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Modelo normativo

STF reafirma que depositário infiel não pode ser preso

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Não mais existe, no modelo normativo brasileiro, a prisão civil por infidelidade depositária independentemente da modalidade de depósito. O entendimento já pacificado foi reafirmado pelo ministro Celso de Mello, do Supremo Tribunal Federal.

O ministro, ao acolher Habeas Corpus de um depositário voluntário contra decisão do Superior Tribunal de Justiça, citou vários precedentes da corte. Dentre eles, o julgamento do HC 92.566/SP, de relatoria do ministro Marco Aurélio, que declarou expressamente revogada a Súmula 619 da corte. A súmula autorizava a decretação da prisão civil do depositário judicial no próprio processo em que se constituiu o encargo, independentemente do prévio ajuizamento da ação de depósito.

Celso de Mello destacou que todos os julgamentos sobre esse tema na corte teve presente o que dispõem, na matéria, a Convenção Americana sobre Direitos Humanos/Pacto de São José da Costa Rica (artigo 7º, parágrafo 7º) e o Pacto Internacional sobre Direitos Civis e Políticos. Em dezembro do ano passado, a corte adotou o entendimento de que os tratados e convenções internacionais sobre direitos humanos aos quais o Brasil aderiu têm status de norma supralegal.

Assim, por ter havido adesão ao Pacto de São José da Costa Rica, que permite a prisão civil por dívida apenas na hipótese de descumprimento inescusável de prestação alimentícia, não é cabível a prisão civil do depositário, qualquer que seja a natureza do depósito.

A Constituição Federal de 1988 previu duas formas de prisão civil: a do devedor de alimentos e a do depositário infiel (artigo 5º, inciso LXVII). O depositário infiel é aquele que recebe a incumbência judicial ou contratual de zelar por um bem, mas não cumpre sua obrigação e deixa de entregá-lo em juízo, de devolvê-lo ao proprietário quando requisitado, ou não apresenta o seu equivalente em dinheiro na impossibilidade de cumprir as referidas determinações.

Assim, no julgamento do STF, foi decidido que a lei ordinária não pode sobrepor-se ao disposto em um tratado sobre direitos humanos ao qual o Brasil aderiu.

“Vê se, daí, que a decretação da prisão civil do depositário infiel, inclusive a do depositário judicial, constitui ato arbitrário, sem qualquer suporte em nosso ordenamento positivo, porque absolutamente incompatível com o sistema de direitos e garantias consagrado na Constituição da República e nos tratados internacionais de direitos humanos”, destacou o ministro Celso de Mello.

Por fim, o ministro registrou sem eu voto que a análise do pedido o leva a concluir que a decisão de manter o mandado de prisão é frontalmente contrária as normas citadas acima e a jurisprudência do Supremo Tribunal Federal, que diz não mais existir, no ordenamento positivo, a prisão civil do depositário fiel e, também, do judicial. Clique aqui para ler o voto.

 é repórter da revista Consultor Jurídico.

Revista Consultor Jurídico, 9 de junho de 2009, 14h53

Comentários de leitores

2 comentários

Bagunça juridica...

Marcos Andre Oliveira Conceicao (Professor)

No Brasil nao se adota o mesmo que nos paises da america do norte ou na europa, temas como esse quando são determinados com alteração constitucional não são jamais retomados , pois a justiça não perde tempo reafirmando o que ja foi alterado. Aqui por outro lado existem juizes que parece que tem algum retardo mental em aceitar o que foi modificado. O poder que eles tem em proferir suas bestiais e retrogradas sentenças . Erros em cima de erros , quando se sentem prejudicados recorrem aos colegas de segunda instancia. Na verdade é mesmo uma bagunça juridica , nada mais que erros de entendimento . Se fossem feitos criterios mais rigorosos na escolha dos magistrados , nao teriamos tantos anganos e essa justiça atrasada e mal construida . Isto porque as leis são feitas não com base em estudos , mas em alterações de vontade política , nada mais que erros daqueles que se julgam superiores .

Bagunça juridica...

Marcos Andre Oliveira Conceicao (Professor)

No Brasil nao se adota o mesmo que nos paises da america do norte ou na europa, temas como esse quando são determinados com alteração constitucional não são jamais retomados , pois a justiça não perde tempo reafirmando o que ja foi alterado. Aqui por outro lado existem juizes que parece que tem algum retardo mental em aceitar o que foi modificado. O poder que eles tem em proferir suas bestiais e retrogradas sentenças . Erros em cima de erros , quando se sentem prejudicados recorrem aos colegas de segunda instancia. Na verdade é mesmo uma bagunça juridica , nada mais que erros de entendimento . Se fossem feitos criterios mais rigorosos na escolha dos magistrados , nao teriamos tantos anganos e essa justiça atrasada e mal construida . Isto porque as leis são feitas não com base em estudos , mas em alterações de vontade política , nada mais que erros daqueles que se julgam superiores .

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