Consultor Jurídico

Notícias

Você leu 1 de 5 notícias liberadas no mês.
Faça seu CADASTRO GRATUITO e tenha acesso ilimitado.

Fadada ao fracasso

Desembargador critica “cultura do litígio” em ação

Por 

"Absolutamente infundada", "fadada ao fracasso" e "homenagem à cultura do litígio". Esses foram os termos usados pelo desembargador Fernando Foch para classificar uma ação de indenização por danos morais que teve recurso negado pela 3ª Câmara Cível do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro. No caso em questão, uma criança, representada por sua mãe, queria ser indenizada alegando uso de imagem sem autorização em reportagem veiculada no programa RJTV, da TV Globo, e no site do programa, em 16 de setembro de 2009. As imagens gravadas mostravam o estudante ao lado de colegas no portão de sua escola e foram usadas em reportagem sobre a falta de aulas na rede municipal por falta de professores.

O desembargador Fernando Foch, relator, observou em seu voto que não é necessário autorização para a veiculação de imagem de menor em reportagem sobre fato público e que não tenha relação a ato infracional ou processo judicial. Ele aponta que a emissora não cometeu qualquer ato ilícito e não há, portanto, o que ser indenizado. O pedido inicial já havia sido negado pelo juízo da  6ª Vara Cível do Rio de Janeiro e o Ministério Público deu parecer pela improcedência.

A apelação diz que a exibição da reportagem gerou para o menor e sua mãe “sensação de desconforto, invasão e desrespeito, sendo seu direito não querer que sua imagem seja divulgada nos meios de comunicação”. Afirma também que a matéria foi produzida sem autorização da diretora da escola. Além disso, sustenta que a reportagem violou os artigos 17 e 247 e o parágrafo 1º do Estatuto da Criança e do Adolescente (Lei 8.060/90).

O artigo 17 do ECA prevê que o direito ao respeito abrange a preservação da imagem do menor. Já o 247 considera crime a divulgação, sem autorização, de informações de procedimento policial, administrativo ou judicial relativos a atos infracionais de menores — o parágrafo 1º acrescenta que o mesmo vale para a exibição de fotografia de criança ou adolescente na mesma situação.

Ao negar o recurso, o relator do acórdão afirmou que não há dano moral praticado pela empresa porque a reportagem decorreu do exercício do direito-dever de informar e, nesse sentido, retrata a realidade. Ele também aponta que o menor sequer foi identificado.

“Ora, o que a matéria abordou foi fato público, de inegável interesse do Estado, da família e da sociedade, eis dizer respeito a tema relevantíssimo, qual seja a educação, no caso a educação de base de crianças, relegadas ao descalabro da falta de professores na rede pública. A imagem é ilustrativa dessa deplorável ocorrência: meninos sem aula na porta da escola”, escreveu o desembargador.

Ainda segundo Foch, enxergar ilicitude no fato de a reportagem ter sido feita sem autorização da diretora da escola “é pretender que a mídia se sujeite a censura prévia, no caso da Administração Pública, o que a Constituição da República repudia”.

O desembargador conclui que a ação mais parece fazer homenagem ao que chama de cultura do litígio, o que para ele, "assoberba o Judiciário com causas absolutamente inviáveis, propostas como se a Justiça comutativa fosse uma organização lotérica". Foch também diz que é papel do advogado contribuir para a prestação jurisdicional, sendo o primeiro a avaliar o que é possível nas causas que representa.

Clique aqui para ler o acórdão

 é correspondente da ConJur no Rio de Janeiro.

Revista Consultor Jurídico, 26 de agosto de 2013, 17h26

Comentários de leitores

6 comentários

brilhante decisão

Prætor (Outros)

Esta litigância inútil é útil apenas para advogados encherem o bolso com demandas artificiais. O Judiciário deve estar atento a estas investidas e a sociedade brasileira não merece pagar por isto. Se o Brasil forma bacharéis em Direito em excesso, nem o Judiciário, nem o bolso dos contribuintes deve pagar por isto.

Centro de recuperação psicológica

Zé Machado (Advogado Autônomo - Trabalhista)

A exemplo dos policiais militares, juizes estão ficando enfadados de processos em seus altos números. Na justiça Federal isso já ocorreu, precisando os juízes de orientação psicológica. Se desabafo resolvesse o problema! E o princípio da inafastabilidade!

Pesando as consequências

Marcos Alves Pintar (Advogado Autônomo - Previdenciária)

De minha parte, prefiro um cacho de bananas inteiro na cara do que ver minha família exposta ao mundo todo sem a devida autorização. O mundo hoje se transformou em um grande "Big Brother", com consequências nefastas ao cidadão. Uma reportagem na televisão por vezes acaba "caindo" no Youtube e congêneres, servindo não raro para chacotas e toda espécie de violação à intimidade, como se a vida privada fosse algo público. A casca de banana na cara e só jogar no lixo (obviamente que estou a falar de uma casca de banana jogada no âmbito privado). O vídeo que "cai na internet" é algo eterno, ao menos pela tecnologia atual.

Ver todos comentários

Comentários encerrados em 03/09/2013.
A seção de comentários de cada texto é encerrada 7 dias após a data da sua publicação.