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Triângulo amoroso

Juiz ensina homem a mentir quando estiver com outra

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Um homem que se relaciona com duas mulheres tem de aprender a mentir para evitar litígios na Justiça. É fácil. Se ele receber a ligação de uma enquanto está com a outra, basta dizer que está na pescaria com os amigos. "Evita briga, litígio, quiproquó e não tem importância nenhuma. Isso não é crime. Pode passar depois lá no "Traíras" e comprar uns lambarizinhos congelados, daqueles de rabinhos vermelhos, e depois no ABC, comprar umas latinhas de Skol e levar para a outra. Ela vai acreditar que ele estava mesmo na pescaria. Trouxe até peixe. Além disso, ainda sobraram algumas latinhas de cerveja da pescaria...".

Quem ensina como um homem deve enganar uma mulher para evitar litígios desnecessários no Judiciário é o juiz Carlos Roberto Loiola, do 3º Juizado Especial de Divinópolis, de Minas Gerais. Ele analisou um processo de danos morais envolvendo duas mulheres que se relacionam com o mesmo rapaz, todo “saidinho” e metido a “rei da cocada preta”, como disse na sentença.

Para o juiz, decisão judicial é "um trem que todo cabra tem que entender". Na sentença, ele explicou com simplicidade a história do triângulo amoroso e como poderia ter sido o desfecho sem passar pelo Judiciário se o homem fosse um pouco mais astuto.

De acordo com a sentença, uma mulher procurou a Justiça para reclamar por ter levado uma surra da "outra", “com puxão de cabelo e unhada e tudo o mais que a gente pode imaginar de briga de mulher briguenta, dentro de sua própria casa, invadida por ela só porque ela estava com o "Nilson, no bem bom, fato que desagradou a agressora. Quer seus danos morais e não tem conversa de conciliação. Chega de perda de tempo”.

Mas a outra, “esperta, veio acompanhada de advogada porque percebeu que a coisa não está boa para ela não. E a Doutora advogada já despejou uma preliminar de inépcia de inicial e citou muita doutrina e jurisprudência para demonstrar que no mérito a autora não tem razão, porque houve agressões recíprocas”, relatou o juiz na sentença.

Segundo ele, o rapaz que chegou à audiência todo “tranquilo, se sentindo o rei da cocada, mais desejado que bombom de brigadeiro em festa de criança", poderia ter evitado que as duas mulheres com quem se relaciona, fossem parar na Justiça. Para o juiz, o rapaz poderia ter evitado toda a confusão. Mas “nem prá dizer que estava numa pescaria com os amigos! Foi logo entregando que estava com a rival. Êta sujeito despreocupado! Também, tão disputado que é pelas duas moças, que nem se lembrou de contar uma mentirinha dessas que a gente sabe que os outros contam nessas horas só prá enganar as namoradas. Talvez porque hoje isso nem mais seja preciso, como era no meu tempo de pescarias. Novas Leis de mercado."

De acordo com o processo, o rapaz afirmou: “Eu sou solteiro, gosto das duas, tenho um caso com as duas, mas não quero compromisso com nenhuma delas não senhor". Depois de ouvir o rapaz, o juiz achou que ele “estava tão soltinho na audiência, com a disputa das duas, que só faltou perguntar: '-tô certo ou errado?'."

O homem disputado pelas duas figurou no processo apenas como testemunha, já que foi de suas namoradas que exigiu indenização da “outra”. Após todo esse quiprocó, o juiz bem que ia fixar o valor da indenização em R$ 4 mil. Porém, na audiência, a autora da ação chamou a ré de "esse trem". O juiz não tolerou. Decidiu fixar a indenização em R$ 3 mil, considerando que "ela também não é santa não, deve ter retrucado as agressões".

Leia mais aqui para ler a decisão.

 é repórter da revista Consultor Jurídico.

Revista Consultor Jurídico, 27 de abril de 2012, 15h31

Comentários de leitores

10 comentários

Belo ensinamento

João Paulo-MP (Servidor)

Então era só o fulano mentir? Então, para não irem parar nos tribunais é só mentir, isso certamente iria diminuir os acervos das secretarias.
Quando um juiz acha que a verdade não vale a pena, independente do que possa gerar, então o judiciário também não vale.
Nos processos criminais, os quais abarrotam as "céleres" varas era só o advogado instruir o cliente a contar uma mentirinha, e endossar (coisa que só acontece em Bruzundanga), aí o MP finge que acredita, o juiz também e, menos um processo. Oh! far-se-ia então justiça.
É sem noção o comportamento de tal magistrado, de vários pontos de vista: moral, ético, profissional.
Enquanto que para alguns o que vale é o interesse do cliente (INDEPENDENTE DA VERDADE E DO MAL QUE ISSO CAUSOU OU POSSA CAUSAR), para o magistrado parece que o que importa é o número de processos para analisar.
Fosse mais sensato o magistrado intruiria o "bombom" a ser homem!

Fe-be-a-pa jurídico!

Roberto MP (Funcionário público)

Essa decisão passa a constar como pérola do FeBeAPa (plagiando Sérgio Porto)jurídico. A gente merecemo. Como diria o filósofo-sociólogo-propedeuta colecionador de títulos de “doutor honoris causa” (cinco de uma vez): “jurisdicionado sifu” (não é latim não) com sua excelência o magistrado!

Existem casos piores no judiciário

Inácio Henrique (Serventuário)

O problema em questão não é dos mais relevantes para as causas jurídicas e nem será citados por doutos em suas petições iniciais, embora existam alguns que querem julgar o juiz pela poesia literária de sua sentença.
Pior que isso é ver uma investigação sobre fatos ocorridos desde 2001 sobre licitações e ser oferecida
denúncia contra cinco pessoas por uma economia que restou apurada e compravada no valor de R$ 2,30 (dois reais e trinta centavos). Quase 8 anos de trabalho, 12 volumes de processo e o resultado...Uma economia de R$ 2,30 e, ainda sim, a denúncia foi oferecia por infração ao art. 90 da Lei 8666/90. Isso sim é que é ir à beira da loucura processual.
Art. 90. Frustrar ou fraudar, mediante ajuste, combinação ou qualquer outro expediente, o caráter competitivo do procedimento licitatório, com o intuito de obter, para si ou para outrem, vantagem decorrente da adjudicação do objeto da licitação:
Pena - detenção, de 2 (dois) a 4 (quatro) anos, e multa.

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