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Falta de legitimidade

TCE não tem legitimidade para recorrer de decisões judiciais

Os Tribunais de Contas Estaduais não têm personalidade jurídica ou legitimidade processual para recorrer dos julgados do Poder Judiciário que reformem suas decisões administrativas. Esse é o entendimento da 4ª Turma do Superior Tribunal de Justiça, que afirmou que os TCEs não são pessoas naturais ou jurídicas, razão pela qual não são titulares de direitos, pois integram a estrutura da União ou dos estados e, excepcionalmente, dos municípios.

Por unanimidade, o STJ rejeitou os embargos de declaração ajuizados pelo Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro contra acórdão que reformou retificação de aposentadoria. Segundo a relatora, desembargadora convocada Jane Silva, após a decisão de mérito, é a pessoa jurídica de direito público a que está vinculada a autoridade impetrada que passa a atuar no processo, no caso, o estado do Rio de Janeiro.

Em recurso ordinário parcialmente provido, o STJ, em dezembro de 2007, determinou o restabelecimento do pagamento dos proventos recebidos por uma servidora municipal aposentada, sem prejuízo de que sejam novamente revistos pela administração pública ou pelo Tribunal de Contas do estado, com a observância das garantias do contraditório e da ampla defesa. O Tribunal de Contas recorreu da decisão alegando ser desnecessária a observância dos princípios do contraditório e da ampla defesa nos processos perante os Tribunais de Contas.

Segundo os autos, a aposentadoria da servidora foi concedida pelo prefeito do município de Duque de Caxias, em 1985, e retificada em 1991, em portarias que lhe concederam o direito ao recebimento dos proventos de aposentadoria acrescidos da parcela de 50% da remuneração atribuída ao cargo em comissão e da gratificação de trabalho técnico e científico, também no percentual de 50%, pelo exercício do cargo de secretária-geral do Instituto de Previdência do município, equivalente ao cargo de secretário municipal.

Após a incorporação da mencionada vantagem aos seus proventos, ainda de acordo com os autos, o processo de aposentadoria da servidora foi remetido ao Tribunal de Contas do Estado para fins de ratificação do ato. O TCE se manifestou pela exclusão da gratificação de trabalho técnico e científico e pelo pagamento do valor normal referente ao subsídio do cargo em comissão de secretário-geral do Instituto de Previdência Municipal.

Doze anos depois, em 2002, a Secretaria Municipal de Administração de Duque de Caxias excluiu dos proventos da servidora o valor equivalente a 50% da gratificação de trabalho técnico ou científico e fixou o valor do cargo em comissão sem o acréscimo de 50%. O procedimento foi considerado legal, já que o ato administrativo da aposentadoria não adquire eficácia plena antes da aprovação pelo Tribunal de Contas.

No entanto, os autos comprovaram que a servidora só foi informada da exclusão das referidas vantagens em telegrama emitido em novembro de 2002 e só obteve cópia do processo administrativo referente à sua aposentadoria em fevereiro de 2003, quando já realizadas as primeiras reduções dos proventos. Diante desses fatos, o STJ entendeu que houve, de forma inequivocamente comprovada, manifesta ofensa aos princípios constitucionais do contraditório e da ampla defesa e determinou o restabelecimento do pagamento original.

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Revista Consultor Jurídico, 14 de novembro de 2008, 17h11

Comentários de leitores

3 comentários

Prezada colega comentarista analucia, por óbvio...

Sandro Couto (Auditor Fiscal)

Prezada colega comentarista analucia, por óbvio que os TCE´s são apenas cortes de contas, braços acessórios do Poder Legislativo, que, ao menos na teoria, visam auxiliar o Legislativo em uma de sua principais funções, que é a fiscalização do Poder Público como um todo (Executivo, Judiciário e o próprio Legislativo). Institucionalmente ele existe com este nobre fim que, infelizmente, muitas das vezes, se revela não cumprido e faz com que sejam apenas cabides de luxo para ex-parlamentares ou políticos com cacife junto aos governos locais. Ora, daí a afirmar que os TCE´s têm personalidade jurídica de direito público interno é pura loucura. Portanto, quem deve representá-lo é o Estado ou o Município, este sim entes com personalidade jurídica própria. O STJ, neste caso, está coberto de razão. Infelizmente, os TCE´s continuamm, como disse um desembargador que não me recordo o nome, há muito tempo em um julgamento que assisti, como "tribunal de faz de contas", apenas a rever aposentadorias dos coitados dos barnabés, ao invés de se preocupar coisas mais vultuosas e preocupantes que, como todos sabem, ocorrem aos borbotões em todos os rincões de nosso país e, certamente, são submetidas como a lei determina à sua análise técnica.

STF: Súmula Vinculante 3 "Nos processos perant...

Silvana (Investigador)

STF: Súmula Vinculante 3 "Nos processos perante o Tribunal de Contas da União asseguram-se o contraditório e a ampla defesa quando da decisão puder resultar anulação ou revogação de ato administrativo que beneficie o interessado, EXCETUADA A APRECIAÇÃO DA LEGALIDADE DO ATO DE CONCESSÃO INICIAL DE APOSENTADORIA, REFORMA E PENSÃO."

é claro que o TCE tëm legitimidade processual t...

analucia (Bacharel - Família)

é claro que o TCE tëm legitimidade processual tanto ativa como passiva, mas o STJ náo visa o acesso ao Judiciário, apenas discursa nesse sentido.

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