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Técnica adversativa

Uso de conjunções pode convencer o Júri, diz professor

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Tribunal do Júri - 13/07/2012 [TJAC]Os advogados criminalistas americanos — e possivelmente seus colegas pelo mundo — concordam que, ao encerrar sua palavra no tribunal do Júri, pode ser uma boa ideia mencionar aos jurados um ou outro ponto fraco de sua defesa, que tenha ficado óbvio durante o julgamento. Segundo eles, se não o fizerem, vão perder credibilidade, o que pode comprometer o caso. Nessas situações, o uso de conjunções adversativas durante o discurso pode ser a chave de uma sustentação oral eficaz. 

O advogado e professor de Direito Elliott Wilcox, que se declara "apaixonado" pelo tribunal do Júri — a ponto de, às vezes, ir julgamentos apenas para assistir —, afirma que há uma técnica para fazer isso: "Comece forte, comente sobre o ponto fraco da defesa no meio e termine forte". A receita, diz, ele já ensinou em faculdades de Direito.

"A atuação do advogado no tribunal do Júri é uma arte, não uma ciência exata", diz Wilcox. "Diferentemente da Matemática ou da Ciência, em que apenas uma reposta correta é esperada, a arte pode produzir resultados completamente diferentes sobre o mesmo assunto. Que o digam Picasso e Dali, que usaram telas, tintas, paletas e pincéis para retratar a forma humana, mas produziram obras bem diferentes", lembra o advogado. Para ele, cada advogado deve desenvolver sua arte e seu estilo, levando em conta que não existe um padrão internacional para a melhor sustentação oral. 

Há boas ideias. Uma delas é fazer as conjunções adversativas — "mas", "porém", "contudo", "todavia", "no entanto", "entretanto" — trabalharem em favor do advogado. Um "mas" depois de uma declaração boa pode ter efeitos devastadores. Vale a comparação com um jantar em que a namorada espera do namorado o pedido de noivado: "Você é a pessoa mais maravilhosa do mundo, 'mas'", diria ele, para logo em seguida trazer a notícia ruim. Em outra situação, se a conversa começar assim: "Você não presta, 'mas'", aí vem notícia boa. Em qualquer das formas, o que vem depois da conjunção adversativa é o que vai ficar na cabeça da pessoa que a ouviu, por muito tempo. 

No tribunal do Júri, um "mas" como prenúncio de más notícias praticamente anula o anúncio que acabou de ser feito sobre um ponto forte da acusação ou da defesa, na cabeça dos jurados. Assim, o professor Wilcox sugere que se abra o discurso com o ponto fraco e que, logo em seguinda, seja desferido um "mas" bem pronunciado em cima dele, para apagá-lo — de preferência, teatralmente expresso, para abrir a mente do jurado. 

Outras conjunções adversativas podem ser aproveitadas no percurso, quando se aproxima a vez do argumento mais forte, que pode ser comparado com um ponto fraco da outra parte. "A acusação (ou a defesa) tentou mostrar que..., 'mas'", seria um exemplo.

Segundo Wilcox, uma conjunção adversativa tem um efeito mais ou menos nesse sentido: "Coloque de lado o que acabei de lhe dizer e considere isso (novo argumento)". A reação, ele afirma, está na natureza humana. Quando a pessoa ouve um 'mas', um 'porém' ou qualquer construção gramatical do gênero, a tendência é esquecer a primeira sentença e se fixar no que vem a seguir. 

"No entanto", essa pode ser uma técnica ruim nas alegações iniciais, diz o professor. A esse ponto, os jurados não sabem nada — ou quase nada — sobre o caso. E o advogado não quer ser o primeiro a introduzir em suas mentes lados ruins do caso ou de seu cliente. Ao contrário, ele quer exercer e maximizar uma forte imagem favorável a seu cliente. 

Ao final do julgamento, ele explica, quando todas as testemunhas já foram ouvidas e todas as provas foram apresentadas, é hora de jogar com as palavras, para transformá-las em armas a seu favor. É preciso lembrar, "porém", que cada caso é um caso. "Não existe bala mágica" para finalizar um julgamento, diz o professor. É preciso ter em conta, apenas, que cada "mas", "porém", "contudo", "todavia", "no entanto" e "entretanto" muda o curso do discurso. Melhor que seja a favor.

 é correspondente da revista Consultor Jurídico nos Estados Unidos.

Revista Consultor Jurídico, 14 de julho de 2012, 8h13

Comentários de leitores

3 comentários

Juri representa a comunidade local

J. Ribeiro (Advogado Autônomo - Empresarial)

Em uma sociedade mais esclarecida, como é em sua maioria a dos EUA, onde os processos são bem mais robustos de provas, com destaque a prova pericial, testemunhal (o perjúrio é realmente crime por lá), não será a eloquência do advogado (muito embora muito ajuda) que ira alterar o resultado. Isso é possível na ausência de provas, na dúvida, etc.
O tribunal do juri ainda é e será cada vez mais necessário e presente quando a sociedade evoluir, com a educação e mudança de mentalidade, momento em que a figura do juiz se limitará apenas e efetivamente a dirigir e proclamar o seu resultado ou veredito.
O futuro indica que a figura do juiz (estado-juiz) em uma primeira instância será representada sempre por uma junta e não mais por uma cabeça apenas.

MAS,

Michel Kusminsky Herscu (Estagiário - Criminal)

É a própria constituição que assegura a competência do Tribunal do Júri, dê uma olhada nela Flávio.

Sinceramente

Flávio Souza (Outros)

Hoje em dia isso não funciona mais. A sociedade e as pessoas que compõem o Tribunal do Juri estão cada vez mais antenadas ao que acontece e a cada dia procurar se esclarecer mais dos fatos, portanto, não se deixa envolver pelas palavras e sim pelas circunstâncias daquilo que está em julgamento e assim firmam seu juizo de valor naquele processo, salvo raras exceções. Para finalizar, se político fosse, certamente que lutaria para acabar com o Tribunal do Juri, afinal a Constituição, feita pelo povo, já outorgou ao Poder Judiciário a incumbência de fazer os julgamentos.

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