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Crime sem punição

OAB rememora nesta sexta atentado à bomba

Às 13h40 do dia 27 de agosto de 1980, a secretária da Ordem dos Advogados do Brasil, Lyda Monteiro da Silva, de 59 anos, abriu uma correspondência endereçada para o advogado Eduardo Seabra Fagundes, presidente da entidade, e morreu. Tratava-se de uma carta-bomba que poderia ter sido aberta pelo ministro aposentado do Supremo Tribunal Federal, Sepúlveda Pertence.

O então advogado Pertence — que voltou à profissão há pouco mais de dois anos — estava no exercício da presidência do Conselho Federal da OAB, que à época ficava na Avenida Marechal Câmara, 210, 6º andar, centro da cidade do Rio de Janeiro. Depois de almoçar com amigos, Pertence ia a pé à sede da Ordem quando, há um quarteirão de distância, notou a agitação que tomava conta do local.

O advogado ainda viu a secretária ser removida de sua sala e levada do local. Dona Lyda morreu antes de chegar ao hospital, depois de 44 anos de serviços prestados à entidade dos advogados. Logo após o atentado, a OAB criou sua Comissão de Direitos Humanos.

Para rememorar o episódio, a seccional fluminense da OAB fará um evento nesta sexta-feira (27/8), quando o atentado completa 30 anos. Exatamente às 13h40. Falarão sobre o episódio na solenidade o atual presidente nacional da OAB, Ophir Cavalcante Júnior; o presidente da seccional do Rio, Wadih Damous; e o ex-ministro Sepúlveda Pertence.

Os autores do atentado, atribuído aos opositores do movimento da abertura do país para a democracia, nunca foram revelados. Pertence já declarou que a entidade não atribuiu o crime ao governo, mas “à época ficou muito claro que o regime militar perdera o controle sobre os seus porões e bolsões, não apenas na repressão violenta aos opositores armados, mas também em relação à sociedade civil, o que viria chegar ao auge com o atentado, felizmente frustrado, ao Rio Centro, no ano seguinte”.

Cerca de seis mil pessoas participaram do funeral de Dona Lyda Monteiro, em protesto ao atentado, a despeito da posição da família que não desejava ver o cortejo transformado em manifestação política. Sepúlveda Pertence acredita que a partir do atentado a sociedade civil tomou mais conhecimento dos crimes perpetrados por grupos extremistas de direita e a luta pela volta da democracia acabou por se fortalecer.

No ato público desta sexta em razão dos 30 anos do atentado, os advogados inaugurarão uma placa em homenagem à secretária Lyda Monteiro.

Revista Consultor Jurídico, 26 de agosto de 2010, 14h15

Comentários de leitores

1 comentário

Relembrando...

Richard Smith (Consultor)

Ao mesmo tempo em que se remomora este triste episódio, fruto da sanha de grupelhos anti-democráticos fica-se pensando: aonde anda a OAB, na defesa das garantias fundamentais do cidadão.
No País, hoje, nçao existe mais sigilo fiscal, sigil bancário (Francenildo que o diga!), sigilo telefônico (fala aí, protógenes!) e várias outras garantias fundamentais.
A nossa briosa Polícia Federal até hoje, quase quatro anos passados ainda não identificou a orígem dos 1,7 milhões encontrados com assessores de mercadante (o irrevogável Marechal da Derrota!) no famoso episódio do dossiê fajuto anti-Serra.
Aonde iremos parar então?
Com a palavra a OAB, a ABI, a CNBB, etc.

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