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Parente presidencial

Justiça barra candidatura de enteado do presidente Lula

Marcos Cláudio Lula da Silva (PT), enteado do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, não poderá ser candidato a vereador em São Bernardo do Campo. Segundo os juízes do Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo, ele é inelegível por causa de seu parentesco com o presidente.

Marcos Lula é filho do primeiro casamento da primeira-dama, Marisa Letícia. Na primeira instância, o registro da candidatura já tinha sido negado a pedido do Ministério Público Eleitoral.

Segundo o artigo 14 do parágrafo do 7º da Constituição, não são elegíveis, no território de jurisdição do titular, os parentes de presidente da República, governador e prefeito. As exceções são os casos em que o parente já tem mandato e tenta se reeleger. Neste caso, não há impedimento. Cabe recurso ao TSE.

Revista Consultor Jurídico, 21 de agosto de 2008, 19h05

Comentários de leitores

6 comentários

Perfeita a conclusão do Niemeyer. Se a jurisdiç...

Pancho Villa (Advogado Autônomo)

Perfeita a conclusão do Niemeyer. Se a jurisdição do enteado não é a mesma da do Presidente Lula, nem quanto à extensão do poder, que num caso é de vereador, exercício de atividade legislativa, e no outro é de Presidente da República, atividade máxima da administração pública, Poder Executivo, nem quanto à extensão do território, que para o enteado restringe-se ao território do município de SBC, equanto que a jurisdição do Presidente Lula espraia-se por todo o território nacional, mas com observância da independência dos estados e municípios, então não faz sentido a proibição. Não há identidade nem do poder a ser exercido nem do território onde esses poderes são exercidos. Conclui-se que o pressuposto da diversidade de jurisdição territorial está atendido para viabilizar a candidatura do entenado do Presidente.

Decisão a meu ver equivocada. O § 7º do art. 14...

Sérgio Niemeyer (Advogado Sócio de Escritório - Civil)

Decisão a meu ver equivocada. O § 7º do art. 14 da CF reza: “São inelegíveis, no território de jurisdição do titular, o cônjuge e os parentes consangüíneos ou afins, até o segundo grau ou por adoção, do Presidente da República, de Governador de Estado ou Território, do Distrito Federal, de Prefeito ou de quem os haja substituído dentro dos seis meses anteriores ao pleito, salvo se já titular de mandato eletivo e candidato à reeleição.” Os requisitos para a vedação são: a jurisdição do titular do cargo eletivo e o vínculo de parentesco. Comecemos pelo segundo. O § 1º do art. 1.595 do Código Civil limita o parentesco por afinidade aos ascendentes, descendentes e aos irmãos do cônjuge ou companheiro. Numa palavra, na linha reta, o parentesco por afinidade não esbarra em nenhum contraforte; na colateral, cinge-se ao segundo grau. Isso significa que os sogros e os enteados são adidos por afinidade e a eles aplica-se a regra do § 7º do art. 14 da CF. Porém, essa incidência depende ainda presença do primeiro requisito: a jurisdição daquele que esteja na posse e exercício de cargo eletivo. (continua)...

(continuação)... A esse respeito há que se f...

Sérgio Niemeyer (Advogado Sócio de Escritório - Civil)

(continuação)... A esse respeito há que se fazer algumas ponderações. Se, como tem entendido o STF, a regra constitucional tem por escopo não permitir a cumulação do poder nas mãos de um grupo familiar, então, a decisão do TRE-SP está equivocada. Primeiro, a vereança não se exerce na mesma jurisdição da Presidência da República. Ainda que entenda esta estender-se por todo o território nacional, é incontroverso que os Municípios e as Câmaras de Vereadores são possuem território de jurisdição independente, de modo que não pode cogitar-se de influência no exercício do mandato ou de cumulatividade de poder num mesmo território de jurisdição. Sob este aspecto, portanto, falha a incidência do primeiro requisito previsto no § 7º do art. 14 da CF, e nenhum empecilho há que obste ao enteado do Presidente Lula em candidatar-se e eleger-se vereador em São Bernardo do Campo. Quando muito, e mesmo assim por epítrope, pois entendo forçado o argumento, poder-se-ia cogitar de vedação à candidatura se o cargo aspirado fosse o de Deputado Federal ou Senador, pois são cargos de jurisdição federal, a mesma, portanto, do Presidente da República. Nada obstante, entendo que nem nessa hipótese incidiria o § 7º do art. 14 da CF, pois de acordo com uma visão mais democrática e cônsona com o espírito que governa a Constituição Federal, pode-se afirmar que a jurisdição do Poder Executivo não se confunde com a do Poder Legislativo, de modo que também nesta hipótese falharia a incidência do aludido dispositivo constitucional. (continua)...

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