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Capacitação de servidor

CNJ pede ajustes para que cartórios façam conciliações

O Conselho Nacional de Justiça está avaliando junto à Corregedoria-Geral do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo os ajustes que devem ser feitos no Provimento CGJ 17, a fim de adequar conciliações e mediações extrajudiciais em cartórios com a Resolução CNJ 125, que trata da política de tratamento de conflitos no Judiciário. O texto da CGJ-SP abre espaço para que os cartórios paulistas possam agir como mediadores ou conciliadores nos casos de conflitos que envolvam direitos patrimoniais disponíveis.

Para o conselheiro José Roberto Neves Amorim, coordenador do Comitê Gestor do Movimento pela Conciliação no CNJ, é preciso estabelecer, no texto do Provimento da Corregedoria paulista, que só poderão prestar os serviços de conciliação e mediação aqueles que estiverem capacitados por meio de cursos habilitados e certificados.

Com a medida, os cartórios poderão mediar partilha de bens, inventários, acidentes de trânsito, compra e venda de imóveis, ressarcimento por danos materiais e contratos entre o consumidor, fornecedores ou fabricantes, entre outros. Ficam excluídas mediações em casos de separação, divórcio, inventários, partilhas extrajudiciais e direitos indisponíveis como direito a alimentos de menores, causas de estado e guarda de menores.

Além de São Paulo, o Ceará também autorizou os titulares de cartório a fazer mediação e conciliação extrajudicial. As medidas tomadas pelas Corregedorias-Gerais de Justiça dos dois estados têm o objetivo de reduzir a judicialização de conflitos e fortalecer a política pública de resolução pacífica de conflitos.

No caso do Provimento 12, da Corregedoria de Justiça do Tribunal de Justiça do Ceará, os titulares de cartórios que optarem por prestar esse serviço precisarão de autorização prévia do juiz corregedor. O pedido deve ser acompanhado de documento — emitido pelo Núcleo Permanente de Métodos Consensuais de Solução de Conflitos e Cidadania (Nupemec) do TJCE — que comprove o aproveitamento satisfatório em curso de qualificação em mediação e conciliação.

O aperfeiçoamento dos serviços está em conformidade com a Resolução CNJ 125, que prevê, em seu artigo 2º, “adequada formação e treinamento de servidores, conciliadores e mediadores”. Essa Resolução do CNJ prevê que os cursos de capacitação, treinamento e aperfeiçoamento de mediadores e conciliadores observem conteúdo programático e carga horária mínima estabelecidos pelo CNJ.

Apesar de ter sido questionada pela seccional paulista da Ordem dos Advogados do Brasil, por meio de um pedido de liminar no CNJ, a cautelar foi indeferida e o Provimento 17/2013 entrará em vigor no dia 5 de setembro deste ano. Com informações da Assessoria de Imprensa do CNJ.

Revista Consultor Jurídico, 15 de julho de 2013, 20h38

Comentários de leitores

2 comentários

Reconhecimento da inépcia ou tentativa de aumentar a receita

Eduardo.Oliveira (Advogado Autônomo)

Estava relendo alguns tópicos sobre o tema. Em um deles, já antigo, o comentarista saudava a iniciativa. Segundo ele (um serventuário), os cartórios estavam muito bem preparados para o novo mister, pois seus titulares eram aprovados em um dos mais difíceis concursos.
Pois bem. Então, os servidores das carreiras do Judiciário não são preparados, são ineptos? Então, os juízes não são capazes de conciliar?
Por outro lado, já mencionei o fato sintomático de que muitos juízes estão trocando a toga pelo carimbo, estão passado a ser, como diz a população "donos de cartórios". Não são preparados para conciliar em suas respectivas Varas, mas serão aptos para conciliar mediante cobrança de emolumentos cartorários?
Por ultimo: qual o percentual de ações que tramitam na Justiça de São Paulo, em que uma das partes é beneficiária da AJG? Essas partes, em tese, também terão o direito à gratuidade dos serviços cartorários, certo? E como fica, então, a receita dos cartórios?
Cartórios, exceto diante de questionamentos na Corregedoria ou nas Varas de Registros Públicos, nunca concedem a gratuidade dos serviços. É comum o "pobre" ouvir que não existe o direito de obter isso ou aquilo do cartório "de graça".
Em resumo: um serviço público que deveria ser amplamente acessível - jurisdição contemplando a fase de conciliação - já tão cheio de obstáculos no acesso, agora contará com mais um engodo. Afinal, para o povo, basta sair com um papel carimbado (B.O não criminal de Delegacia, por exemplo) para que tudo tenha "força de lei"...
Mas pergunte ao povo. Ele realmente acha o cartório necessário?

Idéia...

Caio Arantes - www.carantes.com.br (Advogado Sócio de Escritório - Criminal)

Já que a idéia do TJSP (e de outros) parece ser a banalização total da mediação e conciliação, não poupando esforços em evitar ao máximo novas ações judiciais - e sequer se importando com o absurdo jurídico que isso representa (no sentido da efetiva e melhor prestação jurisdicional) - sugiro que homologuem agências dos Correios, casas lotericas, etc..., como "postos de conciliação TJSP". O Judiciário paulista sob a atual gestão, pautada em manobras "comerciais" que não se coadunam com sua essência, vai mal... É o fim da picada!!!

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