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400 anos depois

Americana quer reabilitar antepassada condenada por bruxaria

Em 1662, os colonos de Hartford, capital do Connecticut nos Estados Unidos, acusaram Mary Sanford, 39 anos, de bruxaria. Um tribunal local a condenou com base em dois frágeis indícios: ela tinha sido pega em flagrante bebendo vinho e dançando ao redor de uma fogueira. Mary foi enforcado, deixando para trás cinco filhos e um marido.

Três séculos depois, as descendentes de Mary, Debra Avery e sua filha Addie, ajuizaram um requerimento na Assembléia Legislativa de Connecticut para que Mary e outras 10 pessoas sejam absolvidas do crime. A história é contada pelo New York Times deste domingo (13/4).

Até pouco tempo atrás, as duas não sabiam que tinham uma antepassada considera bruxa. Somente, em 2005, elas foram surpreendidas com a informação em uma palestra. Desde então mãe e filha de 14 anos, que estuda em casa, pesquisam o assunto com afinco. Não só o caso de sua antepassada, mas sobre a bruxaria no estado.

Segundo a investigação que está nas mãos da Assémbleia, nove mulheres e dois homens foram condenados por feitiçaria e enforcados em meados dos anos 1600 em Connecticut. Outros foram banidos ou fugiram da colônia.

Duas das mulheres foram jogadas em águas para saber tinham espíritos malignos. Segundo o método, se elas morressem afogadas, eram então consideradas inocentes. Mas se flutuassem, eram consideradas culpadas.

No caso de Mary não há registrado oficial explicando porque foi acusada de ser bruxa. O seu marido Andrew chegou a ser indiciado, mas foi posteriormente absolvido.

Os números mostram que os acusados geralmente eram mulheres pobres e com pouca instrução — as coisas não mudaram muito por lá: das 170 pessoas executadas em 300 anos em Connecticut apenas uma tinha diploma de graduação.

As duas conseguiram apoio de outras pessoas que tiveram familiares condenados por bruxaria. Formaram uma espécie de grupo. No entanto, na internet, sofreu ataques pela sua tentativa revisionista. “Eu não tenho medo quando vejo algo errado”, afirma Addie, uma adolescente de 14 anos.

Connecticut é lento a admitir culpa. Estados como Massachusetts e Virgínia já reconheceram a injustiça feita na época de caça às bruxas. Uma resolução do Comitê Judiciário da Assembléia não concedeu indulto aos condenados. Michael Lawlor, presidente da comissão, afirma que o Legislativo está relutante para reconhecer a bruxaria como crime. Nesta segunda-feira (14/4), pode haver uma votação sobre o tema.

Revista Consultor Jurídico, 13 de abril de 2008, 18h22

Comentários de leitores

2 comentários

Discordo. Melhor tratar desse assuntos do que l...

fernandojr (Advogado Autônomo - Civil)

Discordo. Melhor tratar desse assuntos do que lidar com "assaltantes" de banco e cofres públicos. Bruxaria é um assunto muito mais instrutivo e interessante do que roubo de dinheiro.

Realmente tenho que me declara...

A (Consultor)

Realmente tenho que me declarar sem folego com a impressionante "relevancia" de um assunto de tal profundidade como esse que afeta diretamente a vida de milhões de Brasileiros............. Talvez se o caso tivesse ocorrido no Brasil , ainda estaria a espera de recurso em alguma das varias instancias que em termos comparativos , perdem por muito pouco em vista do periodo de tempo envolvido como foi neste caso. Felizmente no Brasil não temos grandes problemas com bruxaria , apenas com as "bruxas" em si que pululam livremente na politica e praticam "magia negra" para se manter no poder. Algumas ate ja assaltaram bancos no passado e hoje estão na "chapa quente" para explicar dossies e maracutaias variadas.

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