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Sucesso do retrô mostra que o futuro ainda repete o passado

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O movimento saudosista, ou retrô, na linguagem dos mais modernos, vem emplacando números interessantes para a indústria cultural. Remakes de filmes, coletâneas de álbuns de bandas clássicas ou produtos que revisitam o passado são lançados e relançados, atingindo não só o público que testemunhou esses tempos, mas também aqueles que só ouviram falar.

Segundo publicação da Mashable, em meio a crescente adoção de serviços de streaming de música, como o Spotify e Pandora, os discos de vinil fizeram um retorno financeiro improvável. Enquanto as vendas dos tradicionais compact discs só despencam, as vendas de vinis atingiram níveis recordes, movimentando cifras relevantes para a segmento fonográfico. No Brasil, por exemplo, os sócios da Polysom, única empresa que produz essas bolachas no país, estão rindo a toa, com o bolso cheio, claro. É o típico caso em que o corpus mechanicus faz tanto ou mais sucesso que o corpus mysticum.

E, por falar em cifras, a Disney anunciou recentemente que lançará novo filme da série Star Wars, o de número sete. Diz-se que, entre filmes, desenhos animados, brinquedos, biscoitos e até cerveja, a franquia já movimentou bilhões de dólares. Nunca se lucrou tanto baseado somente em direitos autorais. É o caso de maior sucesso de como arrebatar um grande número de fãs, de todas as faixas etárias. Detalhe: o primeiro filme da série, lançado em 1977, só ingressará em domínio público na segunda metade desse século. Até lá, seus titulares chegarão facilmente na casa dos trilhões de dólares.

Já no segmento fotográfico, a Fuji Film vem dando especial destaque às suas máquinas e produtos que replicam a proposta imortalizada pela marca Polaroid. Mesmo com a existência de tantos aplicativos, lentes e máquinas digitais, ainda existe um filão interessado em negativos, processos de revelação e toda a magia que envolve a arte de fotografar. Até mesmo a Kodak, que não se reinventou, vive hoje das receitas das licenças de suas antigas patentes.

Em meio a badalada revolução tecnológica, dos propalados start ups e lançamento de um gadget atrás do outro, o futuro ainda repete o passado, num museu sem grandes novidades. Basta ser cult.

 é advogado, especialista em Direito Civil pela UERJ e mestre em Inovação, Propriedade Intelectual e Desenvolvimento pela UFRJ.

Revista Consultor Jurídico, 6 de fevereiro de 2014, 13h10

Comentários de leitores

1 comentário

Vintage

Fernando José Gonçalves (Advogado Sócio de Escritório)

Contei meus anos e descobri que terei menos tempo para viver daqui para a frente, do que já vivi até agora. Tenho, portanto, mais PASSADO DO QUE FUTURO e destarte mais lembranças do que esperanças.

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