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Folia de Reis

Diretor da ConJur lança documentário em MG

Mauricio Cardoso - SpaccaResgatar a história da Folia de Reis, uma festa religiosa que chegou ao Brasil no século XVIII, foi o que moveu a produção de

O Mistério de Santo Reis

, dirigido pelo mineiro Maurício Cardoso, diretor de redação da Revista

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, e pelo gaúcho Fabio Rodrigues. A pré-estreia será nesta segunda-feira (22/3), às 19h30, no Cine Brasil, em Araxá, Minas Gerais, cidade onde foi gravado. A entrada é franca.

Em 40 minutos, o documentário traz os depoimentos mais marcantes e as mais bonitas imagens captadas durante os três anos em que a equipe acompanhou os grupos de foliões. Conhecida como Reizado no Nordeste e como Terno de Reis, na região Sul do país, a versão mineira da Folia de Reis foi escolhida pelo diretor pela sua origem. Nascido em Araxá, no triângulo mineiro, Cardoso passou a infância vendo os grupos de foliões passarem por sua casa. “Vivi no campo, via os grupos passaram e quis resgatar essa tradição e prestar uma homenagem”, conta o jornalista.

Os grupos são formados por nove a 12 pessoas. Os cantores devotos percorrem as ruas de Araxá, visitam os moradores e pedem doações que servirão de renda para uma grande festa, munida de uma bela refeição aberta a toda a comunidade. Uma das comemorações chegou a reunir 5 mil pessoas em um forró, noite adentro.

Nos primórdios da folia, os grupos percorriam longas distâncias entre o dia 25 de dezembro de 6 de janeiro, cantando pelas casas, pedindo as doações e pagando promessas. “Quando ainda não havia compromisso com trabalho, cartão de ponto, os grupos tinham tempo de almoçar, jantar e dormir nas casas por onde passavam”, lembra Maurício Cardoso. Hoje, a festa é mais urbana que rural, dura o ano todo, mas é reservada aos fins de semana, e como disse um dos foliões entrevistados, “as folias são poucas, mas as promessas são muitas”.

Valores da terra
A intenção da produção, segundo o diretor, foi também mostrar os valores do povo do interior, que vive na terra, e é repleto de generosidade. “Ninguém cobra pela apresentação e tudo é feito com muita boa vontade, generosidade. A maioria das pessoas que participa está pagando promessas.” Para dar mais detalhes das origens histórica e sociológica da festa, a produção entrevistou o sociólogo Carlos Brandão, da Unicamp.

A Folia de Reis também é conhecida pela riqueza cultural que traz, por meio das fantasias e o talento de seus cantadores e instrumentistas. Segundo Ivan Vilela, professor de música da USP também entrevistado no documentário, a sonoridade multivocal dos grupos é muito particular, de origem renascentista. “O professor cita até o italiano Palestrina, mestre desse tipo da música sacra, do século XVI, como influência histórica.”

Fins educativos
O documentário O Mistério de Santo Reis foi produzido com o objetivo de divulgar a cultura mineira e resgatar a história da Folia de Reis. O filme não deve ser comercializado, mas será disponibilizado para fins educativos. A ideia é que seja parte de mostras e outra exibições gratuitas por todo o Brasil. O filme, que contou com recursos da Lei de Incentivo à Cultura, teve o patrocínio da CBMM (Companhia Brasileira de Mineração e Metalurgia), Alimentos Wilson e com apoio da Prefeitura de Araxá.

Revista Consultor Jurídico, 19 de março de 2010, 14h40

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