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Direito transparente

Jornalistas discutem como aproximar Judiciário e imprensa

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“A imprensa e o Direito pouco se conhecem e muito se estranham, mas a sociedade só tem a ganhar com um melhor relacionamento dos dois.” A frase de Maurício Cardoso, diretor de redação da revista Consultor Jurídico, sintetiza o consenso da palestra realizada nesta quarta-feira (8/10) na Fenalaw sobre a relação entre imprensa e Direito.

Para os palestrantes, os muitos erros jurídicos cometidos por jornalistas são reflexo dessa falta de proximidade. Contudo, assim como o jornalismo econômico melhorou de qualidade ao incorporar economistas, os jornalistas precisarão se aproximar dos advogados para explicar um mundo cada vez desenhado por decisões do Judiciário.

Os palestrantes deram dicas para melhorar essa relação. Recomendaram que o advogado tenha em mente que o trabalho do jornalista envolve a tradução de conceitos complexos para uma forma simples, compreensível ao leitor leigo. A intenção é alcançar um nível comum de entendimento. “O leitor sempre tem a preferência”, afirmou o jornalista Tiago Lethbridge da revista Exame. Por isso, não adianta reclamar do uso de expressões leigas para descrever uma ação que corre na Justiça pois é inerente à função do jornalista traduzir termos técnicos.

O jornalista, por sua vez, precisa corrigir informações publicadas erroneamente. Atitudes como essas contribuem para que o advogado e o jornalista tenham uma relação de confiança em que os interesses de cada um prosperem. “Notícias ligadas ao mundo jurídico são cada vez mais numerosas na mídia e o advogado se tornou uma fonte importante para fornecer e explicar informações ao jornalista”, afirmou Cristine Prestes, do jornal Valor Econômico. Já o advogado precisa saber se comunicar, pois a sociedade da informação valoriza cada vez mais o debate público e o julgamento da opinião pública já é tão importante quanto a sentença do juiz, segundo Maurício Cardoso.

Diminuir a distância entre mídia e Direito é também uma exigência da população, que quer se informar a respeito de decisões que afetam sua vida. “As pessoas não conhecem o Poder Judiciário, mesmo noções simples como que tipo de Justiça precisa procurar para resolver determinado caso” disse Cristine. Na opinião da jornalista, é preciso haver mais contato entre jornalistas e advogados para que o saber jurídico circule e a sociedade fique melhor informada. O peso econômico dos serviços de advocacia tampouco pode ser ignorado pela imprensa. “A advocacia é uma parte importante da economia e está diretamente ligada ao mundo dos negócios”, exemplificou Cristine.

Para Tiago Lethbridge, o problema é que encarar a advocacia como negócio ainda não é bem-visto por muitos advogados. “Gostaríamos que os grandes escritórios de advocacia divulgassem anualmente seu faturamento, como na Inglaterra.” Ele cita uma “cultura de classe” que se recusa a admitir que um escritório busque a maximização de lucros como justificativa para a relutância dos escritórios brasileiros abrirem suas contas.

Maurício Cardoso ainda listou fatos que o advogado precisa ter em mente quando procurar um jornalista. Segundo o jornalista, o advogado não pode distorcer uma verdade ou mentir, pois isso irá corroer o cerne do trabalho jornalístico. Ele também precisa saber que o destinatário final da notícia é o leitor e que se aquilo que ele oferece não é uma notícia, não poderá ser publicado.

 é repórter da revista Consultor Jurídico.

Revista Consultor Jurídico, 9 de outubro de 2008, 0h00

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