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Preço da piada

Wanessa Camargo e marido processam Rafinha Bastos

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A cantora Wanessa Camargo e o empresário Marcus Buaiz ajuizaram, nesta quinta-feira (13/10), ação por danos morais contra o comediante Rafinha Bastos, por comentários feitos no programa CQC, da Band. O casal pede R$ 100 mil de indenização.

Em edição do programa televisivo, quando o colega Marcelo Tas comentou sobre como Wanessa estava “bonitinha” durante a gravidez, ele proclamou: “comeria ela e o bebê, não tô nem aí! Tô nem aí! (sic)”. A frase gerou repercussão na imprensa e nas redes sociais, a maioria delas criticando o comediante. Marco Luque, também comediante e integrante do CQC, e amigo de Buaiz, foi um dos que desaprovou o comentário do colega.

O casal, representado pelos advogados Manuel Alceu Affonso Ferreira e Fernanda Nogueira Camargo Parodi, alega que Rafinha Bastos é conhecido por suas frases ofensivas. Cita os exemplos de quando ele falou que as feias deveriam agradecer por serem estupradas, ou que a Nextel, que tem o ator Fabio Assunção como garoto-propaganda, é uma operadora de traficantes e drogados.

Diz a petição, obtida pela revista Consultor Jurídico, que o comentário sobre Wanessa, em especial, teve o agravante de ferir os valores da família e de “ignorar a condição de casada” da cantora. “Por óbvio, a glosa televisiva do Réu não expressou, apenas, mau gosto da pior espécie, incompatível com o que se possa razoavelmente rotular de verdadeiro e saudável humorismo”, dizem os advogados.

E continuam: “tampouco se restringiu, o Réu, ao terreno da cafajestice chinfrim, mais adequada às conversas livres de "machões" embriagados que se refestelem em botequins ou casas de tolerância. Nem sequer limitou-se, a afirmativa de “Rafinha”, a desrespeitar o comando, posto na Constituição Federal”. Referem-se ao artigo 221, inciso IV, que manda os programas de TV respeitarem “os valores éticos e sociais de pessoa e da família”.

Nem pediu desculpa
A situação de Rafinha Bastos ainda se agravou, segundo os advogados do casal, porque ele não se retratou dos comentários. Diz a petição que era esperado que ele refletisse o caso e considerasse a repercussão negativa que suas declarações tiveram para pedir desculpa, “ou, no mínimo, buscando suavizar a aleivosia assacada, anunciasse a ausência de intuito ofensivo naquilo que dissera”.

Mas não o fez. Alega a defesa que ele nunca demonstrou arrependimento, mas, ao contrário, “se envaidecera” como caso. Os advogados ainda lembram da responsabilidade que o comediante deveria ter, pois foi considerado pelo jornal americano The New York Times a pessoa mais importante do Twitter.

Clique aqui para ler a íntegra da ação por danos morais.

 é repórter da revista Consultor Jurídico.

Revista Consultor Jurídico, 13 de outubro de 2011, 18h25

Comentários de leitores

20 comentários

Medíocridade ou falta do que fazer?

Jeferson Furtado (Estudante de Direito)

Boa noite. Talvez seja de agigantada medíocridade os atos e posicionamentos contra o humorista Rafinha Bastos. Todos os dias dizemos que X ou Y, é ladrão ou homossexual, por torcer por este ou aquele time; dizemos que X ou Y, está gordo e isso é alvo de escárnio; dizemos que X ou Y, é negro, latino, asiático e pobre, por isso não tem direitos à certos privilégios, que não poderão participar de grupo A ou B, por não estarem de acordo com os padrões requeridos; Dizemos que X ou Y é feio, e tal falta de beleza serve como motivo de piadas e zomabarias. Isso ocorre todos os dias, nas mais variadas classes sociais, sem exceção, em todos os meios e grupos sociais. Negros, pobres, prostitutas, gays, ricos, e as mais variadas tribos e/ou pessoas, são ridicularizadas todos os dias. E daí? Cadê a punição para isso? Agora, bastou o humorista, fazer uma paródia (que eu concordo foi sem graça) todos se insurgem, todos querem crucificá-lo. Onde fica a liberdade de expressão? O Direito do artista em explicitar seu trabalho? Creio ser isso um falso moralismo.

CAFAJESTADA

Almir Sobral (Funcionário público)

Admirar o Rafinha Bastos é o mesmo que admirar um bandido. Suas piadas ofensivas, se é que isso é piada, afrontam especialmente o público. Se fosse apenas esse fato referente à Wanessa, apenas um deslize, mas não é, muitas de suas piadas são dirigidas para achincalhar pessoas. Esse mau caráter travestido de cômico aprontou muito. Recentemente esse cafajeste escreveu por email para uma repórter da coluna de Monica Bérgamo da Folha de S. Paulo: " Chupa o meu grosso e vascularizado cacete". Esse modo infame de se portar é uma constante na vida desse aviltador disfarçado de comediante. Esse cara ainda vai causar muitos problemas com esse seu jeito ordinário.

A pluralidade dos achos...

Mig77 (Publicitário)

Este fórum é democrático.Tanto os que recriminam quanto os que apoiam o comediante, citando teses de humor negro dão ênfase às suas idéias.
Então parece-me que é correto afirmar, para os que defendem a atitude do comediante, que o comentário, "comeria ela e o bebê, não tô nem aí", não deverá ser entendido como ofensa, se dirigido à mãe, filha, esposa ou irmã dos que defendem o comediante.Nenhuma ação judicial deverá ser ajuizada.Nenhuma represália.Pois, após rigorosa análise das teses constata-se que tal frase, não denigre, não achincalha, não fere o estado materno e acima de tudo, não macula a maior ação humana.O nascimento.Dar luz à vida!!!
Pois é, este mundo está mesmo esquisito.E o esquisito não é feio, nem bonito.É temeroso, às vezes, perigoso.

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