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Explicação científica

Perita descarta violação da cena do crime

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O terceiro dia de julgamento do casal Nardoni, acusados pela morte da menina Isabella, teve início com o depoimento da perita do Instituto de Criminalística, Rosangela Monteiro. Com uma explicação técnico-cientifica, a profissional confirmou a existência de sangue da menina no lençol do quarto das crianças. Questionada sobre a preservação da cena do crime, a perita afirmou que este caso foi um dos mais preservados que trabalhou até hoje.

Algumas manchas de sangue, segundo ela, foram parcialmente removidas do local do crime. Elas foram constatadas apenas com o uso de reagentes. São as chamadas manchas latentes, que não podem ser vistas a olho nu. A intenção da Promotoria, contudo, foi a de demonstrar que os laudos assinados por Rosangela são extremamentes coerentes e confiáveis. A pergunta chave de Cembranelli foi sobre a trajetória profissional da perita. Com a descrição de sua qualificação, que só na área de criminalística tem 24 anos de vivência, o promotor conseguiu passar aos jurados confiança nas provas periciais demonstradas ali por ela.

Ainda durante o depoimento, que inova pelo seu lado interativo: com uso de maquetes, retroprojetores e fotos, Rosangela Monteiro deu uma aula básica sobre os reagentes importados usados para colher os materiais essenciais para concluírem que Isabella foi feriada fora do apartamento. O sangue da cadeirinha de bebê, contudo, não pode ser confirmado se era o de Isabella. Neste ponto aparece a lacuna. Já que a análise feita no carro não foi conclusiva ao material genético de Isabella, pois aparece DNA de um dos irmãos da garota. Não encontraram também nenhuma mancha de sangue da criança no trajeto do carro para o apartamento, mas que essas gotas começaram a ser encontradas a partir da porta da residência do casal.

A perita também confirmou que Isabella estava sendo carregada quando entrou no apartamento. Isso pela projeção da gota de sangue encontrada no chão. Alexandre Nardoni parece atento a tudo que dizem. Já Anna Jatobá mantém a cabeça sempre abaixada.

O depoimento de Rosangela ainda não tem previsão para acabar. Na segunda parte de sua fala no Plenário, ela ainda destacou que as marcas de tela encontradas na camiseta de Alexandre são compativeis com a da tela de proteção de onde Isabella foi lançada.

Ainda nesta segunda parte, a perita terá de responder perguntas feitas pela defesa, que tenta demonstrar que o local do crime não foi preservado como deveria, para tentar enfraquecer as conclusões nos laudos anexados ao processo. A movimentação na porta do fórum de Santana é menor neste terceiro dia.

Na entrada, o advogado Roberto Podval foi vaiado por populares que não entendem o seu papel no Júri. Ele disse que estuda dispensar algumas testemunhas, como estratégia e, ainda, se a mãe de Isabella será dispensada. Por enquanto, ela está sem comunicação esperando uma possível acareação com os acusados.

 é repórter da revista Consultor Jurídico.

Revista Consultor Jurídico, 24 de março de 2010, 12h45

Comentários de leitores

4 comentários

E como se explica isso aqui? (Folha de S. Paulo)

Mauricio_ (Outros)

"De acordo com a perita, foram enviadas para análise as roupas de Nardoni, Jatobá e Isabella, sendo que nas dele eram visíveis a olho nu as marcas da tela de proteção da janela de onde a menina caiu.
Para determinar que tipo de ação poderia produzir as marcas encontradas na roupa de Nardoni, foram realizados quatro testes com um modelo de mesmo peso e altura que a dele. Os testes foram realizados na mesma tela do apartamento, e, no júri, a perita mostrou fotos e slides detalhados do objeto.
Nos dois primeiros, o modelo apenas olhou para baixo e colocou uma parte do corpo para fora da janela. As marcas no modelo foram incompatíveis com as marcas da camisa de Nardoni.
No terceiro teste, o modelo colocou os dois braços para fora, mas sem carregar nenhum objeto. As marcas nas camisas do modelo e de Nardoni foram semelhantes, mas ainda ainda incompatíveis.
No quarto teste, o modelo colocou os dois braços para fora carregando um peso de 25 kg --peso aproximado de Isabella-- e as marcas das duas camisas foram totalmente compatíveis. Além disso, os peritos perceberam que o corpo de quem jogou a menina ficou pressionado contra a tela, sendo necessário virar o rosto para o lado direito." (Matéria da Folha de S. Paulo)
Vamos pensar em uma explicação...
O réu, antes de ver se sua filha havia caído pela janela, apanhou 5 sacos de arroz, totalizando 25 kg, e, após tê-los pendurado pela janela, se apoiou na tela de proteção da janela para ver se sua filha havia caído?
Logo, as marcas em sua camisa que só poderiam ter sido produzidas pelo seu corpo com os braços para fora da janela carregando um peso 25kg não eram decorrentes do peso da criança (25kg) mas dos 5 pacotes de arroz que pendurou antes de olhar pela janela. Seria isso? Rs...

Conjectura por conjectura....

Ricardo, aposentado (Outros)

Estou com o Caiçara...
A criança pode sim ter sido deixada dormindo na cama, acordado enquanto o pai desceu para buscar os outros dois irmão, ter acordado, levantado e sido agredida (estrangulada) por um terceiro do lado de fora da porta do aptº, para, depois, ter sido jogada por esse terceiro pela janela do apartamento . . .

A versão da Defesa caiu por terra com o depoimento da perita

Mauricio_ (Outros)

Se a perita confirmou que havia manchas de sangue da menina a partir da porta da residência do casal, ou seja, na entrada do apartamento, cai por terra a versão apresentada pelos réus de que a menina teria sido deixada dormindo em seu quarto pelo pai sem nenhum ferimento. E mais: se a mancha de sangue formada na entrada do apartamento foi projetada quando ela estava sendo carregada e quem diz ter carregado a menina até o apartamento foi o pai, não resta outra conclusão de que a criança já estava ferida quando foi levada ao apartamento por ele.
Quanto à indagação do Caiçara, sobre a coleta de material nas unhas dos réus, cabe lembrar que isso só poderia ocorrer com autorização expressa dos réus, uma vez que não são obrigados a produzir provas contra si mesmos. Se eles não autorizam a colheita, não há que se falar em violação do Código de Processo Penal pela autoridade policial, que por tudo que se noticia fez um trabalho brilhante.
A tese de negação de autoria parece que desmorona a cada novo depoimento das testemunhas.

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