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Novas cortes

"Barbosa não poderia suspender criação de TRFs"

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O presidente do Supremo Tribunal Federal, ministro Joaquim Barbosa, não tinha competência para conceder a liminar que suspendeu a Emenda Constitucional 73, que criou quatro novos tribunais regionais federais. Isso é o que sustenta Associação dos Juízes Federais do Brasil (Ajufe) em pedido para ingressar como amicus curiae (terceiro interessado no processo) na Ação Direta de Inconstitucionalidade 5.071, que ataca a emenda que criou os novos tribunais.

De acordo com a Ajufe, o presidente do STF feriu as normas internas do tribunal e não tinha competência para dar liminar em ADI durante o recesso judiciário. “A própria Corte Constitucional, para evitar manobras processuais maliciosas, fixou quais são as ocasiões consideradas urgentes para fins de decisões cautelares no plantão judiciário”, afirma a associação na petição. Entre elas, não está, segundo a entidade, suspender emendas constitucionais.

A associação descreve os critérios fixados na Resolução 449 do Supremo, que rege as hipóteses de concessão de medidas cautelares nos plantões. São admitidas decisões liminares em casos de prisões ou possíveis constrangimentos policiais, além de mandados de segurança. A resolução fixa, por exemplo, a possibilidade de se conceder cautelar em “Habeas Corpus contra decreto de prisão, busca e apreensão ou medida assecuratória”.

“Conforme se percebe, os pedidos de liminares em ações diretas de inconstitucionalidade não são hipóteses apreciáveis em regime de plantão”. A Ajufe sustenta que não bastassem as “irregularidades formais”, não existe qualquer urgência na suspensão da Emenda 73, já que o prazo de sua implementação é de seis meses da data da promulgação pelo Congresso Nacional. “Portanto, inexiste motivo suficiente para a supressão indevida do juízo natural e do devido processo legal nesse caso, impondo-se a cassação da cautelar concedida pela Presidência por manifesta incompetência”, defende a entidade.

Os juízes federais também sustentam que a Associação Nacional dos Procuradores Federais (Anpaf), que propôs a ação contra a emenda, não preenche do requisito da pertinência temática com o objeto do processo. Isso porque a associação é entidade de classe representativa dos procuradores federais e a criação dos novos TRFs em nada afetará a distribuição dos processos entre eles.

“As alegações da autora acerca da suposta afetação da categoria com o advento da Emenda Constitucional 73 redundam escassez de recursos financeiros e operacionais, no entanto, o Supremo Tribunal Federal já decidiu que não basta a mera existência de interesse de caráter econômico-financeiro para reconhecimento de pertinência temática. Assim, ainda que se acreditasse que a criação dos tribunais aumentasse os custos das Procuradorias Gerais da União, tal fato por si só não configuraria a pertinência temática para o caso”, justifica a Ajufe.

A associação dos juízes federais contesta também o alegado vício de iniciativa da proposta que deu à luz a emenda. “A criação de tribunais regionais federais, quando realizada por emenda constitucional, é um processo sincrético que envolve, inicialmente, a sua promulgação e, por fim, a edição de norma cuja iniciativa é reservada ao Judiciário. Ora, foi exatamente isso que ocorreu com os cinco primeiros tribunais regionais federais, vez que inicialmente foram criados por norma constitucional e, após, foram fixados pela Lei 7.727, de 1989, que ‘dispõe sobre a composição inicial [...] e sua instalação, cria os respectivos quadros de pessoal e dá outras providências’.”

Para embasar seu argumento, a entidade cita a Emenda Constitucional 24 de 1999, que alterou a estrutura da Justiça do Trabalho para criar varas, organizar a composição e funcionamento do Tribunal Superior do Trabalho e dos tribunais regionais, e acabou com os chamados juízes classistas. Outro exemplo é a Emenda 45, conhecida como a da Reforma do Judiciário, que criou o Conselho Nacional de Justiça, alterou a composição do TST e extinguiu os chamados tribunais de alçada — seus membros passaram a integrar os tribunais de Justiça.

As duas emendas nasceram que propostas de iniciativa do Poder Legislativo e tiveram a sua constitucionalidade admitida pelo Supremo Tribunal Federal.

Clique aqui para ler o pedido da Ajufe. 

 é editor da revista Consultor Jurídico em Brasília.

Revista Consultor Jurídico, 5 de agosto de 2013, 18h25

Comentários de leitores

13 comentários

Concordo com Barbosa

Cabalistic (Engenheiro)

A criação de mais Tribunais e vagas para Juízes, que se não me engano são quatro, é uma manobra da presidência e explico curtamente o por quê: Quem nomeia os novos ministros ? Resposta: A Presidenta (PT). Por qual motivo ? Para ganhar a maioria no STJ, que é o único poder que ainda eu considero de oposição ao atual governo, porque o resto já foi comprado. Fora PeTralhas !!!!

Não precisamos de mais TRF´s

Graça (Funcionário público)

Realmente, como comentou o sr. Luiz Gustavo Marques, criação de mais TRF´s é a última necessidade dentro da Justiça Federal. Temos como exemplo o TRF 4ª Região: e-proc(processo eletrônico), videoconferência e gestão inovadora fizeram com que fosse o Regional top de linha. E agora, com a criação do TRF da 6ªRegião no Paraná, o TRF4ª terá competência apenas no RS... Por que? Se tudo ia tão bem, por que esse desmembramento? Aliás, a pergunta que não quer calar: a quem serve a criação destes novos TRFs?

Ponto chave da questão

Luiz Gustavo Marques (Advogado Sócio de Escritório - Civil)

Não quero discutir quem é certo e quem é errado, muito menos quem é ou não digno de moral e ética, ou menos ruim que o o outro.
Só entendo uma coisa que ninguém me tira da cabeça.
Quando a CF foi promulgado em 1988, que a maioria dos advogados (aliás quase todos) peticionavam em máquinas de escrever, pois poucos possuíam computadores (lembro que na época eu era novo, mas meu irmão mais velho tinha um pc chamado Hotbit, cujo disquete era do tamanho de um disco de vinil, e eu tinha um impressora que chamava Olívia que era um verdadeiro elefante branco, levava uma hora para imprimir cada folha), havia justificativa para ter não nove TRF´s, mas sim um para cada Estado, além de Distrito Federal, dado que a tarefa dos causídicos em longínquas regiões era das mais inglórias.
Hoje, passados quase vinte e cinco anos, com a internet a todo o vapor, a telefonia móvel que praticamente tornou obsoleta a fixa (eu mesmo sequer lembro de cabeça o telefone de casa), não há o menor cabimento de se criar quatro novos TRF´s em detrimento de se investir na modernização e informatização dos processos judiciais.
Com o processo eletrônico as distâncias são ignoradas com um simples click no mouse.
Até audiências poderiam ser realizadas por conferência virtual.
Não estou dizendo que o sistema não está obsoleto, nem tampouco advogando que não há déficit de pessoal. Pelo contrário, há necessidade de expansão da Justiça Federal, com criação de Câmaras descentralizadas, contratação de mais servidores e Magistrados, como também inauguração de novas unidades judiciárias.
Mas principalmente, há urgente necessidade de investimento em informatização.
De todas as prioridades, a criação de novos TRF´s é a última das últimas, menos para os agraciados com os superfaturamentos.

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