Consultor Jurídico

Notícias

Você leu 1 de 5 notícias liberadas no mês.
Faça seu CADASTRO GRATUITO e tenha acesso ilimitado.

Exército de paralegais

Podval diz que OAB deve agregar bachareis

Por 

Cerca de 400 pessoas estiveram na noite da última quarta-feira (19/4) no tradicional Club Homs, na avenida Paulista, para a festa de lançamento da pré-candidatura de Roberto Podval à presidência da Ordem dos Advogados do Brasil de São Paulo. O discurso martelado por convidados foi o de que aquela é a “única candidatura realmente de oposição”, uma vez que todos os outros candidatos já ocuparam cargos na OAB-SP em alguma das gestões de Luiz Flávio Borges D’Urso no comando da seccional.

O fato de nunca ter ocupado qualquer posição na Ordem foi motivo de orgulho de Podval em seu discurso. “Os outros candidatos acabam sendo farinha do mesmo saco”, disse o criminalista, em frente à projeção que mostrava cenas de entrevistas coletivas que concedeu quando advogou para o casal acusado de matar a menina Isabella Nardoni e a inscrição "minha voz na OAB".

Podval propôs, em sua fala, incluir bacharéis reprovados no Exame de Ordem, em um setor específico da OAB, ou com uma carteira diferente. “Temos uma bomba-relógio prestes a explodir, pois, a cada Exame de Ordem, 85% das pessoas são reprovadas. Em pouco tempo, teremos mais 'paralegais' do que advogados.”

A ideia, diz o candidato, é fazer com que esse exército possa aderir à Ordem, antes que essa pessoas se organizem e decidam entrar em conflito com a entidade. “Podemos criar uma carteirinha de bacharel, exigir que concursos públicos peçam a filiação, algo a ser discutido, mas que traga essas pessoas à OAB”, explica Podval.

O único concorrente na disputa pelo cargo de presidente da OAB-SP citado nominalmente no evento foi o criminalista Alberto Toron, alfinetado pelo advogado Luiz Tarcísio Teixeira Ferreira. “A oposição não está rachada, pois essa é a única oposição. O Alberto Toron estava na OAB e saiu por oportunismo absoluto”, disse o apoiador, convidado a discursar no evento.

No coquetel, discursou também o presidente do Sindicato dos Advogados de São Paulo, Carlos Duarte. O sindicalista disse que a associação decidiu apoiar Podval, principalmente pelo compromisso dele com os Direitos Humanos. O criminalista também foi apoiado publicamente pelos advogados do Movimento pela Defesa da Advocacia, entidade da qual é fundador.

Em sua fala, Podval brincou com a pergunta que diz ser a primeira a responder a qualquer jornalista: “Que lideranças estão te apoiando?”. A resposta para isso ele deu logo: “São os meus amigos, os advogados que eu conheço, os grandes escritórios aos quais eu tenho ido para conversar sobre a campanha”.

Um afago a esses grandes escritórios foi feito no momento em que o criminalista disse haver “um movimento estranho no ar”, em que escritórios estrangeiros estão mobilizando grupos, inclusive injetando dinheiro em campanhas, para garantir a abertura do mercado da advocacia brasileira. Podval foi aplaudido quando firmou o compromisso de manter as portas fechadas às bancadas internacionais.

Entre suas promessas de campanha, figurou a já feita em entrevista à ConJur, de não permitir a reeleição na OAB, e a de discutir com a Defensoria Pública a situação dos advogados dativos e o convênio com a Ordem.

 é repórter da revista Consultor Jurídico.

Revista Consultor Jurídico, 20 de abril de 2012, 19h43

Comentários de leitores

9 comentários

O relaxamento de padrões. Quem perde é quem se dedica.

Eduardo.Oliveira (Advogado Autônomo)

Dias desses fui chamado de idiota.
Um cidadão, que sequer está formado mas conseguirá o canudo (está matriculado em uma dessas "Uni-Níqueis") disse ser o mais novo "advogado" (!?). É que mesmo sem terminar a faculdade, ele já havia conseguido aprovação no Exame de Ordem. Sem ser bacharel hoje já se consegue a aprovação no Exame da Ordem.
Sucumbe-se aos interesses das péssimas instituições, pois a reprovação agora é tolerada com mais aceitação, eis que os reprovados ainda seriam "treineiros", afinal não terminaram a faculdade. Tiram das costas das faculdades (obrigadas a prestar um bom serviço) e dos estudantes (obrigados a estudarem durante os cinco anos) a cobrança social. Para onde vamos?
Não estou aqui criticando a prévia aprovação no Exame, porque em situações de normalidade isso seria o sinal de que o cidadão preparou-se ao longo da vida estudantil. O fato por mim testemunhado apenas retrata a forma como o ensino jurídico tem sido encarado.
E isso porque esse mesmo cidadão já obteve um título de "pós-graduado" em Direito quando ainda cursava 3º ano da graduação. Mesmo não sendo bacharel, já se dizia pós-graduado... Tudo reconhecido pelo MEC!
É a completa inversão de valores. Quem levou seus estudos à sério, trilhou o longo trajeto do bacharelado, da indispensável aprovação no Exame e de uma séria pós-graduação posterior à graduação é literalmente chamado de idiota, porque para ser aprovado no Exame ou ser pós-graduado já não se exige o bacharelado.
Aliás, faculdades associadas a cursos preparatórios estão vendendo o "curso" para Ordem com bons descontos. Estou antecipando uma realidade: daqui a pouco bastará um cursinho preparatório para ser "adevogado".
E você que estudou, acreditou em tudo? É apenas mais um idiota!

Resposta ao email de Marcos Alves Pintar (Advogado Autônomo)

iMuarrek (Economista)

Prezado Dr Marcos, sob o título "Não desperta simpatia" o Sr critica Dr Podval por ter-se casado na Itália, ter relações com magistrados e quem sabe um dia ir defender interesses à partir de ilhas afrodisíacas. Ao Direito, nada mais distante que julgar alguém do que por "juízo de valor" ao invés de investigar fatos e ações concretas que o indivíduo praticou para observar e validar seu real valor social. Para ilustrar descabido juízo, sugiro ler: Exclusividade e preço levam brasileiros a casar no exterior (http://g1.globo.com/sao-paulo/noticia/2012/04/exclusividade-e-preco-levam-brasileiros-casar-no-exterior.html), em outras notícias de economia e modo de vida de jornais e revistas, também o Sr pode conferir que brasileiros voam ao exterior para fazer compras de todo o tipo, mais barato o suficiente para a viagem sair de graça. Quanto a relações perigosas, o que o Sr faria de seu amigo de classe do Direito fosse à magistratura e o Sr à advocacia e se encontrasse na condição de casar, excluiria o amigo? Mais perto ainda, o que fazer então com o Advogado de uma pequena cidade brasileira, onde todos conhecem todos? E o que dizer da OAB-SP que tem em suas últimas décadas disputas marcadas pelos mesmos nomes que, sabidamente, compõe e distribuem cargos em troca de "cargos"? Não é de se estranhar que a OAB-SP tenha se transformado em trampolim político partidário, ao invés de fazer política para os seus e sua sociedade, que é e sempre foi sua razão de ser. Prezado, seu comentário além de antipático revela uma natureza preconceituosa que só subtrai a discussão reduzindo-a a uma disputa talk-show ou reality-show qualquer. Ao advogado não cabe esse papel, mas o de buscar e estudar os fatos e ações concretas sem a necessidade de ser simpático.

Sexo dos anjos

Marcos Alves Pintar (Advogado Autônomo - Previdenciária)

O Flávio Souza (Outros) parece que se encontra perdido no tempo e no espaço. A questão da obrigatoriedade do exame de Ordem já foi amplamente discutida no Brasil há alguns meses, e terminou com o voto do Ministério Marco Aurélio no Supremo Tribunal Federal. Todo os pífios argumentos que o Flávio Souza (Outros) elenca foram rebatidos pelo Ministro, que inclusive lembrou que o exame de Ordem é praticado em todos os países mais desenvolvidos, embora por lá as faculdades de direito sejam melhores e mais rigorosas. Assim, discutir a obrigatoriedade do exame de Ordem, hoje, é o mesmo que discutir o sexo dos anjos.

Ver todos comentários

Comentários encerrados em 28/04/2012.
A seção de comentários de cada texto é encerrada 7 dias após a data da sua publicação.