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Coincidências de Brasília

Ministro Gilmar fez bem em divulgar encontro com Lula

Por 

Victor Nunes Leal, que foi ministro do Supremo Tribunal Federal e sacrificado pelo golpe de Estado de 1964, juntamente com Evandro Lins e Silva, era, segundo consta, muito amigo de Sobral Pinto. Não conheci pessoalmente o primeiro, mas estive com o terceiro, o Sobral, este com 75 anos, lá no Rio de Janeiro. Enquanto refiro o trio, vem à memória a figura de Pontes de Miranda, cuja casa visitei enquanto eu era bem moço.

Recordo uma biblioteca muito grande, num quase salão, arquivos e mais arquivos encostados às paredes. O jurista tinha fichários preciosos. Dizia-se que recortava tudo, classificando para uso futuro. Não era para menos, porque escrevera, jovenzinho, Doutrina e Prática do Habeas Corpus, reeditando a obra mais tarde, sem lhe modificar uma linha sequer. Privilégio dos gênios.

A introdução parece não ter relação alguma com o título, mas tem. Victor Nunes Leal não confundia afetos e razões jurídicas. Votava às vezes contra Sobral. O amigo era rabugento. Aliás, morreu aos 98 anos. Não se sabe se os dois brigavam antes, durante ou depois dos julgamentos. Pode ser mentira inteira, ou meia verdade, mas faz parte da vetusta crônica forense.

Surge na imprensa uma fofoca jurídica repercutindo nacionalmente: o ex-presidente Lula teria visitado o escritório do advogado Nelson Jobim, encontrando-se com o ministro Gilmar Mendes e procurando meios de adiar o julgamento do “mensalão”. O próprio ministro Gilmar Mendes teria divulgado o fato, provocando, de acordo com o noticiário, ácida manifestação do decano do Supremo Tribunal Federal, ministro Celso de Mello. Ele teria dito: “Se ainda fosse presidente da República, esse comportamento seria passível de impeachment por configurar infração político-administrativa em que um chefe de Poder tenta interferir em outro”.

Brasília é cidade pequena e repleta de comentários sibilinos. Há na capital federal, faz tempo, restaurantes que sediavam manobras políticas sinuosas e negócios sofisticados. Não se diga o nome de um deles, para não fazer propaganda daquela casa de pasto, bastando dizer que Ulysses Guimarães, sumido num desastre de helicóptero, teve mesa cativa no local.

Não se misturem estalagens grã-finas, o Supremo Tribunal Federal e escritórios de advocacia. Mas há uma certa sintonia em tudo porque, na medida em que a capital federal tem diâmetro pequeno, muitos se encontram em poucos lugares, havendo coincidências não desprezíveis. Daí, certamente, um gabinete profissional ter sido palco de encontro entre um ministro da maior corte da República, outro juiz três vezes ministro, e, por fim, o convalescente Luiz Inácio Lula da Silva.

Às vezes cruzo com um ou outro, incógnito, mas não tanto, na feira de antiguidades do Masp, não tão desconhecido assim, mas o povo, intelectualizado, finge não ver para não incomodar. Isso acontece. Certa vez, jantando numa lanchonete badalada em São Paulo, reconheci antiga atriz de teatro. Aquela senhora comia sozinha. Não havia quem a cumprimentasse. Larguei o guardanapo sobre a mesa e fui lá. Elogiei-a. Ela quase chorou.

A recente regulamentação da chamada “Lei de Acesso à Informação”, diploma legislativo muito mal produzido e dependente, ainda, de conflito judicial a surgir, deve estar servindo de parâmetro à publicização das intimidades. Se assim for, o ministro Gilmar Mendes bem fez ao contar o que aconteceu no gabinete do agora advogado Nelson Jobim.

De tudo isso, resta o ex-presidente Lula sem a barba. É esquisito, mas o depilamento o transformou num homem comum. Perdeu o carisma, ou o equilíbrio. Aconteceu o mesmo em Sansão e Dalila.

 é advogado criminalista em São Paulo.

Revista Consultor Jurídico, 1 de junho de 2012, 5h13

Comentários de leitores

6 comentários

Saida do caixão! Ou: cuidado com a luz do sol "fessô"!

Richard Smith (Consultor)

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Temos aqui mais uma "isentíssima" e luminosa intevenção de nosso caro e inefável "Fessô" PeTralha, fujão, borra-cuecas, mistificador, anticlerical, mentiroso, abortista, infantil, escrôto, covarde, moleque e desrespeitador de mulheres (ufa, hoje estou com tempo e achei oportuno relembrar todo o seu árdua e tenazmente conquistado galardão)!
Bem, quanto aos fatos:
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Jobim, do PMDB, tanto não tem a mínima simpatia dos PeTralhas que virou ministro da Defesa no (des)governo da "Anta Lambanceira" e esta foi até o seu escritório dar um "achaque" chantagista no Ministro Mendes;
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Segundo: Não houve "DESMENTIDO PEREMPTÓRIO" nem de Jobim - o qual, de início, disse que nem havia presenciado toda a conversa! - quanto menos, note-se bem, do ApeDELTA Sem-Dedo, que utilizou o seu "instituto" para a emissão de uma "nota oficial", quando a ele bastaria desmentir Mendes diretamente, "ao vivo e em cores". Suspeito, não (ah, claro que para PeTralhas, não, esqueci...)?!
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Terceiro: o que nas cartilhas "da verdade" semanal emitidas pelo diretório do partido, o assunto antigamente era chamado de "grampos sem FITA", agora, na versão requentada (ôps, "2.0"!) virou "grampos sem ÁUDIO" (ou seja, sem SOM!) o que constitui um oxímoro, uma contradição. Mas PeTralhas lá tem alguma cultura que preste? Nem aquelas de laboratório!
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Quarto: entendo que promovendo uma ampla "desratização" e desinfecção do ambiente, estaremos sim trabalhando pela democracia e pelo bem estar do povo. Certamente.
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Quinto: De "destruição" (e lavagem também, como nos casos de barbalho, sarney, renan, collor, quércia, maluf e muitos e muitos outros "demônios" de outrora e hoje eficientes sabujos, jagunços e serviçais, nunca é demais lembrar) o pt entende, então sobre isso, nada a comentar

Artigo estranho

Armando do Prado (Professor)

O que tem a ver a barba com a atividade política do ex-presidente? Como pode o ministro dos HC's a jato ter esquecido do encontro por um mês? E essa relação suspeita com a Veja que usa de bandidos para fabricar pautas sensacionalistas? E de mais a mais o que um ministro do supremo vai fazer num escritório de um político?
E o que dizer do desmentido perempetório do Jobim que, diga-se de passagem, não tem a simpátia dos petistas, mas é amado pelos direitosos?
É muita mentira do seu ministro, tal como no episódio dos áudios. É muito factóide para tentar destruir reputações. Está na hora de vocês trabalharem mais pela democracia e pelo bem-estar do povo.

Conspiração contra o Estado de Direito

Luís Eduardo (Advogado Autônomo)

Olha esse tipo de reunião, pra se falar do que falou, é conspiração contra o Estado de Direito que, infelizmente, neste país não dá em nada.
Ainda que um dos interlocutores não soubesse o que ia ser falado, deveria ter vindo de imediato a público, e não somente com a desculpa de que querem desgatar seu nome e o Judiciário.
Se fosse num certo país muito criticado pelos esquerdistas de barba, todos os estariam presos por conspiração.

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