Consultor Jurídico

Notícias

Você leu 1 de 5 notícias liberadas no mês.
Faça seu CADASTRO GRATUITO e tenha acesso ilimitado.

Versões da discussão

Bate-boca marca sessão plenária no TJ de Alagoas

Uma confusão marcou a sessão plenária do Tribunal de Justiça do Alagoas, na terça-feira (21/6). O site do jornal semanal Extra Alagoas acusou a desembargadora Elisabeth Carvalho de expulsar um de seus repórteres, Victor Avner, da sessão, em represália a notícias escritas pelo jornalista. Em entrevista à revista Consultor Jurídico, por e-mail, a desembargadora nega que os fatos aconteceram como foram narrados no jornal.

O jornal afirma que Elisabeth, irritada com a presença de Avner na sessão, pediu a palavra à presidente em exercício, desembargadora Nelda Padilha, e disse, “em tom irônico”, que “o Extra havia mandado alguém para distorcer as palavras dos desembargadores”. Segundo a reportagem, a desembargadora ainda ameaçou processar o jornalista e passou a chamá-lo de palhaço.

De acordo com relato do próprio Avner ao jornal, Elisabeth, diante de seu silêncio, mandou que os seguranças do TJ-AL recolhessem o material do repórter, que disse estar com bloco de notas, câmera e gravador. Quando recusou entregar os equipamentos, Elisabeth, então, mandou os seguranças expulsarem Avner do pleno do Tribunal.

Na versão da desembargadora, a briga foi diferente. Ela conta que, na última sessão, Avner saiu da última fila de cadeiras do plenário, onde estava, e foi para a segunda. Elisabeth pediu, então, a palavra à desembargadora Nelda para que ela explicasse melhor uma de suas falas. Justificou que ali estava “o jornalista responsável pela matéria que denegriu a dignidade do Poder Judiciário de Alagoas”. Ela se refere à reportagem publicada na última edição do Extra que fala sobre o pagamento ilegal de horas extras no Tribunal, durante a gestão de três desembargadores, inclusive Elisabeth. O texto baseou-se em relatório do Conselho Nacional de Justiça, mas seu teor desagradou a desembargadora Elisabeth, que chamou as informações de “inverdades”.

Ainda segundo Elisabeth, depois que ela se pronunciou sobre a notícia do Extra, Avner passou a encará-la “com um sorriso desrespeitoso”. E aí houve o destempero: “Alertei que ele me respeitasse pelo menos ali, já que no jornal deles não se tinha o menor respeito. Depois, ele passou a me encarar de forma meio ameaçadora”.

Elisabeth pediu, então, que o jornalista se retirasse da sala. Ele continuou sentado e escrevendo. “Foi quando pedi que apanhassem com ele o que escrevia, para saber do que se tratava”. Ele então, segundo ela, se levantou e foi embora. “Não é verdade que eu o tenha chamado de palhaço ou tenha tomado qualquer material”, se defende a desembargadora.

Ao jornal em que trabalha, Victor Avner declarou que ficou “surpreso" durante todo o acesso de fúria da desembargadora. Em nenhum momento a desrespeitei”. O jornalista disse que vai tomar as medidas judiciais cabíveis. Para Elisabeth Carvalho, o Extra Alagoas “é contumaz em fazer publicações denegrindo a honra das pessoas”.

Revista Consultor Jurídico, 22 de junho de 2011, 21h10

Comentários de leitores

2 comentários

A questão tem maior amplitude

Ademilson Pereira Diniz (Advogado Autônomo - Civil)

Parece um mero caso de "destempero" de Magistrado (a), mas não é: é caso simbólico de desmando da injustificada existência de JUDICIÁRIO ESTADUAL. Nossa FEDERAÇÃO, cópia disforme da CONFEDERAÇÃO AMERICANA, descanbou nesses organismos compostos por ARISTOCRACIAS LOCAIS. Resta ao JORNALISTA propor representação perante o CNJ, além de processo criminal por abuso de poder. Creio que o STJ irá colocar essa DESEMBARGADORA em seu devido lugar. Para quem acompanha os casos envolvendo "eméritos" locais, este caso representa mais um dos ABUSOS cometidos por DESEMBARGADORES, que se sentem blindados em seus cargos. Esse caso, que envolve LIBERDADE DE IMPRENSA deve ser apurado e levao às últimas conseuquências.

Elogiosa independência

JETHRO SILVA JUNIOR  (Advogado Autônomo)

O Jornal Extra está de parabéns pela coragem editorial e até física de seus jornalistas, em se tratando de Alagoas. Quem "S. Exa" pensa que é ao admitir que mandou "que pegassem" o bloco de notas para saber o que o jornalista estava escrevendo. Isso, em tese, é pelo menos abuso de autoridade. Mas abusos de autoridade em Alagoas não são mais novidade. Talvez se o TJAL (ainda) tiver a fita com a gravação da sessão a questão fique mais fácil de ser esclarecida. Mas se ele tiver sido acidentalmente apagada...

Comentários encerrados em 30/06/2011.
A seção de comentários de cada texto é encerrada 7 dias após a data da sua publicação.