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Profissões conflitantes

EUA decide se juiz pode ser comediante

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A Suprema Corte de Nova Jersey começou a julgar, nesta terça-feira (26/2), o caso do juiz que acumula a carreira de magistrado com a de comediante. O juiz Vince A. Sicari, de 43 anos, apelou contra decisão do Comitê de Ética do Judiciário do estado, de 2008, que o proibiu de exercer a profissão paralela. O Comitê Consultivo de Atividades Extrajudiciais manteve a proibição, em 2010, de acordo com a CBS News e o Boston Herald.

Sicari trabalha meio expediente como juiz municipal, por um salário de US$ 13 mil por ano — cerca de US$ 1.083 por mês. Ele argumenta que precisa da atividade extra para sobreviver e que ganha mais dinheiro como comediante do que como juiz, além de ter seguro-saúde. Mas respeita, leva a sério e gosta das duas profissões na mesma medida. Em sua função de juiz municipal em South Hackensack, ele julga casos como multas de trânsito e transgressões cometidas por desordeiros.

No ofício de comediante, que exerce há muitos anos, ele usa o nome de Vince August, para diferenciar de seu nome de magistrado. "No palco, ele nunca faz piadas sobre o Judiciário, sobre juízes e nem mesmo sobre advogados", declarou o advogado E. Drew Britcher, que o representa na Suprema Corte.

"É importante reconhecer que em suas atividades de comediante e ator ele nunca expressa sua opinião", disse Britcher. Para ele, o público consegue distinguir entre o Vince A. Sicari, juiz, e o Vince August, comediante.

Sicari atua em clubes e em programas de televisão da ABC e da Comedy Center. Seus principais assuntos vêm da vida cotidiana, ele diz. Nos últimos dias, por exemplo, ele tenta fazer sua audiência rir dos escândalos envolvendo Lance Armstrong e Oscar Pistorious. Mas sua principal vítima é ele mesmo, uma "criação católica italiana".

Mas o Comitê de Ética e o Comitê de Atividades Extrajudiciais não acham graça. O procurador-geral do estado, Kim Ringler, que representa os comitês, disse à corte que Sicari retrata, por exemplo, personagens racistas e homofóbicos em um show de câmara escondida da ABC, o "What Would You Do?" ("O que você faria?"). E isso pode confundir o público e refletir desfavoravelmente no Judiciário.

"Suas ações depreciam a dignidade da atividade judicial e podem refletir adversamente na imparcialidade do juiz", argumentou Ringler. Para o Comitê, a atividade de comediante pode afetar o Judiciário de diversas formas. "O conteúdo das apresentações do comediante pode levantar suspeitas de tendenciosidade, parcialidade ou impropriedade e pode, de qualquer forma, afetar negativamente a dignidade do Judiciário", de acordo com declarações nos autos.

Sicari, que é afiliado ao Sindicato dos Atores, disse que atuar como comediante é uma boa preparação para exercer a profissão de advogado. "Você tem de pensar e reagir de formas muito rápidas", ele afirmou. À Suprema Corte, ele declarou: "Essa questão é sobre uma pessoa que afeta vidas de formas diferentes, em duas identidades distintas".

 é correspondente da revista Consultor Jurídico nos Estados Unidos.

Revista Consultor Jurídico, 27 de fevereiro de 2013, 13h22

Comentários de leitores

10 comentários

Os incomodados que se mudem

Marcos Alves Pintar (Advogado Autônomo - Previdenciária)

Ora, se alguém não gosta dos comentários de algum comentarista, simplesmente não os leia. Pelo que sei, inexiste qualquer lei obrigando os leitores a lerem todos os comentários nesta Revista Eletrônica, ao passo que a Constituição Federal garante a liberdade de manifestação de pensamento. Por outro lado, se a liberdade de manifestação de pensamento é algo assim tão difícil de ser suportado, que se mude o incomodado para outro país.

Intimidade com vc?

Johnny1 (Outros)

Tá me estranhando?
Estou é de saco cheio de ler seus repetidos comentários "profundos" sobre o Judiciário em geral, sempre depreciativos.
Isso cheira a pura dor de cotovelo.
Aliás, pelo tom deles, ganhar dinheiro como juiz é uma moleza, não é mesmo?
Me poupe.
Ah, não se preocupe que certamente não tenho ninguém em meu círculo de amizades que tenha a menor semelhança contigo.

Sem intimidade

Marcos Alves Pintar (Advogado Autônomo - Previdenciária)

Ora, sr. Johnny1 (Outros), não lhe conheço, e nunca lhe dei qualquer intimidade para que teça considerações sobre o que eu devo fazer ou deixar de fazer. A propósito, nunca em minha vida estive em busca de "boquinha" ou formas fáceis de ganhar dinheiro. Não me confunda com o sr. próprio ou com pessoas do seu circulo de amizades.

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