Consultor Jurídico

Crise no império

EUA propõem maior reforma do sistema financeiro desde depressão

O secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Henry Paulson, anunciou, nesta segunda-feira (31/3) em Washington, um audacioso plano que altera a forma como o governo regula as instituições financeiras do país. Se aprovada, essa será a maior reforma nos Estados Unidos desde a Grande Depressão em 1929.

O projeto dá ao Federal Reserve (banco central norte-americano) mais poder para proteger a estabilidade financeira dos Estados Unidos. A supervisão do sistema bancário seria desempenhada apenas pelo Fed. Atualmente, cinco agências tomam conta do mercado.

O objetivo é dar ao governo americano maior capacidade de supervisionar os mercados. Quer impedir problemas financeiros como a atual crise dos créditos imobiliários.

A reforma depende da aprovação do Congresso dos Estados Unidos. Pelo plano, o Congresso também ficará encarregado de criar uma comissão para o setor de hipotecas.

Paulson disse que o plano não é uma resposta à atual crise. Pretende-se apenas modernizar o sistema financeiro do país. O secretário acrescentou que as medidas não devem ser decididas "em meio a situações de estresse".

"A estrutura de nossa regulamentação atual não está pensada para enfrentar o sistema financeiro moderno com seus diversos atores, sua inovação, a complexidade de seus instrumentos financeiros, sua integração mundial", afirmou Paulson em um discurso, referindo-se a um sistema "balcanizado".

O secretário do Tesouro afirmou que o Fed passará a contar com "amplos poderes". O plano também cria uma super-agência responsável por garantir a proteção ao consumidor e a supervisão de transações de negócios.

O projeto é mais uma tentativa do governo Bush de mostrar que está reagindo à crise econômica. O governo já havia anunciado a criação de um pacote de estímulo econômico de US$ 168 bilhões por meio de restituições de impostos aos contribuintes.

O pacote restitui US$ 600 para cada contribuinte com renda anual de até US$ 75 mil; e US$ 1,2 mil a casais com renda de até US$ 150 mil, além de US$ 300 adicionais por filho. Quem não paga imposto de renda e recebe no máximo US$ 3 mil anuais terá direito a US$ 300.

A regulamentação atual é um mistura de leis escritas durante diversas crises desde a Guerra da Secessão. A parte mais importante da legislação foi instaurada no dia seguinte à Grande Depressão, em 29 de outubro de 1929.

*Com agências de notícias




Topo da página

Revista Consultor Jurídico, 31 de março de 2008, 18h04

Comentários de leitores

1 comentário

O crash americano de 1929 foi assustador, mas o...

JAAG (Advogado Sócio de Escritório - Criminal)

O crash americano de 1929 foi assustador, mas o país se refez. A priori, os EUA investem na guerra e na tecnologia de forma simultânea. O mérito não é o objetivo, mas a maneira como o princípio da liberdade pode ser questionado. Não importam os gastos, importam os meios para fazê-los. Não restam dúvidas de que a economia americana é sólida e exemplo para o mundo inteiro. O país que tem o maior PIB do mundo, recentemente percebeu uma escorregadela do mesmo e, imediatamente, buscou incentivos no próprio produto interno bruto para refazer a avaria. O país exporta mais do que importa. As importações são tipo de permuta, onde o retorno vem em valorização do mercado internacional, no interesse da economia americana. O dólar frente ao euro pode parecer de menor valor. Pura utopia. O dólar americano é rentável e continua sendo a moeda mais valorizada do mundo e com maior poder aquisitivo, sem interferências de mercados competitivos. A China e o Japão são os que mais agregam dólares à economia americana. A Europa demanda dólares, independente do euro, moeda restritiva e tabulada nos conornos limítrofes do continete europeu, com pólos de resistência à realidade de sua unificação. A pretendida reforma, propalada pelo Secretário do Tesouro americano é a prova irrefutável da fortaleza da economia americana. Numa reversão, nos ditos países emergentes, ou até nos chamados desenvolvidos, os juros são alavanca de contensão do consumo (Brasil, por exemplo!). Nos EUA, mesmo com deficit (suposto por autoridades macroeconômicas que têm rusga da economia americana)os juros, mesmo em tempo de suposta "crise" são e permanecem negativos. O poder aquisitivo da classe menos abastada dobrou no último triênio. Uma economia sólida, criticada por pseudo economistas. Fato real!!!

Comentários encerrados em 08/04/2008.
A seção de comentários de cada texto é encerrada 7 dias após a data da sua publicação.