginárias e preconceituosas, além de sérias acusações contra a minha pessoa.

A matéria é quase toda construída em torno de um crasso erro factual. O texto afirma que conheci o ministro Celso de Mello na década de 90, e que este último teria escrito o prefácio do meu livro "Ação Afirmativa e princípio Constitucional da Igualdade". Conheci o ministro Celso de Mello em 2003, ano em que ingressei no STF. Não é dele o prefácio da obra que publiquei em 2001, mas sim do já falecido professor de direito internacional Celso Duvivier de Albuquerque Melo, que de fato conheci nos anos 90 e foi meu colega no Departamento de Direito da Universidade do Estado do Rio de Janeiro.

Mais grave, porém, é a acusação de que teria manipulado uma votação, impedindo deliberadamente que um ministro do STF se manifestasse. O objetivo seria submeter o ministro a pressões da "mídia" e de "populares". Isso não é verdade. Ofensiva para qualquer cidadão, a afirmação ganha contornos ainda mais graves quando associada ao Chefe do Poder Judiciário. Portanto, antes de publicar informação dessa natureza, o repórter tinha a obrigação de tentar ouvir-me sobre o assunto, o que pouparia a revista de publicar informação incorreta sobre minha atuação à frente da Corte.

No campo pessoal, as inverdades narradas na matéria são ainda mais ofensivas e revelam total desconhecimento sobre a minha biografia. Minha mãe nunca foi faxineira. Ela sempre trabalhou no lar, tendo se dedicado especialmente ao cuidado e à educação dos filhos. O texto, que me classifica como taciturno, áspero, grosseiro, não apresenta fundamentos para essas afirmações que, além de deselegantes, refletem apenas a visão distorcida e preconceituosa do repórter. O autor da matéria não apresenta elementos que sustentem os adjetivos gratuitos que utiliza.

Também desrespeitosa é a menção aos meus problemas de saúde. Ao afirmar que a dor causou “angústia e raiva”, o jornalista traçou um perfil psicológico sem apresentar os elementos que lhe permitiram avaliar o impacto de um problema de saúde em uma pessoa com a qual ele nunca havia sequer conversado.

Outra falha do texto é a referência à teoria do "domínio do fato". Em nenhum momento a teoria foi evocada por mim para justificar a condenação dos réus no julgamento da Ação Penal 470. Basta uma rápida leitura do meu voto para verificar esse fato.

Finalmente, não tenho definição com relação ao momento de minha saída do Supremo e de minha aposentadoria. Muito menos está definido o que farei depois dessa data, embora a matéria tenha afirmado – sem que o jornalista tenha sequer tentado entrevistar-me sobre o tema – que irei dedicar-me ao combate ao racismo.

Triste exemplo de jornalismo especulativo e de má-fé.

Joaquim Barbosa

Presidente do Supremo Tribunal Federal

 é repórter da revista Consultor Jurídico.

Revista Consultor Jurídico, 26 de março de 2014, 17h05

Comentários de leitores

9 comentários

Errei...

Eduardo.Oliveira (Advogado Autônomo)

Não falei da GloboNews.
Errei!
Pensei que outros pudessem ter lido a entrevista com o mesmo D´Avila, publicada aqui no Conjur.
Errei!
Errei!
Pensei que o fato relativo a dois jornalistas fossem de conhecimento de leitores do Conjur; fatos mencionados no mesmo Conjur.
Errei! Ao pensar que mais alguém prestaria atenção na aba "Leia Também", relativo aos dias 22/03 e 23/03...
Errei!
Que ingenuidade a minha!

O.E.O (Outros),

Sérgio Niemeyer (Advogado Sócio de Escritório - Civil)

Não houve deselegância alguma de minha parte. O que há é um melindre exacerbado da sua em receber uma crítica por não ter sabido expor seu pensamento com clareza e de modo adequado para que todos que o lessem o entendessem com o sentido que o sr. pretendeu imprimir-lhe, vezo, aliás, típico da maioria dos brasileiros.
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Devo lembrar-lhe que no seu comentário, alvo da minha crítica, em nenhum momento o sr. teve a preocupação de fazer qualquer distinção entre o jornalista a que se refere a nota expedida pelo min. JB e o jornalista veterano Roberto D’Ávila, nem sequer de esclarecer que a alusão feita a este último referia-se à entrevista divulgada pela Globo News.
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Nada disso. O sr. preferiu a fórmula rasa, superficial e entimemática que, para ser indulgente com o sr., na melhor das hipóteses conduz o pensamento pelos labirintos da ambiguidade que autoriza presumir ter sr. referido ao jornalista Roberto D’Ávila como sendo aquele que produzira a matéria jornalística repudiada pelo min. JB.
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Portanto, sugiro que ao expressar seu pensamento, o faça de modo mais claro, do contrário, não poderá legitimamente cobrar daqueles que o lerem a compreensão daquilo que desejou transmitir.
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Com relação a não saber como lidar com as críticas que se lhe dirigem os que leem seus escritos, aconselho-o a: não divulgar o que escrever; ou aprender a lidar com as críticas dos que com o sr. não concordarem ou não compreenderem o sentido do que o sr. escreveu, seja por uma deficiência do leitor, seja por uma deficiência do escritor. Afinal, a alteridade distingue cada um do outro e o modo como cada um reage aos influxos exteriores.
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Cordiais saudações,
.
(a) Sérgio Niemeyer
Advogado – Mestre em Direito pela USP – sergioniemeyer@adv.oabsp.org.br

tá na chuva...

frank_rj (Outro)

barbosão escolheu um caminho político e midiático para sua atuação. agora aguenta.

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